segunda-feira, abril 18, 2005

Olhares









http://www.olhares.com/utilizadores/detalhes.php?id=10164

o tempo urge, talvez, porque o contamos.
só o sabemos, do que mora no relógio.
as alegrias e as tristezas, as amarguras e os prantos
coniventes, viram traços obscuros.

Pode ser essa linha solta de fragrâncias,
que resvala nos meandros da mente intelectual,
insurge incapaz, insensata,
embebe-nos de insatisfação.

o tempo urge, agarra o espectro de alguém
e planeia a morte do futuro, desconcerta
a democracia tola do tempo de outrem.

O tempo urge à noite,
de manhã, e um dia assim finda,
talvez queira escapar entre mãos e corpos
Daqueles que o abandonam.

o tempo urge entre pedaços de nós,
vagueiam, emparvecem, reprimem,
e outros fragmentos deambulam,
neste rol teimoso que ninguém compreende,
é a ligeira leviandade.

O tempo urge, abre a cortina
sustenta-se na indestrutibilidade da vida
E o tempo urge
Ao que se presta.




quarta-feira, abril 13, 2005

Sossego

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Se o passado, simplesmente, se incumbisse de perecer.

Permanecer adormecido, talvez, mas não basta, nem calha bem.
Abandonar momentos, salvo, essências felizardas.
Distingo, nítidos, os contornos da tua alma, e como enchiam de entusiasmo o sopro do resto dos dias.
As auroras resplandeciam, as inocências mais patetas engrandeciam, em perfis, quase perfeitos, delineados aos crepúsculos mais pálidos, e autênticos jardins nasciam dentro de nós. A verdadeira pertença da felicidade. E o que aconteceu?

Em tempos que já, muito, lá vão, pedias-me só pelo olhar:
- Espera por mim, descemos juntos – planeavas e resistias à memória, súbita e lúcida, sob qualquer faísca que surgisse.

Primavera de 90 e alguns, noutros anos primaveris a chuva era rotina nas nossas horas, ininterruptas de ocasiões intermináveis.
A cumplicidade dos códigos guiavam, desimpediam e ultrapassavam atalhos, que apareciam delicados.
Verdadeiras emboscadas e travessias no deserto.

A simplicidade e a delicadeza dos passos nos uniam, e despegavam-se. Afinal, a suavidade das tuas palavras, feria-me. Verbalizavas frases inúteis e práticas em contextos pantanosos para não sumires. Completou-se o ciclo. Ao que tivemos direito. Queres contar-me o que se alterou?

Os contornos iraram-se, e o registo que tenho de ti, já é outro.
Sem querer, insiro novos códigos e registo-os, desordenadamente entre as brechas que duram. A tentativa de cura só deixa a convalescença tardia.

Fizeste-me falta. Tornaste-me clara de consciência. Completaste o teu círculo a meu lado.
Sinto desvantagem, será propositado. Sou livre, afinal.

Vejo com mais clareza e sinto o Sol, o meu Sol. Entra-me em casa todas as manhãs e rompe as cortinas e os lençóis afastando-os com doçura o orvalho dos sonhos.

A arte de desmistificar a solidão é tornando cada dia mais franco e apegado a nós próprios. Esse prodígio de abnegar às coisas negativas, e impeditivas, vivermos de bem com a nossa consciência. Conseguir um bom resultado ao estar de bem com a vida. Contigo. Comigo.

quinta-feira, abril 07, 2005

Há horas e dias

Há algum tempo que não vinha aqui. De facto não tenho tido sequer tempo para abrir o e-mail. Lembram-se dos posts anteriores, em que eu falava de polivalência. Pois, nem a propósito. A polivalência não me preocupa, já a ausência de reconhecimento, melhor ainda, o aumento da denegridade do trabalho quando é feito com afinco ou empenho, já é outra coisa. O reconhecimento não é mau, mas a falta de respeito pelo nosso trabalho é muito pior. Horrível, diria mesmo. É como se nos estivessem a dar tarefas que não nos são habituais, ainda que as saibamos fazer ou já a tenhamos feito, em tempos, mas com o intuito de as denegrir, constantemente. E por quê? Devido a preferências, a gostos pessoais, a falta de cumplicidade, a falta de - "encher o cú a dirigentes com paninhos mansos" - desculpem-me a linguagem menos própria, mas passa-se em tantos serviços. E tão próximos de nós. Deixo aqui o meu desagrado e se quiserem comentar, agradecia. Adoraria saber que, ou se têm perspectivas diferentes ou iguais à minha. Não acham que deviamos mencionar nos C.V. estas tarefas extraordinárias. Era fascinante.

terça-feira, março 29, 2005

Fugir para quê

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...«que país é este, que agarra as pessoas com tanta força ao mesmo tempo que lhes dá vontade de fugir?».
Pensando nesta frase, ocorre-me: como não ter vontade de fugir deste amontoado, desta panóplia de novidades que temos tido na politica, na economia, na crescente criminalidade, na vasta entrada e fácil de estrangeiros ao nosso país, na acessibilidade a drogas que os jovens têm cada vez mais, na miserabilidade de ordenados, na carestia de vida, de uma forma geral, na crescente diferença entre ricos e pobres, na ausência de chuva que tem levado os nossos agricultores à míngua e dos animais que, mais tarde ou mais cedo, acabam por morrer a fome e à sede. Enfim, um cenário não muito agradável. Neste cantinho da Europa, somos um dos povos europeus mais sacrificados.
Por outro lado, este país agarra-nos com força que, ao sermos latinos, criamos raízes, laços. E está-nos no sangue a emotividade, a afabilidade, a generosidade. Apelidam-nos de hospitaleiros, de quentes. A questão do patriotismo, também é uma razão forte. Lembrem-se do Euro 2004. Só é pena, sentirmos e manifestarmo-nos quando surgem eventos deste tipo. Mas penso que será um motivo forte para explicar o que nos prende a este magnifico país. Além disso, temos um clima, que não é dos piores. É óbvio que nem toda a gente pensa assim. Nem é que conheça muito do mundo, mas já viajei para alguns paises da Europa e gosto muito de Portugal. Acho que o devíamos preservar e cuidar mais do que é nosso.

Quaresma

Época de provações, de penitência, de jejum, de contenções, de todo o tipo de abstinência, de não se poder comer isto e aqueloutro, mas também de meditação. Período em que a Igreja Católica relembra os 40 dias de Jesus Cristo no deserto. Se bem, que na cultura ocidental tem sido mais abrandada esta tradição. Há muita gente que, ainda hoje, não come carne na santa sexta-feira.
Nem a propósito, no meu último post, nem era próprio, nesta época, fingir-se os orgasmos. Impõe-se, - passe-se a expressão - deixar de fazer algo que se considerasse prazeroso.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quaresma

Ao fazer uma busca pela palavra Quaresma tropecei num link sobre um filme de José Álvaro Morais.

«(...) É ainda à volta da grande burguesia rural portuguesa (ou melhor, dos restos dela, ou seja, do estatuto, que sobretudo a enclausura) que o filme passa-se - na zona da Covilhã, Serra da Estrela, relativamente perto da terra natal do realizador, Coimbra, no centro-norte de Portugal.
Em "Quaresma" há menos sol, há mais gravidade, a "terra" faz-se sentir de outra maneira mais pesada, o próprio ar e o próprio céu parecem desaparecer numa mescla de tons cinzentos. Mantém-se o desejo de fuga, mas agora parece que a fuga (real ou ilusória, conseguida ou falhada) só se pode fazer continuando para norte - para a Dinamarca e para as praias austeras do mar do Norte. Não será forçar muito a nota dizer que "Quaresma" é como um "road movie" em circuito fechado, ou um "road movie" que anseia pela estrada que o confirme.
Todas as personagens que o filme segue - que são as personagens que ainda guardam um desejo de movimento - seguem as vias das suas fugas (im)possíveis e imaginadas.
Aí surge, em especial, a personagem de Beatriz Batarda, cuja semi-loucura atesta ao mesmo tempo uma hipótese de fuga e a sua impossibilidade: como uma "enfant sauvage", o seu desejo de liberdade esbarra nas fronteiras do seu espírito (e de resto, não estamos seguros de que a sua perturbação não tenha raiz, justamente, na sua clausura). É que as estradas de "Quaresma" têm todas um fim: ou acabam no alto da Serra da Estrela ou nas margens do mar do Norte.
A grande pergunta de todos os filmes de José Álvaro de Morais, mantém-se: que país é este, que agarra as pessoas com tanta força ao mesmo tempo que lhes dá vontade de fugir?»

Luís Miguel Oliveira, in dossier promocional para Festival de Cannes 2003

quarta-feira, março 23, 2005

orgasmos fingidos

O tema, orgasmos fingidos, tem barbas, mas só para alguns. Não nos podemos esquecer que até há bem pouco tempo, era pecado, sequer, falar nisso. Faz parte da nossa tradição, é uma questão cultural.

A curiosidade, e ainda bem, tem crescido ao longo dos tempos, no sentido de se decifrar este enigma. Porque é que as mulheres fingem os orgasmos? Porque têm de o fazer? Os homens já se habituaram a esta realidade, mas nunca se questionaram porque é que as mulheres o fazem. Felizmente, a nossa mentalidade tem crescido, tornando-se mais aberta a um tipo de questão tabu, como esta. Há tanta gente que não sabe o que é um orgasmo, ou se já sentiu algum. Como se manifesta. Como se faz. Como se aprende. Acredito, ainda, que nalgumas zonas do nosso país, e no seio de algumas camadas sociais não se sintam capazes a discutir e a querer saber do assunto. Em tempos que já lá vão, o prazer da mulher não era tema de conversa, quanto mais para se fazer no leito com o marido. Existia um único fim: o homem satisfazer-se.

Não querendo generalizar, a minha opinião, ainda, quanto a alguns homens de hoje é que ao tentarem minimizar o problema e para não se sentirem humilhados, fazem crer ao mundo que acreditam que as mulheres fingem, quando no fundo, eles próprios no acto sexual convencem-se a eles próprios e a elas que conseguem fazer vir qualquer mulher. De facto, supõem que têm esse poder e é suficiente para lhes dar prazer. Isso não basta. Ainda que o façam, a consumação ou o auge duma relação sexual, não se completa só por isso, quando ela ou ambos se vêm. Há questões mais importantes e determinantes para se atingir esse estádio: como a exploração da sensualidade, a exploração da voluptuosidade, a partilha do toque, do olhar, a ligação sensitiva que é tão importante e que não tem nada a ver com o orgasmo, pelo menos directamente. Onde é que está institucionalizado ou escrito que uma relação sexual deverá ter como desfecho o orgasmo? E até mesmo nesta matéria, torna-se difícil encontrar uma pessoa que nos complemente. Queremos sempre tudo.

Ou queremos cumplicidade ou compatibilidade à exploração do outro, com o outro.
Se não conseguimos essa envolvência queremos como prémio de consolação o orgasmo. Isso é válido, e acontece frequentemente. Tentamos filtrar e explorar o que o outro tem de bom ou de melhor. Nem sempre acontece. E é uma porra.

terça-feira, março 22, 2005

Quando....

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Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.


Álvaro de Campos

segunda-feira, março 21, 2005

Polivalência ou Versatilidade no Amor?


“De repente, num bar, numa festa, naquela praia, na fila do banco - não importa -, os olhos se encontram. Primeiro uma ansiedade, um calor no peito que logo se espalha em calafrios que procuramos disfarçar. Um leve suor nas mãos. No primeiro encontro, os lábios secam um pouco antes do primeiro beijo, ou não há sequer beijo, e as palavras tremem embaraçadas em pensamentos desordenados. Joelhos que, mal, sustentam o peso do corpo. Esquecemos o mundo lá fora em eternas horas de silenciosa saudade ao telefone, perfumadas com aquela inquietude própria dos amantes ... Desvarios comuns entre estranhos"

Percebamos um pouco este mecanismo. Ao sermos, inata e tendencialmente, polivalentes ou versáteis no serviço, aplicamos a mesma regra noutras áreas da nossa vida. Por outras palavras aprendemos a ser solícitos e zelosos na relação com os outros. Nas relações familiares, de amizade, de amor. Não será? Contudo, essa aplicabilidade no amor, revela-nos, quase sempre, subjectivas condicionantes, senão, importantes em detrimento à apreciação que fazemos dos outros. Como conhecer bem o outro e aplicar e bem essa polivalência que nos parece tão fácil e eficaz no serviço e que a utilizamos de uma forma despreocupada e livre. É o que somos e como funcionamos. No entanto, fora do contexto de trabalho é diferente, e tão mais difícil.

O exemplo acima descrito tem continuidade enquanto a paixão e a sedução perduram.

Logo, a polivalência no amor, é importante e quando a conseguimos manter, faz de nós vencedores e merecedores da nossa própria existência. E ao estimular o nosso saber, a noção que temos de nós próprios, torna-se mais nítida. A auto-consciência é essencial, e ao ser explícita aos outros, actua como uma identificação. A essa identificação está associada um cunho, que por vezes inflige nos outros, um esforço errado e em vão, ao tentar-se perceber o outro. A tarefa de desvendar esse cunho é sempre demorado e às vezes indecifrável. A polivalência neste caso, nem existe. O que quero dizer é cliché, mas é tão verdade: “Sejamos primeiro fiéis a nós próprios e depois aos outros. A confiança gera polivalência. E esta polivalência, de que falo, traz tantas conotações e sinónimos atrás. Não acham?

Polivalência é só para alguns - II (é fundamental)

O campeão, hoje, tem que ser polivalente. O conceito moderno de administração inclui a polivalência entre os requisitos básicos de um profissional bem-sucedido. Se quiser vencer, o profissional deve agregar valores e desenvolver o maior número possível de habilidades.
Ter a capacidade de acumular recursos e funções que o tornem apto a desenvolver uma série de actividades, em curto espaço de tempo e com os melhores resultados possíveis, não é para todos.
O perdedor, ao contrário, sempre reclama que estão lhe cobrando muitas tarefas.
Ter uma boa visão do seu presente, da sua realidade actual, daquilo que você já sabe fazer bem e daquilo de que precisa aprender. Estes são os primeiros passos para ganhar consistência, eficiência, velocidade e assertividade nos seus actos. Depois, é empenhar-se em somar aos seus conhecimentos aqueles que vê serem necessários para manter-se satisfeito com seu próprio desempenho, e continuar em sintonia com a velocidade exigida de um campeão. E cuidado para não confundir velocidade com corre-corre, que são sintomas opostos. O corre-corre reflecte apenas falta de planeamento, e muitas vezes não permite que a pessoa saboreie as pequenas vitórias quotidianas, que alimentam o sonho das grandes vitórias.

Enfim, a capacidade de ser polivalente e de usar o tempo de maneira versátil passou a ser fundamental para quem não quer abandonar os seus sonhos. Como diz Leonardo Boff: "A utopia é o que impede o absurdo de tomar conta da história". Por isso, seja polivalente e concretize os seus sonhos!

Polivalência é só para alguns


Pois. A polivalência no serviço é, mesmo, só para alguns. E não é cliché. É a nossa realidade. Os prejudicados, nesta matéria, descobrem - e ficam-se por aí, claro - que a remuneração é sempre mais escassa para aquilo que fazem. É óbvio que há excepções. Otherwise, nunca existiria a regra. Dever-se-ia criar uma cláusula nos contratos de trabalho ou afins, prevendo-se algumas tarefas extras ou incomuns, para evitar que a polivalência só calhasse aos outros. Normalmente são sempre os mais desgraçados, os mais disponíveis, os mais interessados em que as coisas funcionem e nunca os que estão preocupados em fazer só o que lhes compete. O que é afinal um trabalhador produtivo? Será correcto dizer que é só aquele que cumpre o seu horário e as tarefas que lhe estão inerentes?

A competência é validada pelo cumprimento do horário? Ou a dedicação e a responsabilidade estão inversamente proporcionais às competências, banindo completamente a polivalência. Poder-se-á dizer que um trabalhador que está mais preocupado em agradar ao chefe – o comum lambe-botas – é aquele que se dedica exclusivamente a ser polivalente sem olhar a horas extraordinárias, mesmo não sendo pagas ou reconhecidas. Ou abnegamos tudo isto e pensamos que, a palavra polivalência deixa de ter a conotação importante e pesada por si mesma, e assume a verdadeira leitura e consideração que ela deve ter. É preciso que as coisas funcionem. Então metamos mãos à obra e ponto final. Especulações e mais especulações.

Numa perspectiva mais abrangente e minha, os colegas dever-se-iam apoiar mutuamente no sentido de fazer funcionar a instituição ou o gabinete numa óptica de equipa única, e nunca à espera que o chefe repare mais neste ou naquele, porque um é que fez e o outro está sentado a ver. A responsabilização reside na consciência de cada um.

terça-feira, março 15, 2005

FENG SHUI

A propósito de técnicas para melhorar o nosso bem-estar geral. Tantas mais, há. Lembro o yoga, ou de algumas técnicas budistas, ou se, com alguma leitura sobre estas matérias, conseguiremos atingir alguma concentração e harmonia: vermo-nos por dentro e adquirirmos capacidade e criatividade para viajar à descoberta fantástica do nosso eu. O feng shui, é outra, tem uma vertente cósmica.
"harmonic environment around us".

O Feng Shui é a antiga arte chinesa de criar ambientes harmoniosos. Originou-se há cerca de 5.000 anos, nas planícies agrícolas da China Antiga. Seu desenvolvimento vem sendo desde então, aumentado e evoluído, chegando aos dias de hoje, como uma disciplina capaz de nos oferecer um sistema completo, liga-nos intimamente à natureza e ao Cósmico. Seus diagnósticos e resoluções são capazes de resolver quase todos os problemas envolvendo uma casa e as pessoas que moram nela. São adaptados ao moderno estilo de vida, nos levando a entender e compreender uma sabedoria muito profunda que nos ensina a "viver em harmonia com a natureza". Em outras palavras, o Feng Shui é uma antiga arte chinesa que visa a harmonizar os ambientes em que as pessoas vivem e trabalham.

Les principes fondamentaux

Par NGUYEN Ngoc-Rao

L'Univers, c'est l'oscillation des deux forces Yang et Yin, et leurs vicissitudes.
L'être humain fait corps avec l'Univers : c'est un microcosme au sein du Macrocosme.
L'Univers est en évolution permanente, et cette évolution se fait par cycles.

A tradução literal do termo Feng Shui é Vento-Água. Mas significa muito mais que isso. Os chineses dizem que essa arte é como o vento que não se pode entender, e como a água, que não se pode agarrar. E também é o vento que traz a água das chuvas para nutrir tudo o que está em baixo.

Suas teorias são baseadas no pensamento máximo chinês, o I Ching, juntamente com as leis do yin yang e cinco elementos - vitais em toda a cultura chinesa. Portanto, para se estudar mais profundamente o Feng Shui, deve-se ter em mente, que um estudo aprimorado e profundo dos 64 hexagramas do I Ching se faz necessário, e também as leis do yin yang, os opostos complementares, e os cinco elementos e seus relacionamentos. Toda esse estudo visa o entendimento do modo chinês de ver e entender o mundo e o universo, com seus relacionamentos e eternos ciclos de mudança. Lembre-se sempre: "Mudança é a Lei da Vida".

Devemos sempre ter em mente que o I Ching é um intermediário entre o nosso "EU" interior, o nosso inconsciente, nosso Mestre Interior e o ambiente; dessa forma, nós o utilizamos para obter as respostas que temos dentro de nós.

A energia Chi (também referida como Sopro Cósmico, ou a respiração do dragão). Não devemos confundir e dizer que a tradução para Chi é energia. Chi é muito mais que energia.

Em Feng Shui, existem dois tipos de Chi: o Sheng Chi (Chi benéfico), e o Sha Chi (Chi maléfico). Podemos relacionar todas as coisas como possuindo um Sheng Chi ou Sha Chi. A frase "sem Chi, sem vida" é essencial no entendimento das forças dinâmicas do vento e da água.

quarta-feira, março 09, 2005


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Geni e o Zepelim
Chico Buarque, 1977-1978
Para a peça "Ópera do malandro"

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo "mudei de idéia"
"Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniqidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Essa noite me servir"
Essa dama era Geni
Mas não pode se Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela-e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos,
O bispo com olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos,
Tão sinceros, tão sentidos,
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

segunda-feira, março 07, 2005

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Ela pula e acelera,
é a menina que galga e enlaça.
Inventa, contagia.
E põe-se a pintar rebelde qualquer pedra na areia
Com seus jeitos cabriolas,
Diz ao fascínio que desperte terno
Num dia de chuva, e chilreia ao riso
Como se, de um dia de festa se tratasse.
Sendo quão ventura.
Brinca, ri com tal frenesim
Que pede às crianças: “sejam crianças”!

Dia Internacional da Mulher - 8 de Março

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Poemas para todas as mulheres

No teu branco seio eu choro.
Minhas lágrimas descem pelo teu ventre
E se embebedam do perfume do teu sexo.
Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado
Confuso, criança para te conter!
Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza não!
Ah, não abandones a tua boca à minha inocência, não!
Homem sou belo
Macho sou forte, poeta sou altíssimo
E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.
Ai! teus cabelos reacendem à flor da murta
Melhor seria morrer ou ver-te morta
E nunca, nunca poder te tocar!
Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços
Anjo, sinto o calor do vento nas espumas
Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos...
Correi, correi, ó lágrimas saudosas
Afogai-me, tirai-me deste tempo
Levai-me para o campo das estrelas
Entregai-me depressa à lua cheia
Dai-me o poder vagaroso do soneto, dai-me a iluminação das odes, dai-me o cântico dos cânticos
Que eu não posso mais, ai!
Que esta mulher me devora!
Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha quero o colo de Nossa Senhora!

Vinicius de Moraes

Mulher

"São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão principalmente,
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que actua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."

Vinicius de Moraes

quinta-feira, março 03, 2005

sonhos e refúgios

"Oh, quem me dera não sonhar mais nunca.
Nada ter de tristeza nem saudades
Ser apenas Moraes sem ser Vinícius!
Ah, pudesse eu jamais, me levantando
Espiar a janela sem paisagem.
O céu sem tempo e o tempo sem memória!
Que hei de fazer de mim que sofro tudo
Anjo e demónio, angústias e alegrias
Que peco contra mim e contra Deus!
Às vezes me parece que me olhando
Ele dirá, do seu celeste abrigo:
Fui cruel por demais com esse menino..."

Vinicius de Moraes

Paixões (II)

Quem pretende destruir as paixões, em vez de as regular, quer fingir-se inocente.

Voltaire

Paixões (I)

Mau grado o que dizem os moralistas, o entendimento humano deve muito às paixões, que, de comum acordo, também lhe devem muito: é pela sua actividade que a nossa razão se aperfeiçoa; só procuramos conhecer porque desejamos gozar; e não é possível conceber porque aquele que não tivesse desejos nem temores se desse ao trabalho de raciocinar. As paixões, por sua vez, originam-se a partir das nossas necessidades, e o seu progresso dos nossos conhecimentos; porque só podemos desejar ou temer coisas segundo as ideias que temos delas, ou pelo simples impulso da natureza; e o homem selvagem, privado de toda a sorte de luzes, só experimenta as paixões dessa última espécie; os únicos bens que conhece no universo são a sua nutrição, uma fêmea e o repouso; os únicos males que teme são a dor e a fome. Digo a dor, e não a morte; porque jamais o animal saberá o que é morrer; e o conhecimento da morte e dos seus terrores foi uma das primeiras aquisições que o homem fez afastando-se da condição animal.

Jean-Jacques Rousseau

quarta-feira, março 02, 2005

Paixões



O que é que nos define? São as nossas paixões. O problema é que não queremos definir nada e somos todos tão diferentes, que definir, e dar um fim, não faz sentido.
Não é o que somos e o que fazemos mas o que podemos ser e fazer.

Antes disso, tenho-me a mim, tenho o que eu sou e o que eu posso ser. E, sem ajuda, eu amo. Tenho o amor em mim. Amo os animais, amo a minha terra, amo o mar, amo o alentejo, amo a minha avó. Assim como Narciso se ama a si mesmo. O Monstro pode amar a Bela. Pedro pôde amar Inês. Amor retribuído. Amor materno. Amor de um homem. Amor de uma mulher. Amor de um Deus. Amor-próprio. Amor sofrido. Amor secreto. Amor platónico. Amor. Amores.

O amor e a paixão estão-nos nas entranhas. Tal como o medo. O pânico comprime o estômago, assim como O amor esmaga o peito e estoira com a cabeça. Nas vísceras estão o bem e o mal e o amor em tudo crê e tudo aceita, o alvo e o sujo.

Somos empurrados pelo que rasga a pele e abana a alma. Qual coração e qual aura. Paixão é amor a ferver. E o que ferve tem de saltar. E quando saltamos e amamos, somos humanos.
Não é por se ser inteligente ou por se ter muitas coisas, ou por se ser independente ou por ser moderno que nos definimos.
Sou livre para saltar, abandonar tudo, abandonar o eu construído e regressar ao eu ciente.
A paixão e o amor são os portadores supremos e únicos do auto–conhecimento, que nesse ponto, até já esquecemos. “Ama e faz o que quiseres”, porque só aí podes mesmo fazer o que queres.

E conseguir fazer qualquer coisa de bom antes de morrer é a única razão que justifica isto ser um cliché - termos nascido.

TU

Vai e esquece-te... vês aquele caminho ali adiante? Vai por lá e molha os pés no orvalho.
Que as dúvidas te sejam breves e a brisa te apure a visão... e então olha e vai até onde ninguém te conheça. Aí podes correr contra as palavras que te perseguem de cima...
Repara que a neblina por mais densa, nada é mais que o vapor que sai da chaminé do teu conhecimento, onde por fim acabas por regressar, quase sempre...
As ervas que pisas, são troncos outrora cortados p'los que te apupam e te negam o sorriso- vês como és superior? Vês como flutuas sobre os craneos daqueles que, cabisbaixos evitam o sol que encaras de frente?

Vai e enche o peito com o azul que te envolve e do qual fazes parte.
Vês como o teu sorriso brilha na penumbra mediocre dos inquéritos e dos referendos?
Vês como és verdade?

joining

è com enorme gosto que passo a fazer parte do teu blog... obrigado p'lo convite!!

Bloguemos, então!!!

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

intimidade


Intimidade do silêncio

Reclamo por interpretações desgastas,
Murmuro em estranhezas que me moldam esquiva,
enfraqueço com leituras e códigos desconfiados,
e afigura-se alguma razão em cortejar sinais,
e símbolos que se afeiçoam a desconforto e trivialidades.

O silêncio não existe,
Mas o trajecto a caminho dele, sim.
A intimidade do silêncio.

A cumplicidade não existe, conquista-se.
Senão, quem és tu? Acho que nunca te vi
Existes, só, para lá do meu conceito,
Da minha vontade.
E todos os dias, abres mais, uma fresta
E não te encontro
Peço ao vento que te traga,
Peço à sorte que te fale,
Peço ao imprevisto que te adule,
Peço à poetisa que te declame;
E depreender e enrolar-me, na tua essência,
Na tua íntima fracção
E olhar-te na confortável insuficiente capacidade e ficar sublime
Ao perceber a tua beleza,
A intimidade do silêncio.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Feira da Ladra vista por Sérgio Godinho

É terça-feira
E a Feira da Ladra
Abre hoje às cinco
Da madrugada

E a rapariga
Desce a escada quatro a quatro
Vai vender mágoas
Ao desbarato

Vai vender
Juras falsas
Amargura
Ilusões
Trapos e cacos
E contradições

É terça-feira
E das cinzas talvez
Amanhã que é quarta-feira
Haja fogo outra vez

O coração
É incapaz
De dizer "Tanto faz"
Parte para a guerra
Com os olhos na paz

É terça-feira
E a Feira da Ladra
Quase transborda
De abarrotada

E a rapariga
Vende tudo o que trazia
Troca a tristeza
Pela alegria

E todos querem regateiam
Amarguras
Ilusões
Trapos e cacos e contradições
É terça-feira
E a Feira da Ladra
Fica em fim quieta
E abandonada
E a rapariga
Deixou no chão um lamento
Que se ergue e gira
E roda com o vento
E rodopia e navega
E joga à cabra-cega
É de todos nós
E a ninguém se entrega

Música e letra de Sérgio Godinho

Por onde andei....II

Quem não se recorda de se levantar de madrugada aos sábados e ir pela fresquinha até à feira da ladra para vender peças de roupa velha, livros que nos vão enchendo a casa com o passar dos anos, o nostálgico vinil que nos dá jeito feirar para se arranjar uns trocos, alguns sapatos e botas que passaram de moda, velharias que ocupam espaço lá em casa. Lembram-se do ritual? Pintávamos a manta e como nos divertíamos. E fazíamos dinheiro.
A convivência e o companheirismo que se criava com os restantes vendedores eram extraordinários.
Uma feira, muitas vidas, muitas histórias! Esta é uma das mais antigas feiras lisboetas. Uma feira com uma indiscutível variedade de objectos e pessoas, esta é uma das mais típicas feiras de Lisboa, e talvez quem sabe de Portugal.
A Feira da Ladra existe há 900 anos. Em 1185 começou por se chamar Mercado Franco de Lisboa, depois "Chão da Feira" e só por último Feira da Ladra. Também já foi chamada de "Feira das Almas", dado que a Feira tinha o seu ínicio ainda de noite, sendo então necessário acender velas para iluminar as bancadas. Essa luz produzia um ambiente tão fúnebre, que as pessoas diziam que por ali andavam almas do outro mundo. Ainda hoje a tradição se cumpre, a Feira da Ladra começa realmente cedo. Actualmente os vendedores são ligeiramente diferentes dos de antigamente, na altura as pessoas aprontavam-se para irem à Feira, pois era um local onde só se via gente bonita e bem vestida. Actualmente, a feira é frequentada por todo o tipo de pessoas, jovens que procuram roupa fora do comum, CDs de música ao desbarato, e, com o pouco dinheiro que têm, podem comprar variadíssimas coisas. Pessoas de diferentes idades frequentam a Feira indo à procura de peças para reparar outros objectos e por vezes Lp's antigos .

Por onde andei....



Freguesia de Santo Estevão, a visitar.


Começa-se pela igreja que está fechada há anos, pelo que vi, vandalizada nem sei por quem. Dá pena. No largo da igreja há um miradouro lindissimo com vista para o Tejo. Passei lá grande parte da minha infância. Todos os dias de manhã saía com a minha avó que trabalhava como mulher a dias numa casa na Costa do Castelo - tudo ali perto, a jeito - ela deixava-me na escola e a seguir ao almoço, aliás, almoçava já numa cantina anexa à igreja e as tardes eram preenchidas com actividades extra-curriculares. Na altura, acho que não se chamava isso. Portanto aminha infância foi entre as escolas gerais e a rua e igreja de santo estevão. Ah, o chafariz de dentro...


O Santo que deu nome à Freguesia
Reza a história que Santo Estêvão era um diácono judeu, que falava grego e foi considerado o primeiro mártir cristão. Ficou conhecido pela sua forte personalidade, conhecimento e eloquência, razões que levaram os apóstolos a confiarem-lhe a distribuição das esmolas aos fiéis.
A capacidade de pregador de Santo Estêvão motivou grande aposição e até alguma hostilidade, acabando por ser diversas vezes denunciado à assembleia de judeus, também conhecida por Sinédrio. Apesar das explicações e justificações, foi denunciado como blasfemo, levado para fora da cidade e apedrejado até à morte. O Santo Estêvão, que dá nome à Freguesia, é festejado no dia 26 de Dezembro
.


Chafariz de Dentro
O Chafariz ou Fonte dos Cavalos ou de Dentro é uma nascente muito antiga e a referência mais antiga que se conhece data do ano de 1285. Este símbolo arquitectónico do bairro foi também denominado noutros tempos de Fonte ou Chafariz de Alfama. Numa das suas crónicas, Fernão Lopes esclarece que as bicas deste chafariz – que os castelhanos quiseram levar como memória depois do saque à cidade em 1373 – tinham o feitio de cabeças de cavalos em bronze.
Há ainda várias referências histórias que apontam para que debaixo do chafariz existisse um lago. De facto, encontram-se no local duas casas de água, cada uma como a sua nascente. Uma é a do Chafariz de Dentro, onde está uma arca de água, a outra é a do tanque das lavadeiras, no Beco do Mexia.

Alfama e os seus becos








Alfama ao longo dos tempos

Os primeiros vestígios em Alfama são de uma ocupação Romana, que terá definido a primeira organização do espaço urbano. Os romanos chegaram a Olisipo no século II a.c. e a sua ocupação manteve-se até ao declínio do Império, em meados do século V d. c. Durante a sua estadia, aproveitaram a característica naturais do espaço, como a abundância de água, para construir equipamentos colectivos como banhos e balneários.
Nessa altura, Alfama estava inserida numa parte da cidade que assumia um papel estruturante e servia de acesso às chamadas vilaes . A Rua de São Pedro, que se estende pelo Largo do Chafariz de Dentro e pela Rua dos Remédios é um dos exemplos dessa importância.
No século VIII chegam a Olissibona os árabes, atribuindo-lhe o nome de Lixbuna, que mais tarde – aquando da reconquista cristã – derivou para Lisboa. Esta foi a civilização que mais marcas deixou na malha urbana de Alfama. As ruas largas dão lugar a ruas estreitas e não nos podemos esquecer que foram os árabes que atribuíram o nome a Alfama, lugar com abundância de água.
Em 1147 D. Afonso Henriques conquista Lisboa. Alfama manteve a sua estrutura e era agora um local conhecido por albergar os delinquentes e os menos afortunados. A cidade expande-se então para Norte e Oeste e Alfama, por se situar junto ao rio, começa a servir de alojamento a muitos marinheiros. Devido à sua falta de espaço, o bairro começa a crescer em altura .
Já no século XIX, Alfama era um local destinado à demolição. Contudo, alguns anos mais tarde, assume um papel histórico-cultural relevante e começa a ser vista como um ponto importante na cidade de Lisboa. Até hoje... E ainda bem.


http://www.jf-santoestevao.pt/

http://www.esec-filipa-lencastre.rcts.pt/jornal/ed3/ed3p16.htm

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Ainda Leomil




Leomil e a Picota




Leomil, para quem não sabe, já se chamou Serra da Nave, ou Lobagueira.

Hoje é, Vila de Leomil e cheia de encanto e ternura beirã. Belos sítios recônditos se encontram, por lá e, tantas e tantas estórias de meninice, têm para contar. Vivem no tempo e permanecem à vista das paisagens, riachos, ruelas ínfimas cheias de varandas com sardinheiras e amores-perfeitos. Só visto. A Capela rodeada de casas em granito. O Pelouro com uma fonte onde se pode bebericar alguma água. À sua chegada encontra-se o Largo com o seu coreto tão bem esboçado. E a Picota que já brincou com tanta criança. A Igreja que dá à vilinha o seu cunho cristão e beirão. A poesia vagueia por lá. Podem crer que sim.

Pertence ao concelho de Moimenta da Beira do Distrito de Viseu e localiza-se na região da Beira, mais precisamente, numa região denominada de "Planaltos Centrais".
O seu clima é fabuloso principalmente no Verão, os meses prolongam-se de Maio a Setembro, e chegam a atingir temperaturas superiores a 25ºc.
De uma forma geral, ocorre maior precipitação em Fevereiro e menor em Agosto.
O clima é bastante pluvioso com precipitações anuais médias que variam entre os 800 mm e os 1400 mm. A ocorrência de nevoeiros não é significativa, mas acontece regularmente ao longo do ano, geralmente nos meses de Janeiro e Dezembro.
As geadas são mais frequentes. No que respeita à humidade, as primeiras horas da manhã, com valores elevados.
Rica de passado histórico, tem abundantes fontes históricas espalhadas por diversos arquivos do país, não tivesse sido ela, sede de um dos mais célebres coutos medievais portugueses, e vastíssimo concelho extinto em 1855.

Esta graciosa Serra entre os Rios Paiva e Távora e pertence ao Maciço Galaico-Duriense. O seu ponto mais alto atinge os 1011 metros de altitude. É formada por ondulações com uma vegetação onde é visível o pinheiro, a giesta, a urze, o rosmaninho, o sargaço e é muito agradável subir ao ponto mais alto da Serra, uma vez que se nos depara a grandiosidade e beleza da paisagem que se alonga em todos os sentidos até aos Vales do Tedo, Paiva e Távora, até às cristas das serranias que se avolumam lá ao longe, como é o caso das Serras do Marão, da Estrela, do Caramulo e Montemuro.

Leomil ressuma as idades da terra e os jeitos de civilizações primitivas e clássicas, visíveis nos dólmens, restos de estradas romanas, cruzes e alminhas, fundações de castros e de mourarias, pedras de cunhais, portas, eirados, cornijas de antigas casas e capelas, palavras e nomes celtas, romanos, godos, árabes, recordações do oriente, do levante, da Europa Central, do Norte de África, tudo se encova e rescende nas chãs e lombas de Leomil desde os ritos duídicos às eras da Cristandade, evocando pantaismos e mitologias, gestos bizantinos, românicos, góticos, renascentistas e barrocos, fundidos no ar, no silêncio das cumiadas e no espraiado colorido das veigas em que corriscam como estrelas, as àguas do regadio.


Existe outra vila com o mesmo nome e que pertence ao concelho de Almeida

FLOYD...TO BUDAH




Wish You Were Here
Composição: Roger Waters

So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skys from pain.
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here.


...uma das minhas favoritas

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

E o poder do chocolate







...Não nos esqueçamos do poder do chocolate. Ele é feito das sementes da árvore do cacau.

Chocolate is made from the seeds of the tree Theobroma cacao. Theobroma is Greek for 'food of the gods'. The ancient Aztecs venerated the cacao tree and used its beans as a form of currency. They saw the tree as a source of strength and wealth and assigned their god Quetzalcoatl its guardian.

Ide só ver as curiosidades e potencialidades que o chocolate tem.
http://www.bbc.co.uk/science/hottopics/chocolate/index.shtml

Assim como a história da semente, do cacau. Deveras interessante.
http://www.bibvirt.futuro.usp.br/especiais/frutasnobrasil/cacau.html

Misturas e comezainas

Existem algumas frases - clichés - que ouvimos da nossa boca e dos outros, em contextos completamente diferentes. Contudo, alguns têm fundamento.

... Nós somos o que comemos.
... A forma como comemos, assemelha-se à forma como praticamos sexo.

Por exemplo, a comida e o sexo estão, obrigatoriamente, interligados. Todos nós sabemos isso. A forma, a abordagem, o ambiente, o sentido de liberdade, a auto-revelação, o ritual de saboreamento, as feições ou jeitos e até prazeres em "comer". Tantas vezes nos acontece dizermos que aquele manjar nos deleitou de forma e maneira, que nem nos ocorre que a comida nos pode provocar orgasmos. Mas é verdade. A sensibilidade começa e é muito importante, se conseguirmos concretizar essa ideia.


Da maçã proibida que expulsou Adão e Eva do Paraíso, passando pela maçã irresistível que adormeceu Branca de Neve, até aos saborosos cachos de uvas usados por Jack, o Estripador, para conquistar as suas vítimas, muitos alimentos são personagens principais nas histórias de conquistas e sedução. Isto sem falar nos banquetes servidos por Cleópatra aos homens que pretendia seduzir politicamente e nas orgias realizadas nos grandes banquetes das cortes européias, como a de Luis XIV, o Rei Sol, que misturava negócios e prazeres íntimos entre os pratos servidos.

A Afrodite, um dos livros de Isabel Allende fala disso. Afrodite, na mitologia grega, era a deusa da beleza e da paixão sexual. Digamos que o livro é ... afrodisíaco? trata de qualquer substância ou actividade que desperta o desejo amoroso. Será que existem mesmo alimentos afrodisíacos? Ou talvez o simples facto de se saborear uma refeição gostosa já tem em si uma carga tão grande de prazer que nos faz atingir o êxtase?


“Como definir um afrodisíaco? Digamos que se trata de qualquer substância ou atividade que desperta o desejo amoroso” “Afrodite” de Isabel Allende

“Os afrodisíacos são uma ponte entre a gula e a luxúria”.

Outro livro que desperta o desejo sexual é "Como Água para Chocolate”, de Laura Esquível.
Desejo sexual, cheiro de cravo e canela e filmes de dar água na boca.

Privadas de voz ativa e de prazer sexual, no passado, era na cozinha que as mulheres depositavam seus desejos e frustrações como a Tita (Lumi Cavazos) do filme “Como Água para Chocolate”. O movimento feminista afastou as mulheres da cozinha e aproximou-as do sexo sem culpa e do sucesso profissional.

Hoje, as mulheres voltam a ocupar seu lugar atrás dos fogões (compare a Tita com a independente personagem de Juliette Binoche, no filme “Chocolate”), perderam o medo de buscar o prazer, seja na cozinha ou na vida profissional, e colocaram o seu poder de sedução em prática. A mulher de hoje descobriu que pode ser independente sem perder sua sedução e que neste sentido, a paixão pela cozinha pode até ajudar, como é o caso da Isabella (personagem de Penélope Cruz) em “Sabor da Paixão”.

...doce alentejo





... quase Vila de Panóias





Quem se lembraria de botar este nome a uma aldeia, que é - note-se - quase vila.
Panóias, freguesia de Ourique, concelho de Beja. Um cantinho pitoresco e pachorrento, como se quer em qualquer aldeia alentejana. População: 634 habitantes com uma área de 11.035 hectares. Habitação: casas baixinhas com predominância de azul e amarelo. Apesar de pequena, é asseada e acolhedoramente caprichosa.
Um cantinho de Portugal que, ainda, se mantém bem cuidado pelos locatários e que primam pela simpatia. Hoje, quem a visita sente-se acolhido e é um local onde se respira hospitalidade e amizade.

A minha avó Clotilde nasceu nesta aldeia. O meu pai e os meus bisavôs, enfim, grande parte da família de meu pai nasceu e viveu lá, durante muitos anos. Noutros tempos, era difícil. Uma família de poucas posses. Os meus bisavôs passaram por muitas provações. Conta a minha avó, que suportaram fome e frio. Os pais dela trabalhavam de sol a sol, juntamente com os seus seis filhos para terem que comer e que vestir. Viviam do campo e do que a natureza produzia. Tinham um quintal onde cultivam batata, feijão, cenoura, alface, couves, nabos. Também havia pouca carne. E a que havia, nem se lhe podia chegar, pois era excessivamente cara. O dinheiro não chegava para tudo. O meu bisavô e avô, viviam de cortar cabelos. O meu pai aprendera o ofício, tal-qualmente lá. E toda a sua vida, fora barbeiro.

Ao lado da casa havia um quintal, onde o meu bisavô construíra um pequeno anexo. Nesse anexo, existia um forno. Onde faziam o seu próprio pão. Começaram por vender para fora. Bolinhos e outros biscoitos faziam parte do preçário. E esse costume e ofício acompanhou a minha avó, durante largos anos. Se bem que, hoje em dia, lhe falte as forças, ainda faz os tradicionais folares a saber a erva-doce pela Páscoa e as tão deliciosas filhoses pelo Natal e pelo Carnaval. Tradição da sua terra.
Todos os anos, sem excepção, me pede para ir visitar a sua aldeia. Começa a ter necessidade em contemplar lugares, de recordar pessoas que já faleceram, de confidenciar coisas que lhe aconteceram. E é extraordinária, a sua lucidez. Conta sempre estórias novas, nunca ou quase, nunca repetidas. Uma excelente companhia. Não deixa de ser uma grande referência na minha vida. A minha estrela da sorte.

Passei alguns verões, quando andava na escola e tinha aquelas big-férias de três meses. Todos tínhamos. Portanto, as recordações que tenho são as melhores. As únicas referências que encontrei a esta aldeia, são fotografias da Escola Básica que existe e pouco mais, e é pena. Recolhi algumas fotografias.
Na busca que fiz no google, encontrei outra vila com o mesmo nome, mas em Vila Real, Trás-os-Montes.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Senso



Arredas e crias espaço, naquela região, onde te não consigo ver.
De mim não sei, brevemente te perco.
Ou foges de mim, tento compreender e é tarde.
A noite não tarda a cair e, atas as amarras do meu semblante.
Já não te consigo ver.
Deixa-me ir contigo, nem que me cegues com a luz que emanas.
Mas deixa-me ir. Não sei viver com a minha penumbra.
Se te sentir a meu lado, bastar-me-á, para ser feliz.
Já não te consigo ver.
Deixa-me ficar só com a imagem que me viciava,
Resta-me o teu cheiro e os contentos.
Entretenho-me num esboço dos teus limites,
Quando me extasiavas os declives e,
tornavas devassa, a planície de meu corpo.
Deixa-me esse espaço. Ou então deixa-me ir contigo.

animação por Vasco Granja



... Posso estar com um ataque saudosista. E porque não? E sabiam disto?

Ele é uma figura para recordarmos, e incontornável na animação portuguesa. O homem que nos trouxe a pluralidade desta arte, mostrando obras que iam desde o Canadá até à Checoslováquia, quando o Leste ainda estava fechado por uma cortina. Uma vida rica que começou em 1925, cinquenta anos antes de surgir na RTP. A sua relação com os movimentos de oposição ao Estado Novo e ao Partido Comunista Português valeram-lhe duas prisões pela PIDE, mas nem por isso deixou de estar presente no primeiro festival mundial de Animação, em Annecy, França, nos anos 60.

Em 1974 inaugurou um novo programa na televisão, "Cinema de Animação", que duraria 16 anos. Foram mais de mil programas em que mostrou de tudo um pouco, desde a animação norte-americana, canadiana e europeia até aos países de Leste. Logo em 1975 concebeu um curso de Cinema de Animação, do qual germinaria a Associação Portuguesa de Cinema de Animação. E durante tantos anos, nos deliciámos com a animação do Granja.

E diz-se que é o pai da pantera cor de rosa, que não utilizava vozes.

Trabalhou também em publicidade. O seu primeiro contacto com a publicidade foi nos Armazéns do Chiado, que consistia em fazer os cartazes para as montras. Os Armazéns tinham muitas montras, e ele tinha que pintar os cartazes, fazer os anúncios de saldos para a imprensa, quando havia novidades, tecidos novos. Foi quando passou a ocupar-se da secção de publicidade.

http://www.amordeperdicao.pt/especiais_solo.asp?artigoid=117

http://www.amordeperdicao.pt/especiais_solo.asp?artigoid=122

Algumas curiosidades na vida de Vasco Granja

...ainda pipi das meias altas

A propósito de Astrid Lindgren
http://www.instituto-camoes.pt/escritores/saramago/contentotodos.htm

" Este ano, porém, nem sequer a amarga realidade de só nove mulheres terem sido distinguidas com o Nobel de Literatura durante a já longa história do Prémio (entregue desde 1901), deu azo a que se ouvisse o mais brando protesto contra o laureado luso. Milagre? Sem dúvida, porque há dez anos que existe na Suécia uma forte candidata a ele - a escritora de literatura infantil Astrid Lindgren, mundialmente conhecida pela sua Pipi das meias altas e muitas outras obras que deliciam a miudagem do mundo privilegiado onde a criança tem acesso a livros. Com os seus belos 90 anos, é caso para admitir que Astrid Lindgren, tal como o nosso idioma, tenha de esperar também o seu seculosinho para auferir a distinção que agora coube a um escritor de língua portuguesa. "

...a sueca das meias altas



....falam falam, mas não os vejo a fazer nada. Não é o gato fedorento, não. Queixam-se que a televisão, de uma forma geral, só dá porcaria. Perdeu a qualidade, salvo rara excepção. Existem programas didácticos e alguns interessantes, se pararmos pelo canal 2. Mas quem é que se preocupa em ver - estar atento - e transmitir essa cultura, também, aos mais pequenos. Muito pouca gente. Pois, eu acredito que tem a ver com a cultura de cada um. Que se pode cultivar. É só existir um pouco de cuidado e de incentivo. A nossa formação começa e é desenvolvida, de muito pequeno, nos e pelos nossos pais. Nos desenhos animados é a mesma coisa. Experimentem perder um tempinho e correrem os canais, inclusivamente, os da TV Cabo e é só violência, sangue, sexo. Os ingredientes corrosivos e caústicos que servem de base à formação dos futuros jovens. Claro que temos sempre o canal 2 que, de alguma forma pequena, não de todo suficiente, colmata essas falhas. De resto, é tudo porcaria dispensável mas que eles retêm. E utilizam-na no dia a dia. O mais grave, quanto a mim.
Na época de 50/60 existiam outros desenhos animados menos violentos e pelo menos, mais educativos. A pipi das meias altas marcou a minha época. Mas quem não se lembra dela. Na altura enchia os écrans e a nossa cabeça, com outro tipo de valores que deixaram de viver connosco. Provavelmente, as crianças ou os adolescentes de hoje, dir-me-iam que é uma treta. Mas a questão aqui, não foi só relembrar a época, na qual existiam projectos de programas instrutivos, assim como os desenhos animados tinham como finalidade; construir a cabeça das crianças de uma forma mais construtiva e não tão destrutiva, como hoje acontece, para eles e para os que os rodeiam.
IUPI IUPI!!! pipi

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Luís Sepúlveda

Um dos meus escritores preferidos, não podia deixar de ser referenciado neste blog. Estou a falar de Luís Sepúlveda com livros tão bons e ilustremente expressivos. Comecei a reler um livro que, por acaso, está comigo e não é meu. As rosas de atacama. São histórias marginais, como ele lhe chama. São estórias soltas de pessoas que conheceu ou de situações ou lugares que vivenciou. Logo, na primeira estória "historias marginais" ele fala do sofrimento e das atrocidades cometidas em Bergen Belsen. Num de tantos campos de concentração onde foram vítimas, tantas e tantas pessoas, sob a ditadura de Hitler.
Sepúlveda esteve nesse campo. Visitou os fornos crematórios e esteve em camaratas onde lhe parecia cheirar, ainda, a morte. Tantos anos depois.
Faz menção ao caso de Anne Frank, e ao seu diário, que se tornou tão conhecido. http://www.starnews2001.com.br/anne-frank/anne-frank.html.

Todavia, morreu muita gente que não se tornou conhecida. Já dizia Goebbels: ... que as mortes eram uma simples estatística! Sepúlveda, aquando da sua visita a este campo deparou-se com uma inscrição gravada, provavelmente, com uma faca, ou com um pau onde dizia o seguinte: "Estive aqui e ninguém contará a minha história" - ele relata, como sendo uma das situações que mais o impressionou.
Aconselho a conhecer a obra impressionável de Sepúlveda.

Arthur Miller

http://www.pbs.org/wnet/americanmasters/database/miller_a.html

Morreu aos 89 anos um dos dramaturgos americanos mais notáveis dos últimos 50 anos, Arthur Miller. Nunca li nada sobre ele. Só sei o que ouvi nas noticias. Foi casado com a Marilyn Monroe de 1956 a 1961. E que sofria de cancro, pneumonia e problemas cardíacos. E que uma das peças mais famosas, A Morte de um caixeiro viajante, foi encenada no Brasil. Outra tão ou mais importante dado a intenção para a qual foi criada : As bruxas de Salém. Parece que terá sido escrita em resposta ao senador McCarthy e à cruzada que o Comité de Actividades Anti-americanas do Congresso realizou contra simpatizantes do comunismo.
Na altura do 11 de Setembro, também se mostrou preocupado com as medidas de emergência adoptadas pelos Estados Unidos. Uma vez que, a legislação adoptada previa que os não-americanos acusados de ajudar o que os Estados Unidos consideram "terroristas inimigos do país" poderiam ser julgados em tribunais militares.
Em entrevista à BBC na época, Miller disse que temia a erosão dos direitos civis nos Estados Unidos. Pensava-se e parecia que o governo americano "estava a aproveitar-se" da situação para aumentar o seu poder sobre o indivíduo. That´s all folks!!! À boa maneira americana

Perto demais...

Fui ver o fds passado o filme CLOSER. A primeira impressão foi estranha e esquisita. Nem sabiamos bem o que pensar do filme. Quais as conclusões. Quais as ilacções a extrair. Bom, o que é facto, é que falámos um pouco sobre ele e, não conseguimos chegar a lado nenhum. A única palavra comum que nos saía da boca: relações. Sim, o filme era sobre relações, mas o mais interessante, e que não me tinha apercebido, é existir nele um grande paralelismo com a actualidade. As relações, hoje em dia, são mesmo estranhas e complicadas. Passamos o tempo a deslumbramo-nos com alguém que pensamos ser o tal. Logo a seguir, vem o desencantamento, a decepção. Ou conhecemos outra pessoa e pensamos, que afinal é aquele, o tal, e não o outro. Apaixonamo-nos e desapaixonamo-nos com muita facilidade. Andamos à procura do impossível. Da perfeição. Do que não existe. E nem sequer lutamos pela possibilidade da perfeição. Como é possivel dizer-se a alguém "Amo-te" se, a seguir nos encantamos com outra pessoa. Não se faz cedências. Não há tolerância. Não há, acima de tudo, respeito e verdade nas relações. Não pode ser amor. Aliás, o filme não vem relevar novidade. Confirma o nosso egoismo, narcisismo e a preocupação de cada "eu" ser feliz. E mais nada.
Existe primeiro, um grande auto-desrespeito e desrespeito entre casais, onde a verdade e a cumplicidade são completamente estranhas. Desculpem-me a expressão: Andamos a passar o tempo, uns com os outros e de mão em mão.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Já é tarde .... mas



... para se fazer homenagem às vítimas do Holocausto, jamais: Treblinka....Birkenau.....Auschwitz
Não quis deixar passar em branco, a nota mencionada no Público, após 60 anos.

http://dossiers.publico.pt/dossier.asp?id=1383

http://dossiers.publico.pt/shownews.asp?id=1214254&idCanal=1383

Para a esquerda os que vão morrer, para a direita os que estão aptos a trabalhar

"Ainda trazem as suas roupas vestidas, algumas mulheres seguram sacos nas mãos. São judeus húngaros acabados de chegar. Era o final da Primavera de 1944. A grande maioria deles não viveria mais do que algumas horas depois do momento em que um oficial das SS tirou esta foto."

"Era naquele cais que a vida e a morte se decidiam, com um gesto rápido de um dos oficiais nazis. Para a esquerda iam os que iriam morrer naquele mesmo dia, geralmente os mais velhos, as mulheres, as crianças, os doentes. E para a direita os que ainda estavam aptos a trabalhar. Para estes a esperança de vida era de alguns meses".

Relíquias esquecidas ou pouco lembradas



http://www.ancruzeiros.pt/anclfarois.html

http://dn.sapo.pt/2005/01/16/artes/a_arquitectura_farois_portugueses.html

Em conversa com uma amiga, deparei com uns depliants que ela tinha na secretária sobre faróis portugueses. Ela está a fazer uma colecção para o pai que sai num jornal diário, creio eu - não me lembro do nome - e , senti curiosidade, seria bom ler alguma coisa, sobre.

Sabiam que em Portugal, o primeiro farol acendeu-se na Torre do Convento de São Francisco, no Cabo de São Vicente, perto de Sagres, em 1520. Só no continente existem 13 faróis.

As ilhas da madeira e dos Açores começaram a ser alvo de atenção apenas em 1870, com a construção do farol da ponta de São Lourenço, na Madeira, seguindo-se em 1876 a ponta do Arnel, em São Miguel e no ilhéu de Cima de Porto Santo, em 1900.

Entre 1908 e 1927 foram construídos 16 faróis no Continente e Ilhas. Nestes últimos, já funcionando com células fotovoltaicas, começou em 1981 o uso de energias limpas, iniciando um novo ciclo onde também a automatização faz a diferença.

É de facto, uma grande invenção. Um extraordinário utensilio que prima pela aproximação.

Palavras inclinadas




Demoro sempre pelas que cantam, as que sobem e baixam... As inesperadas...
Aperto algumas, subitamente, ditados, sentenças e termos amados...
Brilham como seixos luzidios e saltam como trutas nos rios...
Algumas são tão belas que quero segurá-las em voo;
Outras são possantes e puras como frutas,
E bravas como restos de naufrágio, e mais além o universal torna-se comum.
São doces, escuras, transparentes, penosas e criam raízes..... Vivem na bonina, apenas, desabrochada e exaltam aquele apetite voraz que nunca se viu, mas perdem-se no tempo que costumamos esquecer.
São guerreiras, ferem a inaplicabilidade de meras sínteses.
Outras ausentam-se incompreendidas nas trevas do nosso íntimo.
São culpadas víeis couraçadas e enclausuradas, pela indiferença teimam a sobreviver.
São postas de lado, não carece, e inadvertidamente são guardadas, ganham vida, e desforram-se na inexplicável letargia serôdia.
Evaporam-se em qualquer pensamento e deitam-se a dormir.
Outras mais gélidas permanecem na conveniência do nosso consciente, prontas, nunca as ponderamos e seguem peregrinas. Morrem à chegada. Modos sábios nas sebes da intimidade, pois vagueiam na insuspeição da nossa recusa passível, quanta semelhança. Nascem Amadas! Repudiadas! Rendidas! Atraiçoadas! Sentidas! Inclinadas!

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Vermeer





http://www.pitoresco.com.br/universal/vermer/vermer.htm

A preto e branco



Espreito e ainda te desejo. Tento escrever no teu corpo, ao longe, nu.
Já é noite. Procuro a cor que te fica bem. Melhor. Estás a preto e branco.
Afinal, é triste presenciar um corpo que se afasta e morre em si próprio.
A melodia que, outrora, tinhas, arrasta-se em palavras expostas e sem cor.
Procuras silêncio. O teu silêncio.
Destapo a vergonha que sugere no imenso delineamento dos contornos,
E caminho do teu rosto para a infinidade, no chão dos meus olhos,
busco paz e serenidade ao tocar-te ...
conquisto o conceito contemplativo da espiritualidade ...
Vejo-te a preto e branco.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

...onde posso ser eu

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Alguém escreveu: "um dia destes encontro-me".....Já me aconteceu. Por momentos. Estive comigo e senti-me detentora da vida. Mas perdi-me logo a seguir. Em questões de auto-análise, a demanda do eu é algo que, poucos, conseguem e sabem fazer. Perdi-me de vista, algures, e nunca mais acreditei que me pudesse (re) encontrar e (re) conhecer. A capacidade está na força e resistência à luta que travamos da aceitação do nosso eu mais empobrecido. (Re) encontrei-me em coisas tão banais quanto as pinturas vivas e plenas de cor e perfume das planícies alentejanas, em confortos varonis de fim de tarde escurecendo praias soalheiras e inexploradas pelo Homem onde ainda se desfruta da linguagem deleitosa que o mar tem para nos oferecer, ou em terreno estranho, sentindo cheiros novos e mistos. Combinados de mesclados que se misturam com gentes e culturas genuinamente diferentes. Realizo-me, onde posso ser eu., e onde sinto apreço pelo vivencial. O eu mais recôndito e tímido anuncia-se e desperta em mim uma euforia, como se passasse para um estado completamente infantil e afortunado. Podemo-nos encontrar nestas situações simples, e que parecem não ter nenhuma importância. Renegar ao instinto mais básico, é não acudir à e irrequietude, perseverança e irreverência e dispensarmos a espontaneidade mais instantânea da vida. Onde posso ser eu!

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Experimento

Afinal, tenciono chorar. Tento. Deixei de contemplar. Planeio um sorriso. Rascunho um cheiro que me apetece. Tento amar o tino. Experimento sentir. Estas, parecendo, banalidades inatas, têm-se tornado significativamente essenciais. Residem emperradas. Rodeiam as acções e os verbos e substantivos, e captam vida ao deambular na mente de uns para brotar na de outros. Não se soltam, por receio do infortúnio ou por adquirem a capacidade de se auto-julgarem. Afinal, o que é o julgamento? Só sabemos que vivemos sob o seu tecto. E por mais que se ignore, existe a denúncia ao nosso próprio fim. Imagino incertas e diferentes escadas para cima e para baixo, sem que nelas existam patamares, e vingam com particular astúcia, a sua actividade. O não conseguir ultrapassá-las. Desconhecê-las. Revelam-se estranhamente esquivas.O feito seria ultrapassar simples estorvos e vislumbrar o seu reconhecimento, face aos nossos empenhos, aos quais, mais lúcidos se tornariam, se não nos rendêssemos à costumagem fosca e enraizada do nosso pequeno grande (i)mundo.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

pelo Belo...

Tenho vindo a reparar na campanha publicitária da Dove. Suscita curiosidade a qualquer um. É obrigatório parar. No mínimo, são campanhas provocatórias. O que é a beleza real? Põe em causa e incita a, toda uma série de definições de estereótipos limitados e sufocantes de mulheres escanzeladas. Começa-se a acreditar que a beleza real pode ter várias formas,idades e tamanhos. Penso que é altura de se acabar com mensagens e recadinhos que acirram, denegrindo a imagem das gordas. Força, Dove!!!

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Dependência incondicional.....

Os computadores funcionam como um mal necessário. Uma droga com a qual não podemos passar, e não adianta evitá-la. Criam dependência e são extraordinariamente irritantes. Naquelas alturas em que precisamos, de facto, deles para trabalhar mais afincadamente, pifam ou dão erros estranhos e novos. Ou perde-se informação ou desliga-se sozinho. Parece que adivinham mais empenho por parte do utilizador. Erro disto, erro daquilo. Funcionam como uma praga necessária, são como as garças quando comem os insectos e limpam os excessos do pescoço do rinoceronte. Grrr!! Ou então, não me lembraria doutra melhor, quando as osgas devoram as melgas e os mosquitos nos alpendres de nossas casas. Grrrr!!!!

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Alarve





Um sorriso contínuo,
um esgar infantil,
Um lápis azul.
Azul alarve,
cor sorridente que
submerge no papel
infantil contente.

http://caracaterina.clarence.com/

http://www.poster.de/Miro-Joan/ Miro-Joan-Blu-II-4-3-...

terça-feira, janeiro 25, 2005

Lembram-se de Pratt e Bilal

Sinto saudades e lembro-me, tantas vezes, de alguns livros de Hugo Pratt e de Enki Bilal que nunca tive. São os meus autores predilectos. Não eram meus os livros, todavia, moraram comigo na mesma casa, durante anos. Hoje sinto falta de reler algumas estórias que, na altura, me entretiam e faziam-me viajar no tempo.

Sempre com um cariz aventureiro, Hugo Pratt escrevia de uma forma tão intensa e indubitavelmente descritiva que fazia com que eu me absorvesse ao ponto de me imaginar na pele de uma das personagens. Lembro-me de A Fábula de Veneza, onde Corto Maltese percorre a cidade em sete dias à procura de uma esmeralda mística chamada "clavicula de salomão". No mínimo, empolgante.

Outro livro:"Corto Maltese perde a memória por culpa de uma gaivota"
" As mulheres seriam maravilhosas se pudéssemos cair nos seus braços sem cair nas suas mãos."

"As mulheres de Corto"
Estás muito bonita! Fazes-me lembrar um tango de Arola que eu ouvia no cabaré 'Parda Flora', em Buenos Aires.
- Talvez houvesse por lá alguém parecido comigo?
- Não. É precisamente por não te pareceres com ninguém que gostaria de te encontrar sempre. em toda a parte
.

Nas estórias de Bilal, pelo contrário, fascinava-me o enredo e o ambiente de ficção cientifica que ele conseguia criar e transpôr nos seus textos. Era demasiado arrojado e moderno para a época. Estamos a falar de há 10/12 anos atrás, senão mais. Foi quando eu comecei a ter contactos com os seus livros. E os desenhos eram perfeitos. Já não me lembro quem desenhava. Pierre Christin. C´est ça.

Lembro-me de um livro "Les Phalanges de L´Order Noir". Uma viagem histórica desconcertante.
A resistência de um povo perante o terror de uma Ordem Eclesiástica de Anciãos.
" La Ville qui n´existait pas". Focava a luta de classes, engrendrado num ambiente de ficção científica. Aliás, todas as estórias e desenhos eram projectadas numa base de ficcção cientifica. Espectacular.

Claro que existem muitos mais e bons livros destes autores. Só tenho pena que sejam tão caros. Senão recomeçaria a lê-los. E até, quem sabe, comprar a obra completa.

Foi bom lembrar-me deles. Remonta uma fase da minha vida.

Tipos de Mãe

Estou a ler um livro que me foi aconselhado por um amigo psicólogo. Manual para nos Defendermos da Mãe de Gianni Monduzzi, psiquiatra de formação e autor. Procurei no google alguns artigos para saber mais sobre ele. E só consegui em italiano. O que é pena, porque não percebo patavina . Este livro menciona todo o tipo de Mãe que há neste mundo e dá algumas dicas, de como nos defendermos dela. Quem estiver interessado ou tiver curiosidade em saber que tipo de Mãe tem, aconselho a comprar o livro. Lembro-me de alguns tipos : a Mãe perua, a pavoa, a galinha, a psicoespecialista, a maníaco-depressiva, a chique, a vip, etc etc. Retirei um excerto de um artigo que saiu na Máxima e acrescento aqui o link:

Deste modo, para o verdadeiro “menino da mamã”, o processo de sedução acarreta angústia, uma vez que tem consciência de que os beijos dados às outras são sempre carícias roubadas à mãe. E, para ele, a mãe é a única mulher que presta: “De costume, não se casa enquanto a mãe é viva; se ela durar muito, arrisca-se a ficar solteirão perpétuo. Mais que de uma mulher precisa de alguém que lhe tire os nervos do bife e lhe descasque a fruta no prato, senão não a come”, escreve o autor italiano Gianni Monduzzi, psiquiatra de formação e autor do Manual para nos Defendermos da Mãe

Este é o tipo de mãe galinha.

Alfie e as mulheres

Apeteceu-me ir ao cinema. Porém, a hora da matiné não era muito propícia, dada a escolha de filmes que eu tinha pela frente. De todos, optei por uma comédia romântica, que me surpreendeu. Pensei que iria rir todo o filme. Pareceu-me ser um enredo leve e descontraído, e no entanto, achei-o bastante triste. O filme foca, essencialmente, relações fortuitas e curtas. Num ápice, se percebe que o protagonista fica sozinho, na medida em que ele personifica o verdadeiro don juan, o homem que deseja e conquista todas as mulheres e que as abandona, sem qualquer culpabilidade. Embora seja ambicioso, o que ele mais deseja é ter dinheiro suficiente para viver, gozar ao máximo os prazeres da vida e não ter de assumir responsabilidades.
Um irresistível londrino que acabou de se mudar para a sofisticada Manhattan. A personagem principal deste filme - uma espécie de ''Sex in the City'' em versão masculina - trabalha como motorista de limusines nas ruas da cidade e, sempre que pode, aproveita o conforto do banco de trás para seduzir as suas clientes mais solitárias.
O filme centra-se em cinco das suas conquistas amorosas: a namorada do seu melhor amigo, a mãe solteira que sonha com uma relação a sério, a mulher casada e infeliz, a louca e a fogosa executiva de meia-idade.
Apesar de as abandonar a todas, no final ele vai aprender algo com cada uma delas. Embora esteja rodeado de romance, quando percebe que é incapaz de amar, constata que, aos trinta e poucos anos, um pouco de amor e intimidade verdadeiros não lhe fariam mal...
Típico de alguns homens. Portanto, no campo das relações não há filme mais actual que caracterize este tema. Deveras esclarecedor e imediato para evidenciar o que se passa connosco. Antes de mais, enaltecemos a embalagem, depois o que julgamos ser o último recurso, a felicidade inesperada e repentina. É só isto que interessa. O que não é tão mau, se pensarmos em continuidade, mas o nosso egoísmo incomodativo sussurra-nos ao ouvido que há sempre mais.
Bom, ele fica sozinho. Vê-se forçado a alterar o seu modo de vida, e a tratar as mulheres doutra forma. Todas as relações tinham terminado. Numa delas queria voltar a vê-lo.
E o que é que ele tinha? O que é que ele construiu? Quem é que ele amou? Nada e ninguém. Tinha um emprego. Tinha uma casa modesta nos subúrbios de Nova Iorque. Perdeu os poucos amigos que tinha. “Quem semeia ventos , colhe tempestades”. Sim, é verdade. Será justo dizer: É inevitável lutarmos contra a nossa natureza e aprendermos a lidar com ela? Não sei, será?
Só sei que o filme vislumbrava ser uma comédia e tornou-se para mim, uma análise exaustiva e melancólica. Posso imaginar o que ele sentiu. Ficar sozinho e, no fundo, é o que nos assusta, a todos.
Curiosamente, não estava muita gente na sessão e ouviam-se gargalhadas histéricas e desapropriadas, face às questões importantes e subjacentes e, mais grave, que não foram interpretadas da mesma forma. Muitos dos gages alusivos no filme funcionam como uma homenagem à masculinidade incutida nos homens, ao longo dos tempos. Para mim, aquelas pessoas que acharam o filme hilariante, não souberam ler nas entrelinhas, o que revela pobreza de espirito.
Todos sabemos que existem mulheres como o Alfie, mas sabe bem dizer que é bem feito o que lhe aconteceu. Pois, não carece de ter pena de homens que actuam assim com as mulheres. Só merecem o fim que têm.


... do mesmo modo de que as mulheres têm medo de receber, os homens têm medo de dar. Dar de si aos outros significa arriscar-se a uma falha e desaprovação. " John Gray, autor de Homens são de Marte, mulheres são de Vênus.",


quarta-feira, janeiro 19, 2005

África

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Sonhei um dia
Com as tuas cores
Com o teu perfume
Com o teu sabor,
Provei-te e acaricio-te
Quero sempre mais e
devagar uso o teu gosto.
Sinto a tua falta mas,
se um dia me atrever
cedo à sedução
Que estremecia
aquele horizonte sem fim.
Era Agosto e estavas quente
ardias de contentamento.
E o meu corpo viciou-se em ti.
Ainda sonho

terça-feira, janeiro 18, 2005

Vó

Minha querida e doce avó. Como é bom existires. Como é bom teres sido o meu amparo. Como é bom, ainda hoje, contares-me tantas estórias, naquelas em que tu foste a maior protagonista. Como é bom sentir o teu cheiro quando te beijo na face. Tu que fazes jus e honras o dia mundial dos avós e para o qual, tens sentido. Em ti penso todos os dias, e nem sempre te telefono. Eu sei que te devia dizer que te amo e que te estou eternamente grata por teres olhado por mim todos estes anos. Não o faço, nem sei porquê. Mas não quero que te vás sem que saibas que só tu mereces as rosas que ainda não te ofereci, e os beijos e abraços que ainda te hei dar. Avó minha, como eu te adoro. Se há alguém no mundo que me faça chorar de alegria, és tu.
Tu que tens sentido as amarguras da vida e, no entanto, afastas as lágrimas com o braço e marchas em direcção ao proximo desafio. Minha doce avó, obrigada por seres quem és!
Um beijo no coração

Viva o amor

Em resposta ao teu comentário sobre este texto, digo que é recente, não do despertar da juventude.
Realmente a juventude é relativa. Pode ser-se jovem aos oitenta. Acredita porque já vi.
Quanto ao que digo hoje disso é exactamente o mesmo.
Beijos

sexta-feira, janeiro 14, 2005

a propósito de mudança

... sentimos medo dela. É um sentimento que, à priori, tem uma conotação positiva, e no entanto, não passa de um sonho que, para a maioria das pessoas, apavora e não chega a ser. O que vem a seguir, soa a diferente. Assusta. E perdemos a capacidade de controlar as consequências dessa mudança. Talvez não conte muito mudarmos algo no nosso dia-a-dia. E digamos que não importa muito se se falar no plural, é capaz de ser tornar mais fácil, quando não nos referimos a nós proprios. Suponhamos que se muda de sitio um objecto na nossa casa, um móvel que nos parece ficar melhor no canto da sala, ou uma jarra que fica melhor no meio da mesa. Enfim. Tretas. É só mais uma tentativa de relativizar o que, de facto, é importante mudarmos, ou então uma defesa para nos revelarmos capazes disso. É algo a que nos habituámos a falar com Amigos... Está na moda? Falta de tema? Não. Penso que não. Recorremos a uma série de auxilios para nos soar que, a avaliação que possam fazer de nós, seja mais branda... E se o fazemos! Fazemos outras coisas, como as chamadas campanhas de promoção aos outros e achamos que cometemos a boa acção do dia, quando para nós é tão dificil.
Mudo...mudas...muda!!! porque é tão condicionante e conclusivo numa sociedade ocidental a importância de nos aceitarmos e de nos aceitarem. Sem que nos rotulem. Nunca acontece isso, apesar de nos lembrarmos, a toda a hora, que nunca faremos a diferença. O historial de vida de cada um é sempre decisivo na interacção com os outros. O que nos atrai, o que nos afasta... Rótulo sem regresso. Ora, pensando num país de terceiro mundial estes aspectos têm a sua relatividade propria. As guerras, há que acabar com elas. A cobiça e a maldade, o mesmo. Mas a única e importante mudança que estes povos pedem é que não os deixem morrer à fome e à sede. Temos o condão de pensarmos e sentirmos pena de povos que sofrem com as guerras, com as catastrofes naturais, com as politicas adversas, mas, na realidade só conseguimos sentir e reparar no que está ao nosso lado. Alguém que não muda, alguém que não se torna util à sociedade, alguém que nos é (in) diferente, alguém que não faz parte da nossa cadeia social, alguém que nos é incompativel ou não nos é empático. Afinal de contas, a vida não é mais do que uma cordialidade inevitável e imposta. Há dezenas, senão, centenas de publicidade que nos entra, todos os dias, no computador, na televisão, no rádio, a fim de promover o amor com o próximo, com ditos e frases de autores conhecidos, como Dalai Lama. Isto não será uma moda? Ou melhor, que não seja uma moda, não será hipocrisia para nos sentirmos uteis e dizermos que até gostamos deles, como eles são, quando no fundo, pensamos o contrário.