quarta-feira, março 23, 2005

orgasmos fingidos

O tema, orgasmos fingidos, tem barbas, mas só para alguns. Não nos podemos esquecer que até há bem pouco tempo, era pecado, sequer, falar nisso. Faz parte da nossa tradição, é uma questão cultural.

A curiosidade, e ainda bem, tem crescido ao longo dos tempos, no sentido de se decifrar este enigma. Porque é que as mulheres fingem os orgasmos? Porque têm de o fazer? Os homens já se habituaram a esta realidade, mas nunca se questionaram porque é que as mulheres o fazem. Felizmente, a nossa mentalidade tem crescido, tornando-se mais aberta a um tipo de questão tabu, como esta. Há tanta gente que não sabe o que é um orgasmo, ou se já sentiu algum. Como se manifesta. Como se faz. Como se aprende. Acredito, ainda, que nalgumas zonas do nosso país, e no seio de algumas camadas sociais não se sintam capazes a discutir e a querer saber do assunto. Em tempos que já lá vão, o prazer da mulher não era tema de conversa, quanto mais para se fazer no leito com o marido. Existia um único fim: o homem satisfazer-se.

Não querendo generalizar, a minha opinião, ainda, quanto a alguns homens de hoje é que ao tentarem minimizar o problema e para não se sentirem humilhados, fazem crer ao mundo que acreditam que as mulheres fingem, quando no fundo, eles próprios no acto sexual convencem-se a eles próprios e a elas que conseguem fazer vir qualquer mulher. De facto, supõem que têm esse poder e é suficiente para lhes dar prazer. Isso não basta. Ainda que o façam, a consumação ou o auge duma relação sexual, não se completa só por isso, quando ela ou ambos se vêm. Há questões mais importantes e determinantes para se atingir esse estádio: como a exploração da sensualidade, a exploração da voluptuosidade, a partilha do toque, do olhar, a ligação sensitiva que é tão importante e que não tem nada a ver com o orgasmo, pelo menos directamente. Onde é que está institucionalizado ou escrito que uma relação sexual deverá ter como desfecho o orgasmo? E até mesmo nesta matéria, torna-se difícil encontrar uma pessoa que nos complemente. Queremos sempre tudo.

Ou queremos cumplicidade ou compatibilidade à exploração do outro, com o outro.
Se não conseguimos essa envolvência queremos como prémio de consolação o orgasmo. Isso é válido, e acontece frequentemente. Tentamos filtrar e explorar o que o outro tem de bom ou de melhor. Nem sempre acontece. E é uma porra.

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