terça-feira, dezembro 21, 2004

Ma(e) terna

Nasceu, mais, uma criança. Gesto singular, instintivo. E(terno). Alice cresceu. E a ligação com a sua mãe sempre fora desequilibrada, difícil ou nunca fora, sequer, uma relação. O exemplo de maternal que sempre teve, assim como a sua própria formação, foi sua avó. Para ela, era a imagem reflectiva de o que é ser mãe. Sentir uma familia. Referência de carinho. Prova de ternura, necessidade, e de significado. Não se lembra, se foi amamentada. Também não é importante, ou será? Recorda-se, ou melhor sempre sentiu, que sua mãe lhe tirara a chucha muito cedo, por já estar, mais que na hora de acabar com tanto chuchar. Poucas ou nenhumas lembranças tem, no entanto, sente que sua memória fora vedada para receber tais fragmentos de imagens.
Poder contemplar e perceber o que é sentir o cheiro de sua mãe, o calor do seu colo, as palavras carinhosas que se dissiparam entre gerações. Nunca lhe ensinaram, se calhar. Hoje pensa que: a ausência e a presença, não tiverem significado. Por tantas razões, nunca escrevera sobre sua mãe. Nunca conseguiu agarrar referências, ou então, inventava-as, para poder ter meras palavras e imagens que, outrora, ficaram na ignorância.
Elas passaram sempre por cima de tudo o que a fazia feliz.

1 comentário:

Graca Neves - mgbon disse...

Acho muito bom este post sobre esta criança que não se lembra das coisas simples que fazem as ligações. De facto são sempre as coisas simples as mais lindas e mais marcantes. Os cheiros, os sabores e as sensações tácteis, é o que nos fica para a vida. Daí não sermos muitas vezes capazes de transmitir o que nos vai na alma. Fazê-mo-lo a nosso modo que não é na maioria das vezes o do outro.
É nesses momentos que as boas e as más relações maternais têm o seu impacto,hoje e amanhã, caso não consigamos reflectir e inflectir se necessário.