segunda-feira, março 21, 2005

Polivalência ou Versatilidade no Amor?


“De repente, num bar, numa festa, naquela praia, na fila do banco - não importa -, os olhos se encontram. Primeiro uma ansiedade, um calor no peito que logo se espalha em calafrios que procuramos disfarçar. Um leve suor nas mãos. No primeiro encontro, os lábios secam um pouco antes do primeiro beijo, ou não há sequer beijo, e as palavras tremem embaraçadas em pensamentos desordenados. Joelhos que, mal, sustentam o peso do corpo. Esquecemos o mundo lá fora em eternas horas de silenciosa saudade ao telefone, perfumadas com aquela inquietude própria dos amantes ... Desvarios comuns entre estranhos"

Percebamos um pouco este mecanismo. Ao sermos, inata e tendencialmente, polivalentes ou versáteis no serviço, aplicamos a mesma regra noutras áreas da nossa vida. Por outras palavras aprendemos a ser solícitos e zelosos na relação com os outros. Nas relações familiares, de amizade, de amor. Não será? Contudo, essa aplicabilidade no amor, revela-nos, quase sempre, subjectivas condicionantes, senão, importantes em detrimento à apreciação que fazemos dos outros. Como conhecer bem o outro e aplicar e bem essa polivalência que nos parece tão fácil e eficaz no serviço e que a utilizamos de uma forma despreocupada e livre. É o que somos e como funcionamos. No entanto, fora do contexto de trabalho é diferente, e tão mais difícil.

O exemplo acima descrito tem continuidade enquanto a paixão e a sedução perduram.

Logo, a polivalência no amor, é importante e quando a conseguimos manter, faz de nós vencedores e merecedores da nossa própria existência. E ao estimular o nosso saber, a noção que temos de nós próprios, torna-se mais nítida. A auto-consciência é essencial, e ao ser explícita aos outros, actua como uma identificação. A essa identificação está associada um cunho, que por vezes inflige nos outros, um esforço errado e em vão, ao tentar-se perceber o outro. A tarefa de desvendar esse cunho é sempre demorado e às vezes indecifrável. A polivalência neste caso, nem existe. O que quero dizer é cliché, mas é tão verdade: “Sejamos primeiro fiéis a nós próprios e depois aos outros. A confiança gera polivalência. E esta polivalência, de que falo, traz tantas conotações e sinónimos atrás. Não acham?

6 comentários:

de Sá disse...

entendendo-te a ti própria, aceitando-te a toi mêmme, o mundo fica quase todo a teus pés...

polivalência... posta assim, é tão abrangente... (continuo a não conseguir emailar)

nobreka disse...

o problema é que este estado de polivalência com ou sem as suas conotações apensas, é muito dificil ou mesmo impossível atingi-la.

de Sá disse...

estás a pensar em "Close", é?

de Sá disse...

"Closer"

nobreka disse...

Não, propriamente. Refiro-me à vida real. Penso que toda a gente já se sentiu, ou sente, um pouco assim.

nobreka disse...

Para os mais leigos... (risota) este "post-it" significa que numa relação podemos e devemos inovar as situações - i.e. explorar e tornar versátil qq situação.
No emprego ser polivalente é ter aptidão para fazer várias e diferentes tarefas para o mesmo fim. O contexto profissional é o mesmo. No amor ou no sexo, entendo de iniciativa e predisposição para coisas diferentes mas direccionadas para o mesmo fim. Satisfazer o companheiro(a). Não importa como. Não sei se me fiz entender.