quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Misturas e comezainas

Existem algumas frases - clichés - que ouvimos da nossa boca e dos outros, em contextos completamente diferentes. Contudo, alguns têm fundamento.

... Nós somos o que comemos.
... A forma como comemos, assemelha-se à forma como praticamos sexo.

Por exemplo, a comida e o sexo estão, obrigatoriamente, interligados. Todos nós sabemos isso. A forma, a abordagem, o ambiente, o sentido de liberdade, a auto-revelação, o ritual de saboreamento, as feições ou jeitos e até prazeres em "comer". Tantas vezes nos acontece dizermos que aquele manjar nos deleitou de forma e maneira, que nem nos ocorre que a comida nos pode provocar orgasmos. Mas é verdade. A sensibilidade começa e é muito importante, se conseguirmos concretizar essa ideia.


Da maçã proibida que expulsou Adão e Eva do Paraíso, passando pela maçã irresistível que adormeceu Branca de Neve, até aos saborosos cachos de uvas usados por Jack, o Estripador, para conquistar as suas vítimas, muitos alimentos são personagens principais nas histórias de conquistas e sedução. Isto sem falar nos banquetes servidos por Cleópatra aos homens que pretendia seduzir politicamente e nas orgias realizadas nos grandes banquetes das cortes européias, como a de Luis XIV, o Rei Sol, que misturava negócios e prazeres íntimos entre os pratos servidos.

A Afrodite, um dos livros de Isabel Allende fala disso. Afrodite, na mitologia grega, era a deusa da beleza e da paixão sexual. Digamos que o livro é ... afrodisíaco? trata de qualquer substância ou actividade que desperta o desejo amoroso. Será que existem mesmo alimentos afrodisíacos? Ou talvez o simples facto de se saborear uma refeição gostosa já tem em si uma carga tão grande de prazer que nos faz atingir o êxtase?


“Como definir um afrodisíaco? Digamos que se trata de qualquer substância ou atividade que desperta o desejo amoroso” “Afrodite” de Isabel Allende

“Os afrodisíacos são uma ponte entre a gula e a luxúria”.

Outro livro que desperta o desejo sexual é "Como Água para Chocolate”, de Laura Esquível.
Desejo sexual, cheiro de cravo e canela e filmes de dar água na boca.

Privadas de voz ativa e de prazer sexual, no passado, era na cozinha que as mulheres depositavam seus desejos e frustrações como a Tita (Lumi Cavazos) do filme “Como Água para Chocolate”. O movimento feminista afastou as mulheres da cozinha e aproximou-as do sexo sem culpa e do sucesso profissional.

Hoje, as mulheres voltam a ocupar seu lugar atrás dos fogões (compare a Tita com a independente personagem de Juliette Binoche, no filme “Chocolate”), perderam o medo de buscar o prazer, seja na cozinha ou na vida profissional, e colocaram o seu poder de sedução em prática. A mulher de hoje descobriu que pode ser independente sem perder sua sedução e que neste sentido, a paixão pela cozinha pode até ajudar, como é o caso da Isabella (personagem de Penélope Cruz) em “Sabor da Paixão”.

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