segunda-feira, fevereiro 28, 2005

intimidade


Intimidade do silêncio

Reclamo por interpretações desgastas,
Murmuro em estranhezas que me moldam esquiva,
enfraqueço com leituras e códigos desconfiados,
e afigura-se alguma razão em cortejar sinais,
e símbolos que se afeiçoam a desconforto e trivialidades.

O silêncio não existe,
Mas o trajecto a caminho dele, sim.
A intimidade do silêncio.

A cumplicidade não existe, conquista-se.
Senão, quem és tu? Acho que nunca te vi
Existes, só, para lá do meu conceito,
Da minha vontade.
E todos os dias, abres mais, uma fresta
E não te encontro
Peço ao vento que te traga,
Peço à sorte que te fale,
Peço ao imprevisto que te adule,
Peço à poetisa que te declame;
E depreender e enrolar-me, na tua essência,
Na tua íntima fracção
E olhar-te na confortável insuficiente capacidade e ficar sublime
Ao perceber a tua beleza,
A intimidade do silêncio.

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