quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Leomil e a Picota




Leomil, para quem não sabe, já se chamou Serra da Nave, ou Lobagueira.

Hoje é, Vila de Leomil e cheia de encanto e ternura beirã. Belos sítios recônditos se encontram, por lá e, tantas e tantas estórias de meninice, têm para contar. Vivem no tempo e permanecem à vista das paisagens, riachos, ruelas ínfimas cheias de varandas com sardinheiras e amores-perfeitos. Só visto. A Capela rodeada de casas em granito. O Pelouro com uma fonte onde se pode bebericar alguma água. À sua chegada encontra-se o Largo com o seu coreto tão bem esboçado. E a Picota que já brincou com tanta criança. A Igreja que dá à vilinha o seu cunho cristão e beirão. A poesia vagueia por lá. Podem crer que sim.

Pertence ao concelho de Moimenta da Beira do Distrito de Viseu e localiza-se na região da Beira, mais precisamente, numa região denominada de "Planaltos Centrais".
O seu clima é fabuloso principalmente no Verão, os meses prolongam-se de Maio a Setembro, e chegam a atingir temperaturas superiores a 25ºc.
De uma forma geral, ocorre maior precipitação em Fevereiro e menor em Agosto.
O clima é bastante pluvioso com precipitações anuais médias que variam entre os 800 mm e os 1400 mm. A ocorrência de nevoeiros não é significativa, mas acontece regularmente ao longo do ano, geralmente nos meses de Janeiro e Dezembro.
As geadas são mais frequentes. No que respeita à humidade, as primeiras horas da manhã, com valores elevados.
Rica de passado histórico, tem abundantes fontes históricas espalhadas por diversos arquivos do país, não tivesse sido ela, sede de um dos mais célebres coutos medievais portugueses, e vastíssimo concelho extinto em 1855.

Esta graciosa Serra entre os Rios Paiva e Távora e pertence ao Maciço Galaico-Duriense. O seu ponto mais alto atinge os 1011 metros de altitude. É formada por ondulações com uma vegetação onde é visível o pinheiro, a giesta, a urze, o rosmaninho, o sargaço e é muito agradável subir ao ponto mais alto da Serra, uma vez que se nos depara a grandiosidade e beleza da paisagem que se alonga em todos os sentidos até aos Vales do Tedo, Paiva e Távora, até às cristas das serranias que se avolumam lá ao longe, como é o caso das Serras do Marão, da Estrela, do Caramulo e Montemuro.

Leomil ressuma as idades da terra e os jeitos de civilizações primitivas e clássicas, visíveis nos dólmens, restos de estradas romanas, cruzes e alminhas, fundações de castros e de mourarias, pedras de cunhais, portas, eirados, cornijas de antigas casas e capelas, palavras e nomes celtas, romanos, godos, árabes, recordações do oriente, do levante, da Europa Central, do Norte de África, tudo se encova e rescende nas chãs e lombas de Leomil desde os ritos duídicos às eras da Cristandade, evocando pantaismos e mitologias, gestos bizantinos, românicos, góticos, renascentistas e barrocos, fundidos no ar, no silêncio das cumiadas e no espraiado colorido das veigas em que corriscam como estrelas, as àguas do regadio.


Existe outra vila com o mesmo nome e que pertence ao concelho de Almeida

1 comentário:

de Sá disse...

Estás a inventariar as tuas origens... que belo nobreka, sim shenhor- gostei.