terça-feira, dezembro 14, 2004

Mesmice

Entrou em casa. Será que se enganou. Não. A casa estava fria e escura. Começara a não se reconhecer nela. Os mesmos móveis, a mesma cama, o mesmo sofá, as mesmas cadeiras. Nos mesmo sitios, nos mesmos recantos. As vivências estavam gastas. AS cores e os cheiros, tambem.
Sentia a falta de esconderijos que, outrora, a equlibravam. Esvaído, cansado. O refugio que permaneceu esquecido. O tempo parara. Nada mudara. Nada se passava ali. Já nem sequer as palavras habitavam aquele espaço sem vida. Sentia-o como se já não fosse dela, o mesmo vazio imensurável, por identificar.
O ter de lá voltar e vê-lo todas as noites, tornara-se enfadonho e desinteressante. Até o sono era igual, e o mesmo silêncio. As paredes aguentavam a estrutura, onde a sua única interlocutora era a infelicidade com que ela mirava o seu lar, o único e o último canto que mantera estes anos.

2 comentários:

Graca Neves - mgbon disse...

A casa é o reflexo da nós. Vê-mo-nos e revê-mo-nos nos seus pormenores. Mas tal como dentro de nós, também aí podemos operar mudanças.

Graca Neves - mgbon disse...

A casa é o reflexo da nós. Vê-mo-nos e revê-mo-nos nos seus pormenores. Mas tal como dentro de nós, também aí podemos operar mudanças.