Hoje, consciencializo. Nunca estiveste. Ou eu. Nunca entendi muito bem, o estarmos e o não estarmos. O que tu querias. O que eu queria. Criei uma imagem de ti, à minha maneira. Nunca falámos sobre o tema, ou outro que fosse. Nunca nenhum assunto era oportuno, importante ou digno para ser discutido. Foste sempre aquilo que eu nunca quis que fosses. Ou eu sempre te desejei diferente. E tens pairado como uma sombra. Como que, os meus passos passassem a ser censurados. Não me consigo livrar de ti ou do que tu representavas. Apareces sempre nas piores alturas. Denuncias-te quando me decido a fazer algo. E continuas com o teu risinho sarcástico, dizendo-me o que nunca conseguiste, quando me tinhas. "falta-te coragem"! A vida para mim, sempre me soube a uma efémera tarde de verão que passa e vem. Todos os anos, assim como, uma tarde chuvosa. Sem que eu dê conta, as flores continuam a nascer e a morrer. As marés continuam a subir e a descer. As crianças continuam a crescer e a envelhecer. O tempo continua a não parar. Sei apenas o que não quero. Nem isso, com certeza, sabias de mim. Teres-me-à conhecido? Ter-te-ei interessado? As palavras sempre te assustaram. Terei sido, apenas, um capítulo maior e doloroso do teu romance, provavelmente. Pergunto: Quem sou eu? O que fiz? O que construi? Estou em falta para com o universo: Da trivialidade à importância que é ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Ter a capacidade de me reencontrar. Ver-me e conhecer-me, sempre foi uma trivialidade para ti. Uma parvoíce. Ironizavas dizendo, que isso, era coisa de intelectuais. Nunca percebeste que a minha e a tua evolução teriam de passar por este percurso. A aprendizagem de nós mesmos, torna-se o nosso reflexo na realização com os outros. Mea culpa, apesar de sentir necessário este percurso, nunca o soube transmitir aos outros.
1 comentário:
A maior parte do teu discurso aponta o passado.
O E Andrade diz que ele é como um trapo. Estás refém dele? Afinal, o passado é o que chamamos á forma mais antiga do presente, duma continuidade que se insere numa tabela tabela temporal com dois pontos de referência- inicio, fim. È entre eles que vivenciamos os nossos estados de espírito, nada mais...
Drama, é quando ficamos cristalizados, reféns de acontecimentos que emperram a nossa caminhada de união entre os tais pontos de referência...
Primo
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