segunda-feira, março 21, 2005

Polivalência é só para alguns


Pois. A polivalência no serviço é, mesmo, só para alguns. E não é cliché. É a nossa realidade. Os prejudicados, nesta matéria, descobrem - e ficam-se por aí, claro - que a remuneração é sempre mais escassa para aquilo que fazem. É óbvio que há excepções. Otherwise, nunca existiria a regra. Dever-se-ia criar uma cláusula nos contratos de trabalho ou afins, prevendo-se algumas tarefas extras ou incomuns, para evitar que a polivalência só calhasse aos outros. Normalmente são sempre os mais desgraçados, os mais disponíveis, os mais interessados em que as coisas funcionem e nunca os que estão preocupados em fazer só o que lhes compete. O que é afinal um trabalhador produtivo? Será correcto dizer que é só aquele que cumpre o seu horário e as tarefas que lhe estão inerentes?

A competência é validada pelo cumprimento do horário? Ou a dedicação e a responsabilidade estão inversamente proporcionais às competências, banindo completamente a polivalência. Poder-se-á dizer que um trabalhador que está mais preocupado em agradar ao chefe – o comum lambe-botas – é aquele que se dedica exclusivamente a ser polivalente sem olhar a horas extraordinárias, mesmo não sendo pagas ou reconhecidas. Ou abnegamos tudo isto e pensamos que, a palavra polivalência deixa de ter a conotação importante e pesada por si mesma, e assume a verdadeira leitura e consideração que ela deve ter. É preciso que as coisas funcionem. Então metamos mãos à obra e ponto final. Especulações e mais especulações.

Numa perspectiva mais abrangente e minha, os colegas dever-se-iam apoiar mutuamente no sentido de fazer funcionar a instituição ou o gabinete numa óptica de equipa única, e nunca à espera que o chefe repare mais neste ou naquele, porque um é que fez e o outro está sentado a ver. A responsabilização reside na consciência de cada um.

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