terça-feira, julho 19, 2005

Significados...

Indiferenças, verdades, felicidades adquiridas, ou que pensamos adquiridas, desumanidades, apatias, egoísmo. Tanta falta de verdade paira em nós. Tanta palavra negativa, desumana, seca. Talvez precisemos delas para nos justificarmos. A nossa verdade. Afinal, o que é a verdade? O sofrimento. Será. Não será uma estrutura fixa, feita à nossa medida. A nossa sobrevivência depende de tudo isso. Amarguras e feridas que se arrastam e, que a muito custo, lhe conseguimos chegar. Faz-me lembrar quando vou sozinha à praia, e quero pôr protector nas costas. Há sempre uma zona inalcançavel.
Selfish...selfish...selfish... está na moda, não acham? Porquê?
A vida deveria transportar aprendizagem, prazer, e alegria de viver. As referências deveriam fazer parte da nossa vida. Por exemplo, os nossos pais deveriam passar para nós, o bom e o mau. Ou então, sabermos interpretar e discernir o bom do mau. C´est ça.
Se pensarmos que há gente, que nem referências tem para dar. Como fazer? Aprendemos da pior maneira. Não será assim? Dá uma visão nula e escassa de como agir.
O desconhecido gera em nós a melhor forma de defesa negativa. O amor, não será o amor que gera amor? Mas, e o ódio ou a raiva, outro sentimento forte. Ser-nos-à tão abundante, que o que vem sempre por aí, é odiarmos e julgarmos os outros.
A vida não é simples. Contudo, estamos sempre a dizer o contrário. Ela é simples, nós é que a complicamos. Será? Para os outros. Claro que para nós, é sempre pior. Um poço de más recordações, de más experiências. Há uma grande vaidade de intolerabilidade, para com os outros e uma dose enorme de inalterabilidade para connosco. O nosso paradigma. Os nossos padrões. Os que fomos construindo, ao longo da vida, com o que fomos vendo do mundo. As imagens são assimiladas pelo cérebro e geram, em nós, reacções. Ou as compreendemos e aceitamos. Ou então, carregamos sempre um saco atrelado a nós, toda a vida e quando precisamos, vá de tirar aquela imagem ou recordação - aprendizagem à nossa maneira, talvez - que nos parece mais conveniente para agir perante tal "imagem". É assim?
O significado das coisas/situações ultrapassa-nos e a simplicidade da vida, está mesmo ai.

quinta-feira, julho 14, 2005

tipo de filme

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Você é "O sétimo selo" de Ingmar Bergman. Você é intelectual, preocupado com ocultismos. E além de tudo é um mistério!!
Faça você também Que bom filme é você? Uma criação deO Mundo Insano da Abyssinia

quarta-feira, julho 13, 2005

Ocorre-me

Preto. Branco. Criança. Animal. Bébé. Genial.
Genuíno. Pensamento longíquo. Lógico.
O olhar meigo de uma criança.
O calor da pele funde-se na amizade que surge.
Despretensiosa. Despreocupada.
Ocorre-me um amigo. Tanto queria, ter um elefante bébé.
Agora sou feliz. Já tenho com quem falar.
Ocorre-me o nome ... patusco.

terça-feira, julho 12, 2005

Um Pouco de silêncio, ao invés


Shu... Deixa-me falar…
Há tanto, que te quero contar
Desbravas-me a alma, sequiosa, por desassossego.
Invades pela quietude de minutos, pouco antes de eu adormecer.
Prenúncio voraz.
Soas a gritos mudos, onde os nus coniventes se baralham na insegurança,

Shu... apoquentas-me, ensurdecência, e fazes-me mal, como te desejo.
Sobre (vivo) nesta mudez platónica, não reclamo o que sinto, nem o que contemplaria.
Quero-te nem que seja para te revelar e, logo a seguir, te olvidar.

Shu... permite, ao menos, que te cantarole ou encante, mesmo que o feitiço te insurja ténue.
Carregas certo silêncio que me desconcentra, insubordina-me, em azáfama, e esvaece-se.
Obedeço a atitudes, vão e vêm tardias sob a forma de quimeras ansiosas,
Afinal, não passas de um devaneio silencioso.
Sem principio, nem fim. Só me lembro do meio.

Que tal, resistir-te. Guardar-te no pensamento onde só existe beleza.
Shu … leio-te, cheiro-te, tento não esmiuçar o que não quero ver, mas inebrias-me com
um penetrante bom dia e, logo a seguir, me desamparas com um contido até amanhã.

Shu … escuta
Desfalecerás como todas as extravagâncias platónicas.
Não passas de mais uma inexequível.
Palavras que mal saem de tua boca, são gestos sem leitura possível.
Trejeitos e sons, como se palrasses com uma criança. É o que tu és. É o que eu sou.

Shu…deixa-me falar
Entendo-te. Infantilidade sadia e crescente.
Sonho e porque não? Se me coagi a escrever sobre ti, poderias ser Platão.
Platão, senhor dos amores impossíveis e imperturbáveis.
Corroem a couraça dos tolos, os que se apaixonam. Por tudo e por nada.
Silencio, ao invés, de te anunciar que me desamanhas
Distancio-me sem perdão, sem espera, nem aviso.

Não te ouvi chegar.

segunda-feira, junho 27, 2005

Um pouco de silêncio I

Há muito que não vinha, aqui, dar o ar da minha graça, - se é que vós me achais graça - não tenho tido tempo, nem um pouco de silêncio.

Surge um pouco de silêncio nas palavras que me assaltam à noite.
Um pouco de silêncio, por favor.
Como que surgissem perversas, desenquadradas, desacertadas e julgadas durante o dia, como se elas deixassem de fazer sentido? Não seguem o seu rumo, tornaram-se desnaturais, e as que desensinam, e as outras simples reerguem-se sem som. Mudas, e inalcançáveis.
Ter-vos-ão dito que, sem voz, são secas. Ninguém as lê. Nem as entende. Niguém as ouve. Caem no marasmo do esquecimento, transformado num deserto de sal.
Palavras, letras, ditos, expressividades que se perdem. O trato num sem tacto. Elas escapolem na mente adversa de gentes. Sem rumo, sem destino.
Um pouco de silêncio por mim. Por favor.

Neste pouco silêncio que me resta nem, a quem amo, me ouve.
No pouco silêncio, a quem tento compreender, me vê. Eu estive sempre aqui.
Já não me ouves, já nem me sentes, já nem me cheiras. Talvez o odor se tenha esgotado, mesmo. Não sei.
A voz tenha doído tanto, que grito por um pouco de silêncio.

terça-feira, maio 31, 2005

Dias para tudo...

Hoje é o dia europeu do vizinho. E o dia mundial do não fumador. O ideal era um dia sem fumo. Portanto, hoje pelo menos, não fumemos. Bom, mas contra mim falo. Também fumo e, sei de cor os maleficios do tabaco. Não tenho nada contra estes dias, mas não acham que deveria existir o dia da mentira?
Mentirinhas graves que o nosso governo tem vindo a cometer. Para eles, é só ficarmos depenados, que está tudo bem. Juntos venceremos, os portugueses têm um dom para a tolerância que só visto. Não há governo que se "empoleire" que não minta. Portanto, nós que nem temos, nada a ver com o défice. Pelo menos, directamente, é que vamos ter de pagar a conta. Os governos anteriores fizeram a "merda" que fizeram. E nós, os trabalhadores, os que dão duro, os que pouco têm, os que ganham pouco, os que passam fome, ou que vão passar - nunca se sabe -, é que se vão ver gregos para pagar a factura contraída por eles. Aqueles que fogem ao fisco, que viajam com o nosso dinheiro, que lhes é tudo pago; desde telemóveis, a viatura, telefone fixo, etc. Porqe não pagarmos também as suas casas? Não se lembraram ainda!
Ora, isto é de uma injustiça sem explicação.

segunda-feira, maio 30, 2005

O "não" da França


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França diz "não""O dia mais não", escreve hoje em manchete o diário francês de esquerda "Libération" a propósito da votação de ontem no referendo sobre a Constituição europeia, que recolheu mais votos contra o documento. A esquerda e a direita francesas estão profundamente divididas sobre esta questão.

Publicado no Público a 30 de Maio de 2005

sexta-feira, maio 27, 2005

HANS CHRISTIAN ANDERSEN

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Danish author (1805-1875)


Ontem, par hasard, estava a dar no 2º canal um filme sobre este autor.
Era um pouco sobre a sua bibliografia. Sem ser documentário, era ficção. Muito engraçado. Eu não sabia muita coisa sobre ele. Sabia a sua nacionalidade e que escrevia contos para crianças.
Neste filme, percebe-se que, muito antes disso, começara a escrever poemas. Com uma imaginação tão fertil e descontrolada. As pessoas que o conheceram, ajudaram-no e fizeram com que ele, já que ele era extremamente pobre e não tinha ninguém - não sei se o filme corresponde à verdade, mas, durante muitos anos, viveu numa casota de cão - frequentasse a escola, para aprender, acharam que ele, a determinada altura, enlouquecera. Dizia-se que apanhara o "virus da loucura" que tinha o seu avó.
Gostei muito e fiquei agarrada ao écran até ao fim. No 2º canal é raro haver intervalos nos filmes.

segunda-feira, maio 23, 2005

Perpétuas

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A nudez, natural, bucólica.
Traz a vida e a morte, e quão queda serena, o cair das folhas no leito doce da terra.
Lembra o sentido da vida, trazendo calma à simplicidade do sonho.
Sossega o Outono que nunca mais tem fim.

Amássemos que...

Porque reages a algumas pessoas e a outras, nem por isso? A reacção surge anormalmente, para te defenderes, ainda que tenhas ou não razão. Não é o que todo o ser humano faz? Então?

Sentes-te, caído, sentenciado e, constantemente, avaliado, como se recuperasses de uma tremenda bebedeira. Como se te sentisses achincalhado e achas que não fazes parte do clã. Ainda que gostemos de ti. E tenhamos pena do que te tem acontecido. Mas és um querido. Contudo, manténs-te calado. Como se nada afectasse essa embriaguez. Deixas-te levar pela graça que as palavras têm nesse instante.

Só te lembras de manhã, quando acordas sobressaltado e com uma ressaca maior do que a bebedeira da noite anterior, de que poderias ter-te insurgido. Sentes-te mal. O que fizeste? Aceitaste. Reconheceste o erro. Sabendo à partida que a ressaca é um sentimento que justifica a autodefesa.

Sabendo que a alegação, é também um direito que te assiste, porque não empregá-la? Seria verdade? Ter-te-á o medo, de ti, apoderado, por irdes magoar quem não querias perder. Talvez, em parte. Contudo, hoje, vês as coisas de outra forma. Não que o erro seja reconhecido, só, pela metade. Mas a verdade é que, muitas das vezes, há metades certas e outras redondamente erradas.

Porque é tão importante medir e avaliar o regulamento social e financeiro para que te aceitem. Para que não tê sintas marginal. Inconscientemente, fazem com que te sintas excluído dum procedimento parvo e convencional. Nada fazes para mudar. Mas também nada fazes para te defenderes. Se nada nesta vida dura e vence. Só te ficam as recordações boas e más.

Vivências que, temporariamente, buscas para justificares os momentos felizes da tua vida. Os verdadeiros amigos, aqueles que se preocupam contigo. Os que gostam verdadeiramente de ti. Esses, sem dó nem perdão, dizem-te que erraste e erras. Lidar com tal é, verdadeira e perversamente, frustrante.

Mas também te cobram condição, e imagem representativa, aquela a que, sempre, estiveste acostumado. Nela te inserem ou te inseriste, sem dar por isso, desde muito cedo. Não será por isso que aguardam que ajas de determinada forma em determinado contexto. É muito vago, é certo. Mas é tão verdade e tão castrante. A vida, a mal ou a bem, ensina-nos o seguinte: se queremos vencer, se queremos aprender, singrar na vida temos de nos aliar aos que encabeçam.

Errado é. Sempre será. Mas não teremos, nós, o direito à escolha. Impingem, a toda hora, modelos e traços que devemos respeitar a um arquétipo de existência e feição de viver. Infelizmente, assim se passa. E é assim que agimos perante o mundo. É assim que agimos com os que nos rodeiam. Estipulamos padrões e degraus que devemos seguir. Ou seguimos essas pisadas, ou se não a imitarmos, somos diferentes, somos postos à borda de tudo. Colocados numa outra cerca que diferencia classes, categorias, laias, grupos, estirpes, castas, ascendências, sangues, etc.

O interesse, a vantagem e a utilidade são, hoje, palavras, atitudes, posturas, gestos que se vinculam fortes e redutores, finalizando em nós, um baptismo de sinónimos como a grandeza da nossa condição mais conveniente e determinante.

Será preciso tanto dogma, tanto cargo, tanto escalão, tanta imensidão para conquistar tanta “superficialidade” e no fim, o que fica para que te reconheçam nos dias que te faltam?

- Apesar de tudo, era uma excelente pessoa, e tão gratificante foi, tê-la(o) conhecido.

- Ou sempre foi um coitado, não teve sorte na vida. Nem filhos teve para perpetuar o apelido.

Mas será que, hoje, o amor já não vence?

Parece que tudo contrai podridão e caruncho.

terça-feira, maio 17, 2005

LES CHORISTES

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Vi este fim de semana um filme a não perder!
É de uma ternura extrema.
Faz lembrar um pouco o - "clube dos poetas mortos" - a união e a cumplicidade que existia entre os alunos. Este filme, apesar de, se situar num ambiente - tipo de colégio - diferente que alberga crianças de outro estatuto. Pobres, orfãos, etc. Não deixa de ser, também, um excelente filme.

segunda-feira, maio 16, 2005

Morre lentamente

A vida!


Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova e não fala com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o escuro ao invés do claro e os pingos nos is a um redemoinho de emoções, exactamente a que resgata o brilho nos olhos, o sorriso nos lábios e coração ao tropeços.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho.

Morre lentamente quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, ouvir conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte, ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem destrói seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, nunca pergunta sobre um assunto que desconhece e nem responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em suaves porções, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples ar que respiramos.
Somente com infinita paciência conseguiremos a verdadeira felicidade.

Pablo Neruda

ambígua a vida, não?

Ser, não ser
Ter, não ter
Saber, não saber
Estar, não estar
Querer, não querer
Sentir, não sentir
Chorar, não chorar
Rir, não rir

Apetecer, não apetecer... Não me apetece ter de me apetecer. Só me sinto bem onde não estou! Tento perceber estas querenças ambíguas. Ou não há explicação. E nem tem de haver. Quem sabe! Querer paz e querer luta. Dar sem querer receber. Dar para receber. Querer amar, não querer amar. Querer ser amado, não querer ser amado. Estranha feição de me ver.
Conhecer-me-ei verdadeiramente?

Tantos e tantos verbos, e quantas horas demorariam a achar um que se ajustasse à asserção. As palavras, hoje, ganham autonomia e assertividade pelos sentidos bocais arrojados, de e a quem faz sentido.
É bonito, é chavão, é intenso. E não é por isso que a profundidade caracteriza as palavras, encantando quem as entende, ainda que, assumam sensibilidades e sentidos extremos, mesmo que por vezes, não tenham nexo. Prosperamente, existem pessoas a quem as palavras deslumbram. A criatividade que as palavras propõem carregar, só o que se assume mais fragil e sensível, as decifra. Transportam tal impressionabilidade em códigos viciantes e sedutores, que a magia e a paixão que as palavras obtêm, faz com que contemplemos outro mundo. Que seja o da fantasia. E porque não?
A vida, por si, já é dura e concreta demais, para que nos mantenhamos neste estado de desgraça em que andamos - Cegos, insensíveis, inodoros, mortos - ou melhor, sobrevivemos. Nem é tanto assim.

Pablo Neruda, num dos seus poemas, dizia: ... morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito...

Catálogos e mais rótulos

Ocorreu-me esta ideia. E que não é, de todo, estapafúrdia.

Inevitavelmente, se pensarmos um pouco, já rotulámos alguém. Por qualquer motivo, provavelmente, estapafúrdio. Mas não é o ser humano, como animal pensador que é, que evita discernir essas discrepâncias? Claro que sim.
As nossas actuações revelam uma conduta habitual, neste sentido, o que faz de nós, insensíveis à palavra, e ao entendimento sagaz.
O encadeamento do nosso pensamento tolda-nos, muitas das vezes, o raciocínio que se pode tornar lógico ou ser agradavelmente iluminado e surpreendido, para que a ideia que possamos ter do alter – o outro – surja deturpada. Desfiguramos à partida qualquer ser que não gostemos. E por aí afora, vem o rótulo, a decepção, o desencanto, enfim toda uma série de defeitos aos nossos olhos.

- Não fazes parte do meu meio social e económico, não te identificas comigo, não me agradas, cheiras mal, não sabes falar, não tens formação superior, não me és compatível, para mim não serves – Estes e outros pensamentos prioritários que nos assaltam a medíocre organização da nossa intacta natureza mental. É a de que dispomos. E é inviolável. E não fazemos qualquer triagem, doa a quem doer.

Ora, os catálogos são necessários. É uma verdade. Colocada sobre nós e assente. Pensemos num catálogo vulgar. O seu objectivo principal é vir inscrito a discriminação das propriedades, assim como, o preço adjunto aos produtos. Utilizado, somente, em objectos, coisas, assuntos, temas, se quereis ter uma leitura mais abrangente. Nunca a, pessoas. Mas que o fazemos, sem dúvida alguma. Vivemos com esta ideia disposta. Para tudo, é preciso catálogos, rótulos, índices, róis, listas e estruturas sempre iguais e definidas.
Senão, abalroamo-nos ou abalroam-nos. A nossa estrutura está tão sedimentada e criada pelas nossas famílias e pelas leis sociais. Elas têm de se manter e continuar preservadas. Será que nunca o sentimos na pele?

sexta-feira, abril 29, 2005

Como vai a nossa polícia

É uma vergonha assistir, ao q se passou ontem. Uma colega estacionou ontem a sua viatura na av. prinicipal do parque das nações. Ao fim de um dia de trabalho, para se ir embora, só lá tinha o local.

Até aqui tudo bem, digamos que, como tem havido uma guerra com a EMEL entre as Câmaras Municipais de Lisboa e de Loures, estaciona-se onde se pode até porque os parquímetros que há, não funcionam.

Além disso, esta zona está cada vez mais povoada de escritórios e não temos sitio para estacionar. Não querendo ir contra a aplicação da lei, toda a gente, se pensarmos assim, deveria ser multada. Não se passam multas, só porque se embirra com determinada viatura. E isso acontece frequentemente.

Mas a questão, é preocupante. A minha colega principiou, desta feita, uma cruzada com todos os serviços inerentes ao problema e quase sem sucesso. Sem exagero, fez dezenas de telefonemas. O único lado positivo desta estória, é que se fica com todos os contactos, para uma eventual repetição.
Começou pelos serviços de reboque, polícia municipal, divisão de trânsito, PSP local e ninguém sabia da dita viatura. Não se entende como é que não há - ou se há é muito pouco - cruzamento de informação entre os vários parques de reboque e os diversos serviços que tratam destes assuntos.

Depois soube-se que o parque do Campo Grande - se não me falha a memória - não tem telefone, e ontem houve futebol. Como eles se comunicam por rádio, era impossível saber, naquela altura, daquela informação. Ela tinha de esperar que o jogo acabasse. Os rádios estavam ocupados só para aquilo.
E não se criam alternativas? Os rebocados em dias de futebol, estão bem arranjados, têm de esperar pelo dia seguinte para saber do carro. Isto de facto, merecia ir à DECO. Portanto, a minha colega às 21.00 ainda não sabia da viatura. Até hoje não sei o que se passou. Hoje, ainda não veio trabalhar.
E assim corre o nosso País.

quarta-feira, abril 27, 2005

Qual quê

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Quanta poesia se perde pelos trilhos de cada dia.

Somos figurantes e figurinos das nossas próprias locuções.
Plateias dos nossos trechos, certezas únicas transformadas em letras que se vão esbatendo na insignificância, na desilusão, na inoportunidade, no desencanto do tempo.

Qual quê: o que nos é fadado, o que temos espetado no corpo desde que nascemos, desde que somos gente, desde que nos conhecemos, desde que nos conhecem.

Esperam um cumprimento de regras, falsas anuências, verdadeiras asperezas, incongruências, obliquidades e formatações despropositadas.


sensibilidade à flor da pele

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Há sempre filmes que nos comovem, verdadeiramente. Os que nos marcam de uma forma negativa ou positiva, por ter uma ou outra cena, comovente ou chocante. Alguns deles são um marco na história do cinema. E o "Cinema Paraíso" é um deles.

Ultimamente, tenho tido a oportunidade de ver outros filmes bons, e também europeus, que não conhecia. Já tinha ouvido falar deles, mas nunca tinha conseguido vê-los. Um grande feitio ter comprado um DVD, para aderir às novas tecnologias, e enriquecer cinematograficamente.

Este "Cinema Paraíso" de Giuseppe Tornatore é uma verdadeira reliquia. Já o vi quatro vezes e choro sempre. Principalmente com o final. É um, dos finais mais mágicos e perfeitos.
A cena dos beijos é uma cena tão bem conseguida, e com a música esplêndida do Ennio Morricone que é impossível ficar indiferente. Permanece no Top 10 dos meus preferidos.
Não nos podemos esquecer de Philippe Noiret, magnífico actor com um historial de invejar. "La grande Bouffe"; "O carteiro de Pablo Neruda"; "la Vie en Chateau", com Catherine Deneuve. Lembro-me destes. Porque os vi.

terça-feira, abril 26, 2005

Há sempre alguém que nos faz falta

Ilustres visitantes, vejo-os tão pouco. Poucos, é o que são, ou, quase, nenhuns. Não será a mesma coisa? Qualquer dia, serei a única. Não me maça. Achei relevante falar sobre, por ser um blog que reflecte, sobretudo, de emoções. Disparates, é o que é! Dir-me-iam, vocês!
São palavras tão intimas que partilho, e sem razão de ser, a um espaço que se entende como um diário, que não é, e visto ser algo a que tanta gente tem acesso. Bull sheet! It´s true, but it´s only our sense. The meaning of life. Don´t you think so?
O que de mais básico existe em nós, torna-nos tolos? É isso?
E para quê? Se pudemos evitar, qual é a recompensa ao expormo-nos a quem não nos merece. Se pudemos aniquiliar, de início, o que ainda não aconteceu. E pode ser terrível, castrador. E para toda a vida. Melhor será nem falarmos sobre o assunto. Vivemos despreocupados, desatentos, e a vida passa-nos ao lado. Tão bom seria, sentirmos absolutamente nada. Uma amiga dizia-me muitas vezes que a ignorância é um estado de graça. E não é? Dá jeito. Basta!
Mas eu cá por mim, quero sempre mais, quero escapar à rotina dos dias.
Toda a minha vida quis sempre mais. Espero sempre mais de alguém que me faz falta...
Mas quem eu quero está sempre tao longe de mim. Longe dos sonhos que procuro.

simplicidade frágil

Solidão. Fragilidade desacompanhada. Escape desatinado. Foleirice ajustada. Desequilíbrio. O que é ser normal? O que é ser simples. Frágil. Insignificante. Perceber a incompreensão que fazemos constar aos outros.
Ou é a felicidade que não dá tréguas. Viaja por nós e, larga bocados de estórias daqui e dali.
Expele ausência de tudo e nada. Não pedes muito. Nem tens de ser modelo.
Só reclamas por um afago. Desejo-te um excelente dia. Podias tapar-me as costas com aquele xaile. Lembra-me de ti. Podia tapar-te as pernas, a janela está ligeiramente aberta. Sentes frio.
Podias arredar-me o cabelo para trás da orelha, ou é-te dificil.
Não insisto, mas sabia-me bem tocares-me no queixo. Não te dá jeito, ou és tímido ou não queres que te leia a alma, mas se me contares uma estória, dormirei muito melhor.
Queres que te puxe a roupa para cima? Prometo que dormirei como um bébe.
Não tens de ser sensual, se é essa a dificuldade, sê carinhoso. Podias?!! Podias!!? Tantos podias... Queres mesmo? Publica as tuas vivências em meu corpo, musicaliza o que te faz feliz. Pega num lápis. Podias desenhar claves, e o mar. Não te esqueças das planicies, montanhas e jardins cheios de pétalas e folhas a cair. Sinto-as a cair em meu ventre.
Não tens que me beijar. Passo, ao de leve, os meus dedos esguios pelos teus ombros, e soltas um gemido, como se a alça do meu soutien se quisesse soltar. Revoltas a minha pele suave. Transformas num dia comum horas que não quero esquecer. Fazes significar um dia de cada vez. Amanhã poder-me-ias sussurrar: "Quão bom é ter-te a meu lado."
Beijo-te na testa e levas a frágil lembrança do que quero esquecer.

quarta-feira, abril 20, 2005

Guillotine...

Na semana passada foi cartaz, uma performance em co-produção com um grupo de alunas de 13 a 15 de Abril de 2005 na Sala 108, pelo Departamento de Teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema.

apresenta

GUILLOTINE

Sinopse Num mundo onde as pessoas são até ao pescoço, são até onde se podem encharcar de enjoo...
Resta o som cortante da lâmina.

Com texto de Andreia Farinha
Interpretação Mia Farr Tatiana Nozes Pires
Cenografia Andreia Farinha
Figurinos e Caracterização Carla Ferreira Rita Guerreiro
Encenação do colectivo

Gostei da performance. Considero o texto bastante agressivo e sofredor. Capaz dos nossos dias e perfeitamente aceitável e compreensível. Não podia ser mais apelativo social e moralmente. Os valores que se perdem num nicho de regras que temos de seguir e aplicar.
A liberdade de ser o que se é. Esta foi a leitura que fiz da performance.
A depressão comum, que nos leva muitas vezes ao suicidio. A insatisfação e a solidão.
Achei muito original a forma como o público se posicionou. Alguns sentados em cadeiras, outros no chão. A parte interessante é que todos tinhamos de enfiar literalmente a cabeça num pano que estava suspenso nas extremidades da sala. Só se viam as nossas cabeças. Dai Guillotine.

Beijo
Parabéns à Andreia