Quando tudo me parece ganhar sentido, foge-me a influência.
As palavras não saem, os afagos reprimem-se e, transformo-me numa outra pessoa.
Não consigo ser, atrapalho-me e não verbalizo metade do que tinha para te dizer.
Parece-me sempre que um outro universo se apodera dos meus feitos e sinais futuros, para se encontrarem ao dispor de outro alguém…
Será a inocuidade a revelar realidades que perdem o significado e põem termo às mensagens mal esclarecidas. A ausência distinta ao invés da fluidez natural do que, supostamente se quer dizer e se sente.
A falta de aprendizagem faz-me tropeçar no coração e a agilidade do que sou, do que aprendi, do que me tornei, volve-se numa agradável farsa. É tudo uma manha pegada quando apregoou que, desta vez, será desigual. Seremos sempre equitativos. O conceito é o mesmo, é aquele com que sempre lidei. Pois se nunca conheci outro.
E a facilidade com que me relaciono e, nos decepciono, altera completamente o rumo a um passo descompassado e antecipa o fim da narrativa.
Narrativas vivenciadas, elas perseguem-me, dominam e conduzem a mais uma que se esgota. É um ciclo de existências gastas e plenas de razão. E é como um lapidar idêntico, e, embora constante se acaba por se estilhaçar! Quase como se eu tivesse que as desfragmentar! Ou me visse obrigada a!
Nunca terei saber suficiente para abdicar de cometer os mesmos enganos, ou parecidos!
As relações serão sempre um mistério. Nunca nos conseguimos superar na totalidade de quem gostamos. Haverá indulgência para quem se quer mostrar diferente, desta vez? Só desta vez?! No desfecho, pensarei inevitavelmente o mesmo!
Eloquência tens-me enganado ao longo dos anos. Expressividades sinceras e definitivas… Tens gerido e clarificado o meu destino. Não há absolutas verdades, mas o facto de morares ao meu lado, tem feito a vida igual a si mesma.
Terei aberto o ciclo demasiado como sempre o faço, para que tu rejas o nosso universo. Se nunca houve nada. A minha cabeça agido à maneira do que nunca quase o meu corpo acompanha…é como se andasse desfasada do universo que me rodeia.
O meu corpo lá e a minha cabeça aqui. Ao juntá-las cresceria, amadureceria e explicar-te-ia como mudei! Mas não queria dizer que mudei por ti, mas por mim!
"A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais..." - Sofia de Mello Breyner Andresen,
sexta-feira, junho 09, 2006
sexta-feira, maio 26, 2006
Palhaço de chocolate

Era uma vez uma menina chamada Sara. Ela vivia com a sua avó desde que se lembra.
De olhos cor de amêndoa, sardenta e com umas longas tranças meio aneladas enfeitiçava quem se passeava pela rua. Na posse de um sorriso do tamanho do Sol, dizia olá a quem se metesse com ela.
Todos os dias, a caminho da escola e pela mão de sua avó, pedia-lhe que parassem, por uns segundos defronte de uma vitrina.
Uma vitrina enorme, toda ela feita de chocolate. Desde bolos a bombons, trufas, e alguns brinquedos. Um deslumbramento para qualquer criança. O que lhe despertava, ainda mais a atenção, era um palhaço imenso com um semblante sorridente, um olhar farto de ternura. Parecia falar com ela.
E a face inundava-se-lhe de alegria. Um palco de satisfação para ambas.
Sendo, uma família de poucas posses, a avó nem sempre lhe comprava o que ela queria. No entanto, Sara desde muito bebé que aprendera isso, mas bastava a avó olhar para os seus olhinhos vivaços, para perceber o que queriam dizer.
Para Sara, o mais importante era poder admirar aquela montra e, se fazia toda a diferença por breves minutos, contemplar aquele palhaço.
Um dia, a avó, deixa a neta na escola e entra na confeitaria. Pede para falar com alguém responsável. Ficara com medo de que o palhaço desaparecesse dali. E, após as explicações ao dono da dita doçaria, pede para que não venda aquele palhaço.
O senhor Ernesto da chocolataria concordou. Nunca a Sara soubera que a avó tinha ido falar com ele. Um dia, o senhor Ernesto atento à chegada de Sara e sua avó, chamou-as. Ela entra contente e meia envergonhada e diz-lhe que o palhaço dela tem nome e, que costumavam falar um com o outro. Enternecido com aquele monólogo, dá-lhe um chocolate pequenino em forma de palhaço, igual ao palhaço da montra.
Todas as manhãs, o senhor Ernesto estava à coca de Sara para lhe oferecer o palhacinho de chocolate, que lhe fazia companhia até à escola.
Reinventar
A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia.
O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo.
Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida.
E quantas são? Se a Vida tem é idimensões? Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem.
Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.
Mia Couto
O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo.
Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida.
E quantas são? Se a Vida tem é idimensões? Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem.
Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.
Mia Couto
quarta-feira, maio 17, 2006
As pessoas mentem. Às vezes porque estão aborrecidas, às vezes porque querem algo diferente, às vezes porque são tímidas e querem sentir-se outras pessoas. (...)
A possibilidade de me tornar igual a todos os outros, não apenas nos meus comportamentos, mas também na minha estrutura interna tornar-me-ia incapaz de sentir coisas reais...
A possibilidade de me tornar igual a todos os outros, não apenas nos meus comportamentos, mas também na minha estrutura interna tornar-me-ia incapaz de sentir coisas reais...
segunda-feira, maio 15, 2006
Hoje
... quero ser pássaro… tocar o céu e ser feliz
Assistir ao nascimento de um ou outro girassol,
À chegada do vento ameno e doce,
Sentir as trovoadas de verão, a tocar-me a face
E dizerem-me que os seixos que moram
em mãos que ferem ... a chuva há-de levar.
Quero ser insecto e … vaguear livre e solto
Pelas ramagens enlameadas que a terra tratou de atulhar.
Quero ser flor para te poder tocar,
se me cheirares.
Quero ser rio, banhares-te em mim,
Sem que o acaso anuncie que eu cheguei.
Quero ser fruto, deleitar-me em tua boca,
Afeiçoado em sabores por descobrir,
Odores a reconhecer, extemporâneos e incontamináveis
Que se concretizarão.
Isto e aquilo,
Pudera eu buscar nestes longos devaneios
A tua essência, a tua alma, a tua sabedoria e,
Transformá-la em meros enleios mirabolantes…
Ah, pudera eu enlevar-me ao saber-te que me conheces!
Assistir ao nascimento de um ou outro girassol,
À chegada do vento ameno e doce,
Sentir as trovoadas de verão, a tocar-me a face
E dizerem-me que os seixos que moram
em mãos que ferem ... a chuva há-de levar.
Quero ser insecto e … vaguear livre e solto
Pelas ramagens enlameadas que a terra tratou de atulhar.
Quero ser flor para te poder tocar,
se me cheirares.
Quero ser rio, banhares-te em mim,
Sem que o acaso anuncie que eu cheguei.
Quero ser fruto, deleitar-me em tua boca,
Afeiçoado em sabores por descobrir,
Odores a reconhecer, extemporâneos e incontamináveis
Que se concretizarão.
Isto e aquilo,
Pudera eu buscar nestes longos devaneios
A tua essência, a tua alma, a tua sabedoria e,
Transformá-la em meros enleios mirabolantes…
Ah, pudera eu enlevar-me ao saber-te que me conheces!
quinta-feira, maio 04, 2006
O Livro dos Amantes
Pusemos tanto azul nessa distância ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
Natália Correia
e ficamos nas paredes do vento a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
Natália Correia
É talvez o último dia da minha vida.
É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.
Alberto Caeiro
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.
Alberto Caeiro
terça-feira, maio 02, 2006
Desencontros
Decidi ir escrevendo num guardanapo o que conheci de ti.
As palavras mais simples escapuliam. Contrastes, opções, desencontros e impressões abandonavam a fantasia para o papel. Uma autêntica carraspana de verbos e adjectivos enchia a folha de papel meio esfarrapada.
Despejaste o pacote de açúcar no cinzeiro sem querer, mas ainda assim cedeste a uma gargalhada. – e logo percebi que alguma coisa te inquietava. Sendo importante não me parece que consigas permitir esse ou nenhum outro momento de delícia a quem te observa.
Naquele feriado chovia a cântaros. Tinhas trabalho por terminar, mesmo assim, saíste de casa. Precisavas de espairecer. De pensar em tudo e, em nada.
Apetecia-te, meditar buscando por fundo, o burburinho do café. Do que vi, o que mais gostei foi, de teu cabelo. Era bestialmente liso e luminoso e assumia em baixo, na nuca, algumas afluências díspares de um acinzado ténue.
Teu impermeável pendurado no bengaleiro, pingava. Sorrias se davas uma passa. Sorrias se alguém entrava. Parecia um sorriso meio agitado. Nunca tinha visto ninguém saborear um cigarro como tu. Pelo menos, relacionar-se assim com eles. A maior parte dos fumadores já não sente o que fuma. Apesar de pensares, constantemente, em deixar de fumar.
Quando te certificaste, que as mãos estavam secas, tiraste um bloco da pasta que trazias e começaste a gatafunhar. Não percebi o que o teu semblante transportava para o registo. Pediste outro café, porque te apeteceu o pequeno chocolate que trazia.Pediste a conta e guardaste o bloco. Soltaste um esgar - por não teres a certeza que eu vá entender a tua letra.
Passaste por mim e voltaste a sorriste de uma forma mordaz. Como que pressentisses a minha curiosidade. A ansiedade que aquelas palavras que escreveras naquele bloco, me provocaram. Vestiste o impermeável e entraste na rua, onde continuava a chover.
Dali a instantes, fiquei lívida. Voltaste atrás. Pensei que me fosses dirigir a palavra. Deixaste a folha meio rasurada em cima da minha mesa e saíste porta fora. Falavas de mim. Um pensamento.
As palavras mais simples escapuliam. Contrastes, opções, desencontros e impressões abandonavam a fantasia para o papel. Uma autêntica carraspana de verbos e adjectivos enchia a folha de papel meio esfarrapada.
Despejaste o pacote de açúcar no cinzeiro sem querer, mas ainda assim cedeste a uma gargalhada. – e logo percebi que alguma coisa te inquietava. Sendo importante não me parece que consigas permitir esse ou nenhum outro momento de delícia a quem te observa.
Naquele feriado chovia a cântaros. Tinhas trabalho por terminar, mesmo assim, saíste de casa. Precisavas de espairecer. De pensar em tudo e, em nada.
Apetecia-te, meditar buscando por fundo, o burburinho do café. Do que vi, o que mais gostei foi, de teu cabelo. Era bestialmente liso e luminoso e assumia em baixo, na nuca, algumas afluências díspares de um acinzado ténue.
Teu impermeável pendurado no bengaleiro, pingava. Sorrias se davas uma passa. Sorrias se alguém entrava. Parecia um sorriso meio agitado. Nunca tinha visto ninguém saborear um cigarro como tu. Pelo menos, relacionar-se assim com eles. A maior parte dos fumadores já não sente o que fuma. Apesar de pensares, constantemente, em deixar de fumar.
Quando te certificaste, que as mãos estavam secas, tiraste um bloco da pasta que trazias e começaste a gatafunhar. Não percebi o que o teu semblante transportava para o registo. Pediste outro café, porque te apeteceu o pequeno chocolate que trazia.Pediste a conta e guardaste o bloco. Soltaste um esgar - por não teres a certeza que eu vá entender a tua letra.
Passaste por mim e voltaste a sorriste de uma forma mordaz. Como que pressentisses a minha curiosidade. A ansiedade que aquelas palavras que escreveras naquele bloco, me provocaram. Vestiste o impermeável e entraste na rua, onde continuava a chover.
Dali a instantes, fiquei lívida. Voltaste atrás. Pensei que me fosses dirigir a palavra. Deixaste a folha meio rasurada em cima da minha mesa e saíste porta fora. Falavas de mim. Um pensamento.
segunda-feira, abril 24, 2006
O Amor também se revolta
Afinal o que é o Amor?
O Amor proclama, reclama, persevera…
Ninguém sabe responder o que é…
Diz-se só que é o que se sente...
…o que nos falta.
É fogo que arde sem ver…já dizia o Poeta
O fogo arde, e até quando …
a camuflagem que usamos, não nos consome a estima oferecida…
Não será assim?
Precisamos de amontoar tantas emoções
De abrigar tantos sentires conformados e impermeabilizados
Em cadafalsos adversos à realidade!
De momentos de consternação que interiorizamos,
Para que nos impeçam de esclarecer,
O que já há muito é fadado.
Opiniões, métodos, idiossincrasias correctas…
À beira dos encantos, vestimos a pele de personagens feitos de artimanhas, de luxúria, de jogos de seduções, de demência, e somos alvo de situações cómico-decandentes.
Criamos chavões e atitudes arredadas,
Eliminamos o que nos percorre as entranhas mais entranhadas …
Não enaltecendo tal e qualquer tipo, a existência, ou então, de que nos serve
Tantos esgares, tantos pressentimentos e, tantas ditas comoções que não são ditas.
Para quê?
Fortuna é só aquilo o que vem no dicionário!
Fado é só um sinónimo, de tantos, que conhecemos?!
Temas eloquentes que ficam só para os entendidos!
Tanto infortúnio para findarmos da mesma forma…
Não será noutros momentos da nossa vida…como a doença ou a morte
Que nos lamentamos do que perdemos, do que interrompemos…
E afinal o que é interromper, o que nem chegou a começar!
O Amor revolta-se…
Dão-se alvíssaras a quem O encontrar…
sexta-feira, abril 21, 2006
A revolta dos pasteis...
Quem não viu ontem a "Re-estreia" em directo da Revolta dos pasteis de nata, aconselho.
Tem novo look , novos actores, novos sketches.
O canal 2 vai repetir os directos de quinta-feira, aos sábados e domingos, à tarde a seguir à hora de almoço.
Ontem o tema era sobre a burocracia. O novo método, tão bem, apelidado pelo Estado português (ehehe) "Simplex".
Vai servir - pensamos todos nós - para desburocratizar os serviços públicos. Vai deixar de acontecer aquela máxima do papel.
- O papel? - qual papel? - O papel! - Mas qual papel?. - O papel.
quarta-feira, abril 19, 2006
...deixaste um beijo
Sonhava...
Alvoraçada acordei, e deslumbrei.
Ficou o teu cheiro, e a tua graça
deixaste um beijo,
No travesseiro.
Um afago correcto, privilégio doce
Ecos supérfluos...
Palavras desaprovadas, improperadas.
Nunca soubeste o que verbalizar.
Senti apenas uma brisa no ar, foras tu.
Não te julguei, nem te senti
Ao fundo a porta a bater.
Deixaste um adeus
Sei que foi um Adeus… dos que não voltam.
Pensei que o mundo fosse nosso.
Pelo que, o Sol continua a brilhar,
As flores continuam a nascer,
A chuva não pára de cair
Permanece a lembrança…
Deixaste apenas um beijo
No travesseiro.
Alvoraçada acordei, e deslumbrei.
Ficou o teu cheiro, e a tua graça
deixaste um beijo,
No travesseiro.
Um afago correcto, privilégio doce
Ecos supérfluos...
Palavras desaprovadas, improperadas.
Nunca soubeste o que verbalizar.
Senti apenas uma brisa no ar, foras tu.
Não te julguei, nem te senti
Ao fundo a porta a bater.
Deixaste um adeus
Sei que foi um Adeus… dos que não voltam.
Pensei que o mundo fosse nosso.
Pelo que, o Sol continua a brilhar,
As flores continuam a nascer,
A chuva não pára de cair
Permanece a lembrança…
Deixaste apenas um beijo
No travesseiro.
segunda-feira, abril 03, 2006
Os coracões tb se gastam
Um conto de Pedro Paixão
Há dias, sabes, em que gostava de ser como o gato e que me tocasses sem desejar encontrar quaisquer sentimentos a não ser o que se exprime num espreguiçar muito lento - um vago agradecimento? - e que depois me deixasses deitado no sofá sem que nada pudesses levar da minha alma, pois nem saberias o que dela roubar.
(Assinar a pele, conto) P.P.
(Saudades de Nova York) - P.P.
Quem não está confuso corre o risco de estar enganado, pior, de se estar a enganar.
(Saudades de Nova York)
(Saudades de Nova York)
sexta-feira, março 24, 2006
liberdade
Hoje, queria tanto ausentar-me de mim, esquecer-me de mim.
Vejo, ao longe, a proeza. Ela pode começar.
Se eu não temer o que não fiz.
Se eu acreditar nos pedaços que posso ter.
O percurso até pode estar certo, aquele que me parece incerto.
Não existem "locais fechados"... só, as chaves certas.
Existe uma porta ao fundo da rua que se chama liberdade,
Não interessa o que sonhamos,
Não interessa o que vemos,
Não interessa que acordemos,
Ou o que poderia acontecer.
Mas para todos os mistérios, há um desvendar.
Não interessa que tenhamos de recompensar fragmentos vitais
Que se revelam ineficazes,
O que pretendo é paz e equilíbrio,
Não quero chorar pela dor ou desespero
Porém, quero lavar a alma e o pensamento.
E seguir em frente para ver o que está para lá dessa porta.
A que chamam liberdade.
Vejo, ao longe, a proeza. Ela pode começar.
Se eu não temer o que não fiz.
Se eu acreditar nos pedaços que posso ter.
O percurso até pode estar certo, aquele que me parece incerto.
Não existem "locais fechados"... só, as chaves certas.
Existe uma porta ao fundo da rua que se chama liberdade,
Não interessa o que sonhamos,
Não interessa o que vemos,
Não interessa que acordemos,
Ou o que poderia acontecer.
Mas para todos os mistérios, há um desvendar.
Não interessa que tenhamos de recompensar fragmentos vitais
Que se revelam ineficazes,
O que pretendo é paz e equilíbrio,
Não quero chorar pela dor ou desespero
Porém, quero lavar a alma e o pensamento.
E seguir em frente para ver o que está para lá dessa porta.
A que chamam liberdade.
pranto
"Nenhuma pessoa merece tuas lágrimas e quem as merece não te fará chorar."
(Gabriel García Marquez)
(Gabriel García Marquez)
a força do pudor
Essencial é escrever sobre algo q nos agrada. Discutivel ou não. Abrangente ou não.
Desde que se goste. Não pretendo satisfazer, todas as massas - leitores/curiosos - da blogsfera.
Achei interessante fazer uma pesquisa sobre o pudor.
Eu não sou pudica, raramente, só em situações novas e desconhecidas.
quantas vezes dizemos que: O que não se vê, mas se imagina, é mais provocador do que o que se vê normalmente, porque as circunstâncias fazem com que esse modo simples de se vestir seja o único possível e, portanto, que seja pudico. Nessas condições, a percepção do conjunto da sociedade está habituada a expressar o pudor e o "impudor" sempre dessa maneira.
Por exemplo, num contexto tribal, sem nenhuma cultura nem técnica, as circunstâncias ambientais tornam a roupa inadequada, pelo que, os indígenas, andam quase nus. O pudor costuma expressar-se dissimulando o estritamente sexual, com simples vestes. Mas quando uma mulher quer chamar a atenção do homem, o que faz é precisamente cobrir o peito. O contrário.
Quando as leis do pudor estabeleceram o que define a intimidade corporal, estabelece-se uma união entre a intimidade pessoal e a intimidade corporal. As duas caminham a par, porque a pessoa é corpo e espírito. Quando se entrega o corpo, entrega-se o espirito. E quando se abre a intimidade corporal, abre-se a intimidade pessoal. Separar esses dois factores produz uma ruptura interior da pessoa.
Por esta razão, os que se amam, procuram a intimidade.
Desde que se goste. Não pretendo satisfazer, todas as massas - leitores/curiosos - da blogsfera.
Achei interessante fazer uma pesquisa sobre o pudor.
Eu não sou pudica, raramente, só em situações novas e desconhecidas.
quantas vezes dizemos que: O que não se vê, mas se imagina, é mais provocador do que o que se vê normalmente, porque as circunstâncias fazem com que esse modo simples de se vestir seja o único possível e, portanto, que seja pudico. Nessas condições, a percepção do conjunto da sociedade está habituada a expressar o pudor e o "impudor" sempre dessa maneira.
Por exemplo, num contexto tribal, sem nenhuma cultura nem técnica, as circunstâncias ambientais tornam a roupa inadequada, pelo que, os indígenas, andam quase nus. O pudor costuma expressar-se dissimulando o estritamente sexual, com simples vestes. Mas quando uma mulher quer chamar a atenção do homem, o que faz é precisamente cobrir o peito. O contrário.
Quando as leis do pudor estabeleceram o que define a intimidade corporal, estabelece-se uma união entre a intimidade pessoal e a intimidade corporal. As duas caminham a par, porque a pessoa é corpo e espírito. Quando se entrega o corpo, entrega-se o espirito. E quando se abre a intimidade corporal, abre-se a intimidade pessoal. Separar esses dois factores produz uma ruptura interior da pessoa.
Por esta razão, os que se amam, procuram a intimidade.
..."Não porque vão fazer algo vergonhoso, mas porque a vista não transmite a verdade de um amor autêntico.
O que é expressão de carinho pode ser interpretado como mero uso sexual. E aqueles que se amam não estão dispostos a sofrer a vergonha de semelhantes interpretações.
Só os animais, e nem sequer muitos deles, fazem o acto sexual à vista de outros. A intimidade pessoal autêntica exige uma intimidade e descrição físicas, uma segurança exterior.
Por isso nenhuma representação artística da intimidade conjugal faz justiça à verdade dessa relação. Não é possível uma representação artística digna e moral dessa intimidade.
É inevitável que seja interpretada por muitos, ainda que sem culpa, ao nível da simples prostituição. Quando uma pessoa não se importa com isso, é que perdeu a sua dignidade pessoal. Não lhe resta já uma intimidade a salvaguardar. É puro objecto. "
Num momento, como o actual, em que é tão grande a carga erótica das modas, apregoada através dos meios de comunicação. Eu pergunto como manter uma atitude correcta quanto à estética da sexualidade. Convém aqui recordar que ver não é o mesmo que olhar.
Num momento, como o actual, em que é tão grande a carga erótica das modas, apregoada através dos meios de comunicação. Eu pergunto como manter uma atitude correcta quanto à estética da sexualidade. Convém aqui recordar que ver não é o mesmo que olhar.
Acho que se refrearmos esses impulsos da imaginação e do desejo teremos um dos meios de auto-educação.
Essas faculdades, servir-nos-ão adequadamente à capacidade de amar quepodemos vir a ter por aquela pessoa. Só essa educação conseguirá integrar os diversos níveis da nossa sexualidade e fazer que o corpo e a mente sejam bons instrumentos do nosso amor.
quinta-feira, março 23, 2006
Dia da poesia
"...A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível.
O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais..."
Sofia de Mello Breyner Andresen,
O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais..."
Sofia de Mello Breyner Andresen,
quarta-feira, março 08, 2006
Dia da Mulher
Se te abraçasse
Largava o teu corpo demorado no meu,
E deitava-me com ele, sem doidices
Só para te ter mais ao pé.
Só partilhava
O sossego das manhãs,
o burburinho das tardes
E a excelência das noites.
E o rouxinol.
Ele parava à beira da janela e,
Contar-me-ia de, existências nobres,
Do gotejar da chuva.
Das danças celebradas aos que abandonam a vida
Em labirintos emaranhados.
Se, ao menos, eu te abraçasse
Ficaria descansada.
Os girassóis cresciam e,
O verão chegava.
E o “amanhecer” jamais se ofenderia
Pelo orvalho.
Se ressentia das noites sem dormir.
Se, ao menos, eu te abraçasse
Podia colher uma flor
Que morria á sede.
Trataria dela como um filho, eu tivesse.
Se, ao menos, eu te abraçasse
Largava o teu corpo demorado no meu,
E deitava-me com ele, sem doidices
Só para te ter mais ao pé.
Só partilhava
O sossego das manhãs,
o burburinho das tardes
E a excelência das noites.
E o rouxinol.
Ele parava à beira da janela e,
Contar-me-ia de, existências nobres,
Do gotejar da chuva.
Das danças celebradas aos que abandonam a vida
Em labirintos emaranhados.
Se, ao menos, eu te abraçasse
Ficaria descansada.
Os girassóis cresciam e,
O verão chegava.
E o “amanhecer” jamais se ofenderia
Pelo orvalho.
Se ressentia das noites sem dormir.
Se, ao menos, eu te abraçasse
Podia colher uma flor
Que morria á sede.
Trataria dela como um filho, eu tivesse.
Se, ao menos, eu te abraçasse
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