terça-feira, outubro 25, 2005

o tempo do Rossio

Já não se passa pelo Rossio.
pecúlio ilustre de existências calejadas,
paredes frias entranhadas de estorias dificeis,
e azedumes de uma ou outra mulher,

escada rolante ou tapete que, corpos infindáveis carregava,
resistentes ou calosos, anafados ou escanzelados,
para cima e para baixo, eram as regras de outrora,
foram do seu tempo, tempo azedo.

por onde se passava,
o relógio lá falava e foi-se gastando o tempo.
O moço, cauteleiro ou jornaleiro
já não tem onde vender.

E os habitués, onde correr.

Aglomerações se viam, sem conta
ancoradouro étnico, cenários mistos
peles combinadas, cabelos multicores,
já não têm porque dançar.

A trote se pavoneavam pelas redondezas,
culturais ou coloridas, de cinzento, ou de preto
e as bilheteiras imponentes, lá cuspiam
os seus bilhetes.

E a azáfama, descontinuada.
Media o tempo do Rossio.

Estação. Rossio. Relógio. Bilheteira.
Escadas. Rolantes. Gentes.
O dia, ainda mal dormia.

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