terça-feira, janeiro 25, 2005

Lembram-se de Pratt e Bilal

Sinto saudades e lembro-me, tantas vezes, de alguns livros de Hugo Pratt e de Enki Bilal que nunca tive. São os meus autores predilectos. Não eram meus os livros, todavia, moraram comigo na mesma casa, durante anos. Hoje sinto falta de reler algumas estórias que, na altura, me entretiam e faziam-me viajar no tempo.

Sempre com um cariz aventureiro, Hugo Pratt escrevia de uma forma tão intensa e indubitavelmente descritiva que fazia com que eu me absorvesse ao ponto de me imaginar na pele de uma das personagens. Lembro-me de A Fábula de Veneza, onde Corto Maltese percorre a cidade em sete dias à procura de uma esmeralda mística chamada "clavicula de salomão". No mínimo, empolgante.

Outro livro:"Corto Maltese perde a memória por culpa de uma gaivota"
" As mulheres seriam maravilhosas se pudéssemos cair nos seus braços sem cair nas suas mãos."

"As mulheres de Corto"
Estás muito bonita! Fazes-me lembrar um tango de Arola que eu ouvia no cabaré 'Parda Flora', em Buenos Aires.
- Talvez houvesse por lá alguém parecido comigo?
- Não. É precisamente por não te pareceres com ninguém que gostaria de te encontrar sempre. em toda a parte
.

Nas estórias de Bilal, pelo contrário, fascinava-me o enredo e o ambiente de ficção cientifica que ele conseguia criar e transpôr nos seus textos. Era demasiado arrojado e moderno para a época. Estamos a falar de há 10/12 anos atrás, senão mais. Foi quando eu comecei a ter contactos com os seus livros. E os desenhos eram perfeitos. Já não me lembro quem desenhava. Pierre Christin. C´est ça.

Lembro-me de um livro "Les Phalanges de L´Order Noir". Uma viagem histórica desconcertante.
A resistência de um povo perante o terror de uma Ordem Eclesiástica de Anciãos.
" La Ville qui n´existait pas". Focava a luta de classes, engrendrado num ambiente de ficção científica. Aliás, todas as estórias e desenhos eram projectadas numa base de ficcção cientifica. Espectacular.

Claro que existem muitos mais e bons livros destes autores. Só tenho pena que sejam tão caros. Senão recomeçaria a lê-los. E até, quem sabe, comprar a obra completa.

Foi bom lembrar-me deles. Remonta uma fase da minha vida.

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