terça-feira, dezembro 21, 2004

Numa qualquer viela - parte I

Atravesso a rua. Há um cinema com uma livraria debaixo do chão. É ali, no meio dos livros, que gosto de estar. Fazem-me tanta falta, hoje, todos os livros que não li. Custa-me menos escrever. Tardo em saber. Importo-me, sim. Sei que tenho para dar. Marco ali encontros. Faz-me bem sorrir entre eles. Ao lado há um mercado. Passeio no meio das vendedeiras de flores. Elas metem-se comigo e eu faço as minhas rábulas. E com elas me perco.

Há um café, onde costumo ir. Nunca sei o nome. Ao fundo, vejo uma mesa vaga. Peço um café. Compro o jornal. Leio as gordas. Encarece a qualidade de vida. As guerras propagam-se como vírus. Os transportes, a electricidade, a alimentação, o telefone, a gasolina, os táxis. Enfim, num país que atravessa a pior fase económica. Respira-se desalento e frustração. Um autêntico desamparo colectivo. O desemprego tende a crescer. A fome e a miséria. Com a entrada do novo século descobre-se o que foi encoberto durante tantos anos, a prática desmesurada da Pedofilia. Ecos de tantos anos recalcados espalha-se em toda a Europa. Palestina e Israel estão, novamente, ao rubro. Assassinaram Ahmed Yassin. Quando é que o mundo se vai entender? Não pode haver só maldade no mundo, não pode. Desprazer aos meus olhos.

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