Um domingo qualquer,
uma exposição agradavel.
http://www.gulbenkian.pt/v1/home.asp
"A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais..." - Sofia de Mello Breyner Andresen,
segunda-feira, novembro 28, 2005
Vento discorde, circundante,
Traz, de novo, contigo o poder de uma doce metamorfose
Entre pétalas e ramagens,
anuncias rendez-vous esbatido em cores e cheiros.
Assemelhas-te a, ósculos que ao de leve tocam e marcam.
Em tempos, jorravas brisa constrangida, numa jocosidade impetuosa,
Recordo um rio a fluir, maresia, o mar profundo …
torrentes espalhadas figurantes, entrelaçavam-se em vagas
dilaceradas por qualquer embarcação.
No entanto, mimavas a imensidão pura e selvática,
Sabia o que fazer... descaradamente me alumiavas.
Continuas a ser aquele beijo que nunca mais vi,
Para mim eras mar e vento,
Eras a natureza em bruto,
A nostalgia lembra-te belo e ténue
Época houve, em que me perdia em ti,
Uniam-se à minha chegada e,
Eras uma doçura, quase incompreensível ao sabor.
Gosto, toque, doce ainda te tenho na boca.
Hoje belicosamente só me sabes a sal,
tormentas interiores abandonadas em saliva,
sobrevivem às reminiscências …
Desejo. Visualizo-te. Ao longe. És degrau superior.
Porque me enjeitas.
Longos foram os dias q te bradei, sem resposta
Desafiavas-me, não te reconheço
Pouco te estimei e, foste desenvolvendo espaço vazio.
Vazio, Vão. Oco. Lembranças incompletas,
Palavras rasuradas, inconsequentes
Ofensas destronadas, gestos arrojados.
Só te recordo em bruto.
Ainda eras um molde por descortinar que,
Converti num todo, e basilar, vivias.
Reagias ao olhar, ao toque, ao coração,
E ao teu perfume, criámos a melodia certa
Meiguices dançantes, beijos memoráveis
Na tua música engrandeci.
Recordo-te (em) bruto.
És beijo que não esqueci.
Traz, de novo, contigo o poder de uma doce metamorfose
Entre pétalas e ramagens,
anuncias rendez-vous esbatido em cores e cheiros.
Assemelhas-te a, ósculos que ao de leve tocam e marcam.
Em tempos, jorravas brisa constrangida, numa jocosidade impetuosa,
Recordo um rio a fluir, maresia, o mar profundo …
torrentes espalhadas figurantes, entrelaçavam-se em vagas
dilaceradas por qualquer embarcação.
No entanto, mimavas a imensidão pura e selvática,
Sabia o que fazer... descaradamente me alumiavas.
Continuas a ser aquele beijo que nunca mais vi,
Para mim eras mar e vento,
Eras a natureza em bruto,
A nostalgia lembra-te belo e ténue
Época houve, em que me perdia em ti,
Uniam-se à minha chegada e,
Eras uma doçura, quase incompreensível ao sabor.
Gosto, toque, doce ainda te tenho na boca.
Hoje belicosamente só me sabes a sal,
tormentas interiores abandonadas em saliva,
sobrevivem às reminiscências …
Desejo. Visualizo-te. Ao longe. És degrau superior.
Porque me enjeitas.
Longos foram os dias q te bradei, sem resposta
Desafiavas-me, não te reconheço
Pouco te estimei e, foste desenvolvendo espaço vazio.
Vazio, Vão. Oco. Lembranças incompletas,
Palavras rasuradas, inconsequentes
Ofensas destronadas, gestos arrojados.
Só te recordo em bruto.
Ainda eras um molde por descortinar que,
Converti num todo, e basilar, vivias.
Reagias ao olhar, ao toque, ao coração,
E ao teu perfume, criámos a melodia certa
Meiguices dançantes, beijos memoráveis
Na tua música engrandeci.
Recordo-te (em) bruto.
És beijo que não esqueci.
quarta-feira, outubro 26, 2005
Respiro o teu corpo
Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
Eugénio de Andrade
terça-feira, outubro 25, 2005
África (doce viciante)
África
Sonhei um dia
Com as tuas cores
Com o teu perfume
Com o teu sabor,
Provei-te e acaricio-te
Quero sempre mais e
devagar uso o teu gosto.
Sinto a tua falta mas,
se um dia me atrever
cedo à sedução
Que estremecia
naquele horizonte sem fim.
Era Agosto e estava quente
ardia de contentamento.
E o meu corpo viciou-se em ti.
Ainda sonho.
Sonhei um dia
Com as tuas cores
Com o teu perfume
Com o teu sabor,
Provei-te e acaricio-te
Quero sempre mais e
devagar uso o teu gosto.
Sinto a tua falta mas,
se um dia me atrever
cedo à sedução
Que estremecia
naquele horizonte sem fim.
Era Agosto e estava quente
ardia de contentamento.
E o meu corpo viciou-se em ti.
Ainda sonho.
o tempo do Rossio
Já não se passa pelo Rossio.
pecúlio ilustre de existências calejadas,
paredes frias entranhadas de estorias dificeis,
e azedumes de uma ou outra mulher,
escada rolante ou tapete que, corpos infindáveis carregava,
resistentes ou calosos, anafados ou escanzelados,
para cima e para baixo, eram as regras de outrora,
foram do seu tempo, tempo azedo.
por onde se passava,
o relógio lá falava e foi-se gastando o tempo.
O moço, cauteleiro ou jornaleiro
já não tem onde vender.
E os habitués, onde correr.
Aglomerações se viam, sem conta
ancoradouro étnico, cenários mistos
peles combinadas, cabelos multicores,
já não têm porque dançar.
A trote se pavoneavam pelas redondezas,
culturais ou coloridas, de cinzento, ou de preto
e as bilheteiras imponentes, lá cuspiam
os seus bilhetes.
E a azáfama, descontinuada.
Media o tempo do Rossio.
Estação. Rossio. Relógio. Bilheteira.
Escadas. Rolantes. Gentes.
O dia, ainda mal dormia.
pecúlio ilustre de existências calejadas,
paredes frias entranhadas de estorias dificeis,
e azedumes de uma ou outra mulher,
escada rolante ou tapete que, corpos infindáveis carregava,
resistentes ou calosos, anafados ou escanzelados,
para cima e para baixo, eram as regras de outrora,
foram do seu tempo, tempo azedo.
por onde se passava,
o relógio lá falava e foi-se gastando o tempo.
O moço, cauteleiro ou jornaleiro
já não tem onde vender.
E os habitués, onde correr.
Aglomerações se viam, sem conta
ancoradouro étnico, cenários mistos
peles combinadas, cabelos multicores,
já não têm porque dançar.
A trote se pavoneavam pelas redondezas,
culturais ou coloridas, de cinzento, ou de preto
e as bilheteiras imponentes, lá cuspiam
os seus bilhetes.
E a azáfama, descontinuada.
Media o tempo do Rossio.
Estação. Rossio. Relógio. Bilheteira.
Escadas. Rolantes. Gentes.
O dia, ainda mal dormia.
Nunca me esqueci de ti
Nunca me esqueci de ti
Bato a porta devagar,
Olho só mais uma vez
Como é tão bonita esta avenida...
É o cais. Flor do cais:
Águas mansas e a nudez
Frágil como as asas de uma vida
É o riso, é a lágrima
A expressão incontrolada
Não podia ser de outra maneira
É a sorte, é a sina
Uma mão cheia de nada
E o mundo à cabeceira
Mas nunca
Me esqueci de ti
Tudo muda, tudo parte
Tudo tem o seu avesso.
Frágil a memória da paixão...
É a lua. Fim da tarde
É a brisa onde adormeço
Quente como a tua mão
Mas nunca
Me esqueci de ti
João Monge / Rui Veloso
Bato a porta devagar,
Olho só mais uma vez
Como é tão bonita esta avenida...
É o cais. Flor do cais:
Águas mansas e a nudez
Frágil como as asas de uma vida
É o riso, é a lágrima
A expressão incontrolada
Não podia ser de outra maneira
É a sorte, é a sina
Uma mão cheia de nada
E o mundo à cabeceira
Mas nunca
Me esqueci de ti
Tudo muda, tudo parte
Tudo tem o seu avesso.
Frágil a memória da paixão...
É a lua. Fim da tarde
É a brisa onde adormeço
Quente como a tua mão
Mas nunca
Me esqueci de ti
João Monge / Rui Veloso
Saiu para a rua
Saiu decidida para a rua
Com a carteira castanha
E o saia-casaco escuro
Tantos anos tantas noites
Sem sequer uma loucura
Ele saiu sem dizer nada
Talvez fosse ao teatro chino
Vai regressar de madrugada
E acordá-la cheio de vinho
Tantos anos tantas noites
Sem nunca sentir a paixão
Foram já as bodas de prata
Comemoradas em solidão
Pôs um pouco de baton
E um leve toque de pintura
Tirou do cabelo o travessão
E devolveu ao rosto a candura
Saiu para a rua insegura
Vageou sem direcção
Sorriu a um homem com tremura
E sentiu escorrer do coração
A humidade quente da loucura
Letra de Rui Veloso
Com a carteira castanha
E o saia-casaco escuro
Tantos anos tantas noites
Sem sequer uma loucura
Ele saiu sem dizer nada
Talvez fosse ao teatro chino
Vai regressar de madrugada
E acordá-la cheio de vinho
Tantos anos tantas noites
Sem nunca sentir a paixão
Foram já as bodas de prata
Comemoradas em solidão
Pôs um pouco de baton
E um leve toque de pintura
Tirou do cabelo o travessão
E devolveu ao rosto a candura
Saiu para a rua insegura
Vageou sem direcção
Sorriu a um homem com tremura
E sentiu escorrer do coração
A humidade quente da loucura
Letra de Rui Veloso
segunda-feira, outubro 24, 2005
Almost granted
Nem sequer palavras azedas, ele proferiu, naquele dia. Já não a via há mais de um mês.
E no entanto, já muito pouco havia a dizer, quando estavam juntos.
As suas vidas trilhavam percursos diferentes.
A ambição e o poder ocupava a simplicidade que lhe fora inata. Ela não se importava com isso, desde que ele lhe desse atenção. Também a sua vida iniciava um ciclo diferente do dela. Ele insistia que tinha saudades. Mas quando estava por perto era como se não a visse. Era como se ela tivesse de fazer parte daquele convívio. Para não ferir susceptibilidades. Porque a conhecia há muito tempo. E porque passaram por tanta coisa, juntos. Como tudo mudou. Somente isso. E se ela precisava de companhia, essa companhia era muda. Os valores mudaram. As ausências permanecem. As conversas são diferentes, e no entanto, tão iguais. Os desfechos previsiveis. Os julgamentos e as rotinas não se alteram. As compatibilidades afastam-se cada vez mais. E surge um eco oco em redor, como se por pena, ela assistisse ao desempenho e desenvolvimento do que se passou durante estes anos. Ela mantem-se inerte, à procura de uma luz que a faça despertar, para agarrar o que perdeu.
Um gesto, um aceno. Uma conversa, ou uma troca de vivências. Qualquer acaso que a sustente. Recuperar a cumplicidade que os unia. O saudosismo de uma noite. O alvorecer da gargalhada. E se ele gostava. Alvoraçados se perdiam um no outro.
Elogios desprendidos, se tornaram.
E no entanto, eu estou aqui. E tu para onde te foste?
quinta-feira, outubro 20, 2005
Palavras de Outono
Pela manhã, as palavras acizentam-se;
As faces perdem brilho. O Verão já lá vai.
Os dias são baços e pequenos, de uma insignificante palidez.
O olhar, as falas, há indefinições no caminhar.
O cinza chuvoso empalidece o ruído da avenida
traçando calor sem cor.
As manhãs de outono fogem à definição,
misturam-se em nuvens pesadas nalguns raios de sol
e o amarelo enfraquecido alimenta algumas árvores
(estranhas).
O anoitecer perde-se;
o cinza assume — como o chumbo, escuro.
O céu torna-se mais baixo — pode-se tocá-lo
Arranco um pedaço,
húmido, frio como o cansaço, e o asfalto é sujo
e tinge-me as mãos.
Insisto em pincelar de vermelho, em tons de azul
e aquele amarelo girassol hiato no passado.
As pinceladas tornam-se pesadas.
como os prédios cinza, (enormes prédios cinza)
tão pesados como os vagões cinza, lotados de pessoas
sombrias e, escravas das suas horas cinzas..
Sento-me diante da janela suja:
à espera do sol, à espera do próximo Verão.
A vida se esvai em sons vagos por repressões, ambições vulgares e estúpidas,
são gestos inconscientes em esboços constantes no lençol frio.
o olhar de silêncio é inerte,
divaga o sorriso lento e meus pés ficam cansados
e os sons das minhas mãos beijam terra e pó
em pequenas taças de vinho e sal.
Ecos de uma linha tênue
fragmentos de saudades,
emoções dispersas e soltas
nalgum asfalto cinzento desconsolado.
Lembro-me vagamente destes resquícios,
sensações prazerosas, só já são
apenas traços que a chuva, tenazmente, inunda.
As faces perdem brilho. O Verão já lá vai.
Os dias são baços e pequenos, de uma insignificante palidez.
O olhar, as falas, há indefinições no caminhar.
O cinza chuvoso empalidece o ruído da avenida
traçando calor sem cor.
As manhãs de outono fogem à definição,
misturam-se em nuvens pesadas nalguns raios de sol
e o amarelo enfraquecido alimenta algumas árvores
(estranhas).
O anoitecer perde-se;
o cinza assume — como o chumbo, escuro.
O céu torna-se mais baixo — pode-se tocá-lo
Arranco um pedaço,
húmido, frio como o cansaço, e o asfalto é sujo
e tinge-me as mãos.
Insisto em pincelar de vermelho, em tons de azul
e aquele amarelo girassol hiato no passado.
As pinceladas tornam-se pesadas.
como os prédios cinza, (enormes prédios cinza)
tão pesados como os vagões cinza, lotados de pessoas
sombrias e, escravas das suas horas cinzas..
Sento-me diante da janela suja:
à espera do sol, à espera do próximo Verão.
A vida se esvai em sons vagos por repressões, ambições vulgares e estúpidas,
são gestos inconscientes em esboços constantes no lençol frio.
o olhar de silêncio é inerte,
divaga o sorriso lento e meus pés ficam cansados
e os sons das minhas mãos beijam terra e pó
em pequenas taças de vinho e sal.
Ecos de uma linha tênue
fragmentos de saudades,
emoções dispersas e soltas
nalgum asfalto cinzento desconsolado.
Lembro-me vagamente destes resquícios,
sensações prazerosas, só já são
apenas traços que a chuva, tenazmente, inunda.
SInce September
Desde Setembro que não vinha aqui. Não tem sido fácil. Nestas semanas após as míseras férias que tive, o tempo de lazer tem sido muito pouco. O trabalho tem sido imenso. O descanso e pequenos intervalos neste espaço não têm, sequer, sido. E a verdade é que a falta de computador em casa tem permitido esta ausência mais acérrima ao blog. Ms as coisas compôr-se-ão e terei um ordinateur chez moi, as soon as possible. Poderei, assim, todos os dias marcar presença neste diário.
Voltará a minha inspiração, Deus queira. Pois desde 2001/2002 que ela não me dá noticias.
O estimulo, a motivação têm andado de mãos dadas por outras terras e gentes.
segunda-feira, setembro 05, 2005
Rentrée
Regressei de férias. Sinto-me descansada. Apanhei sol e praia. Foi óptimo. Estive com amigos. Ainda consegui sair de Lisboa, por uns dias. É sempre agradavel fugir da poluição e respirar um pouco de ar menos poluído. Agora, o mais dificil é habituar-me à monotonia do serviço, entrar no ram-ram do dia a dia de mais um ano de trabalho.
Ontem, lembrei-me de falar dos meus amigos, no meu blog. São poucos é certo. Mas acho que preciso de falar sobre, dando-lhes um pseudónimo. Por ora, não precisam de saber quem são.
Além de que, podem e devem ser motivo de engrandecimento ou de empobrecimento para o blog. E mais. Poderão fazer parte de uma pequena estória que eu e mais duas amigas nos lembrámos de fazer. Cada uma falar sobre as suas experiências amorosas que tivemos até hoje. Compilamos o trabalho, claro, ter-se-ia que, primeiro que tudo, fazer um projecto e no final uns ajustes para que pudéssemos encaixar os textos, só, numa estória. Interessante, não acham?
O livro poder-se-ia chamar. Na vida de três mulheres. Pela vida de três amigas. Sei lá. Ainda está em embrião.
Aceito sugestões.
sexta-feira, agosto 12, 2005
A vida é bela
A vida é bela. A vida é única. E é compensadora. Nunca lhe damos a importância que ela merece. Da forma como a desperdiçamos. Por vezes, duma forma ignorante ou tacanha.
Complicamos as coisas simples, guerreamos por insignificâncias, vemos o mal onde ele nao existe, destruimos a nossa paz que nasce intacta e ao invés de a alimentarmos só a vergamos à nossa imagem, à nossa maneira. E temos, ainda, de conviver com tanta coisa que odiamos: guerra, poluição, miséria, fome, falta de amor, ganância, poder e, como se não bastasse temos de lidar com a doença, com a morte. É terrivel.
Lembro-me de uma amiga me dizer, em tempos, que ficava feliz e infeliz com o nascimento de uma criança. Percebi quando ela me explicou o porquê dessa infelicidade. O facto de vir mais uma criança a este mundo com tanta coisa que ela tem de assistir, de ver, de sentir na pele como todos nós, coisas que nos desagradam. Se pensarmos que este mundo está cada vez pior e se agrava com o passar dos anos, então que futuro risonho e saudável se pode dar a uma criança. Todo um processo de dor e sofrimento. É óbvio que as coisas boas como a alegria, o amor, a bondade, a solidariedade, também fazem parte. Mas há crianças que, infelizmente, nunca conhecem esse mundo, convivem toda a vida com o lado mau. É justo? Não sei bem. Acho que, por vezes, não sabemos o que fazer com a vida. À nossa disposição, ela passa por nós e nem nos apercebemos que envelhecemos. Com o bom e com o mau, ou o menos bom.
Mas é tão belo estar vivo.
quinta-feira, agosto 04, 2005
Desajuste
Quem quer produzir neste país, sente-se sempre desajustado.
Naquelas ocasiões especiais, como férias, ou licenças de maternidade ou paternidade, ou saídas repentinas sem motivo aparente ... os serviços ficam sempre por metade e é quando é. Mas há que dar feed back aos que ficam por lá, os que trabalham e mantem o funcionamento, enquanto a outra metade está de férias. Mas não se entende. Os serviços, nessas alturas, deveriam ser assegurados, mas não é o que acontece. Muitas das vezes, não desenvolvem, nem fazem por cumprir o que lhes é destinado. Acha-se que por estar pouca gente no serviço não vai haver problemas. - Errado, é precisamente o contrário - O que vem no contrato deve ser cumprido; tarefas, funções, cumprimentos são talhados inicialmente, assim como, deverão ser mantidos até vencer o prazo do contrato. É para isso que são pagos. Pelos serviços prestados à empresa Y.
Num país que pouco produz, isto é inadmissível. Mas são capazes de reclamar, se não lhes é pago a factura ao fim do mês. Isto é básico. Simples. Em empresas publicas, ainda é pior. Não estão para isso, por outro lado, há sempre aqueles que lhes dá imenso jeito não fazer a ponta de um corno. Esses, saem mais cedo, apanham uma prainha, uma esplanada, um cineminha, sei lá. Pois, ele, há tanta coisa para se fazer lá fora.
segunda-feira, agosto 01, 2005
Desamor
O que nos leva a abdicar, de um mundo melhor?
De jogos estúpidos e agéis, de formatações virais que contaminam a nossa vida.
Vencem-nos sempre, trapaceiam-nos e moldam o nosso comportamento.
Da nossa vontade que, às tantas, deixa de funcionar.
De orgulhos parvos, de feridas que não saram.
De presunções, sem sentido, de que somos melhores.
Afinal o que a vida nos tem reservado?
Uma infindável hipocrisia e insensibilidade de que tudo corre bem.
De futilidades banais que nos emperram momentos sãos e alegres.
De referências que se estragam, de códigos que nunca se alteram.
De que somos felizes neste ínfimo corre-corre gasto e inverosimil. Será?
De paixões, significados, cumplicidades, desabafos, isso é bom...
Mas a questão é que se vestem de jovial, infantil ou maduro, não deixando de transparecer
um rasgo a hesitante e brutalmente agressivo.
Mas a saudade. Essa dá cabo de nós. Moe-nos, macera-nos e deixa-nos cada vez mais fracos e desapegados. O Desamor vence. Como tem vencido sempre. Desde que o homem se conhece.
Desde que se inventaram os casamentos entre familias de casta, de condição, desde que se inventaram as relações de negócios, desde que se inventaram as regras, os padrões, as igualdades, as estirpes. Desde que apareceu o ressentimento e a desilusão. A desconfiança.
Chega de mansinho e veste a pele de lobo, aparecendo-nos por vezes, de cordeiro, para que não nos sofregue tão depresssa, os tais instantes.
Afinal, o que se anda a fazer?No fim de toda esta odisseia bela, fugaz e rápida, reserva-se-nos a morte. A morte é certa. E o que nos resta? Começamos a contar pelos dedos os ápices que nos encheram a vida. Será necessário haver tanto desamor, tanta raiva, tanta luta para nos desamarmos e desamarem-nos?
Ah, pois é verdade! Temos de provar tanta coisa aos outros e a nós, e nisso o Homem, é eximio quanto baste.
De jogos estúpidos e agéis, de formatações virais que contaminam a nossa vida.
Vencem-nos sempre, trapaceiam-nos e moldam o nosso comportamento.
Da nossa vontade que, às tantas, deixa de funcionar.
De orgulhos parvos, de feridas que não saram.
De presunções, sem sentido, de que somos melhores.
Afinal o que a vida nos tem reservado?
Uma infindável hipocrisia e insensibilidade de que tudo corre bem.
De futilidades banais que nos emperram momentos sãos e alegres.
De referências que se estragam, de códigos que nunca se alteram.
De que somos felizes neste ínfimo corre-corre gasto e inverosimil. Será?
De paixões, significados, cumplicidades, desabafos, isso é bom...
Mas a questão é que se vestem de jovial, infantil ou maduro, não deixando de transparecer
um rasgo a hesitante e brutalmente agressivo.
Mas a saudade. Essa dá cabo de nós. Moe-nos, macera-nos e deixa-nos cada vez mais fracos e desapegados. O Desamor vence. Como tem vencido sempre. Desde que o homem se conhece.
Desde que se inventaram os casamentos entre familias de casta, de condição, desde que se inventaram as relações de negócios, desde que se inventaram as regras, os padrões, as igualdades, as estirpes. Desde que apareceu o ressentimento e a desilusão. A desconfiança.
Chega de mansinho e veste a pele de lobo, aparecendo-nos por vezes, de cordeiro, para que não nos sofregue tão depresssa, os tais instantes.
Afinal, o que se anda a fazer?No fim de toda esta odisseia bela, fugaz e rápida, reserva-se-nos a morte. A morte é certa. E o que nos resta? Começamos a contar pelos dedos os ápices que nos encheram a vida. Será necessário haver tanto desamor, tanta raiva, tanta luta para nos desamarmos e desamarem-nos?
Ah, pois é verdade! Temos de provar tanta coisa aos outros e a nós, e nisso o Homem, é eximio quanto baste.
terça-feira, julho 19, 2005
Significados...
Indiferenças, verdades, felicidades adquiridas, ou que pensamos adquiridas, desumanidades, apatias, egoísmo. Tanta falta de verdade paira em nós. Tanta palavra negativa, desumana, seca. Talvez precisemos delas para nos justificarmos. A nossa verdade. Afinal, o que é a verdade? O sofrimento. Será. Não será uma estrutura fixa, feita à nossa medida. A nossa sobrevivência depende de tudo isso. Amarguras e feridas que se arrastam e, que a muito custo, lhe conseguimos chegar. Faz-me lembrar quando vou sozinha à praia, e quero pôr protector nas costas. Há sempre uma zona inalcançavel.
Selfish...selfish...selfish... está na moda, não acham? Porquê?
A vida deveria transportar aprendizagem, prazer, e alegria de viver. As referências deveriam fazer parte da nossa vida. Por exemplo, os nossos pais deveriam passar para nós, o bom e o mau. Ou então, sabermos interpretar e discernir o bom do mau. C´est ça.
Se pensarmos que há gente, que nem referências tem para dar. Como fazer? Aprendemos da pior maneira. Não será assim? Dá uma visão nula e escassa de como agir.
O desconhecido gera em nós a melhor forma de defesa negativa. O amor, não será o amor que gera amor? Mas, e o ódio ou a raiva, outro sentimento forte. Ser-nos-à tão abundante, que o que vem sempre por aí, é odiarmos e julgarmos os outros.
A vida não é simples. Contudo, estamos sempre a dizer o contrário. Ela é simples, nós é que a complicamos. Será? Para os outros. Claro que para nós, é sempre pior. Um poço de más recordações, de más experiências. Há uma grande vaidade de intolerabilidade, para com os outros e uma dose enorme de inalterabilidade para connosco. O nosso paradigma. Os nossos padrões. Os que fomos construindo, ao longo da vida, com o que fomos vendo do mundo. As imagens são assimiladas pelo cérebro e geram, em nós, reacções. Ou as compreendemos e aceitamos. Ou então, carregamos sempre um saco atrelado a nós, toda a vida e quando precisamos, vá de tirar aquela imagem ou recordação - aprendizagem à nossa maneira, talvez - que nos parece mais conveniente para agir perante tal "imagem". É assim?
O significado das coisas/situações ultrapassa-nos e a simplicidade da vida, está mesmo ai.
quinta-feira, julho 14, 2005
tipo de filme
center> 
Você é "O sétimo selo" de Ingmar Bergman. Você é intelectual, preocupado com ocultismos. E além de tudo é um mistério!!
Faça você também Que bom filme é você? Uma criação de
O Mundo Insano da Abyssinia
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quarta-feira, julho 13, 2005
Ocorre-me
Preto. Branco. Criança. Animal. Bébé. Genial.
Genuíno. Pensamento longíquo. Lógico.
O olhar meigo de uma criança.
O calor da pele funde-se na amizade que surge.
Despretensiosa. Despreocupada.
Ocorre-me um amigo. Tanto queria, ter um elefante bébé.
Agora sou feliz. Já tenho com quem falar.
Ocorre-me o nome ... patusco.
terça-feira, julho 12, 2005
Um Pouco de silêncio, ao invés
Shu... Deixa-me falar…
Há tanto, que te quero contar
Desbravas-me a alma, sequiosa, por desassossego.
Invades pela quietude de minutos, pouco antes de eu adormecer.
Prenúncio voraz.
Soas a gritos mudos, onde os nus coniventes se baralham na insegurança,
Shu... apoquentas-me, ensurdecência, e fazes-me mal, como te desejo.
Sobre (vivo) nesta mudez platónica, não reclamo o que sinto, nem o que contemplaria.
Quero-te nem que seja para te revelar e, logo a seguir, te olvidar.
Shu... permite, ao menos, que te cantarole ou encante, mesmo que o feitiço te insurja ténue.
Carregas certo silêncio que me desconcentra, insubordina-me, em azáfama, e esvaece-se.
Obedeço a atitudes, vão e vêm tardias sob a forma de quimeras ansiosas,
Afinal, não passas de um devaneio silencioso.
Sem principio, nem fim. Só me lembro do meio.
Que tal, resistir-te. Guardar-te no pensamento onde só existe beleza.
Shu … leio-te, cheiro-te, tento não esmiuçar o que não quero ver, mas inebrias-me com
um penetrante bom dia e, logo a seguir, me desamparas com um contido até amanhã.
Shu … escuta
Desfalecerás como todas as extravagâncias platónicas.
Não passas de mais uma inexequível.
Palavras que mal saem de tua boca, são gestos sem leitura possível.
Trejeitos e sons, como se palrasses com uma criança. É o que tu és. É o que eu sou.
Shu…deixa-me falar
Entendo-te. Infantilidade sadia e crescente.
Sonho e porque não? Se me coagi a escrever sobre ti, poderias ser Platão.
Platão, senhor dos amores impossíveis e imperturbáveis.
Corroem a couraça dos tolos, os que se apaixonam. Por tudo e por nada.
Silencio, ao invés, de te anunciar que me desamanhas
Distancio-me sem perdão, sem espera, nem aviso.
Não te ouvi chegar.
Silencio, ao invés, de te anunciar que me desamanhas
Distancio-me sem perdão, sem espera, nem aviso.
Não te ouvi chegar.
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