quinta-feira, maio 04, 2006

O Livro dos Amantes

Pusemos tanto azul nessa distância ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.


Natália Correia

2 comentários:

de Sá disse...

"estátuas a morder-nos na carne de um segredo" ... mmmm- qual será o sabor de um segredo que subsiste...

nobreka disse...

sim, gostava de ser segredo de alguém para poder fazer parte de si mesmo e, assim poder saborear o gostinho que um segredo transporta..."