terça-feira, março 07, 2006

Emblemas da realidade

Ao ler um texto no outro dia de Pedro Mexia no DN, deparei-me com a sua tão típica dissecação deliciosamente rigorosa, desta vez, à poesia de Rui Pires Cabral – “Praças e quintais”.
E retirei alguns excertos para perceber o que andamos a fazer uns com os outros. Existe, à partida, uma tomada de consciência obtusa e pouco clarividente. Intervenientes como o falta de altruísmo, de determinação e um enorme receio de dar, são uma permanência muito comum.

Outra característica tal-qualmente e que nos é inerente - fugir a sete pés do que acreditamos ou sentimos - ludibriar o nosso próprio coração, pôr em dúvida, e destruir as nossas convicções e ditar sentenças. Acima de tudo, viciá-las, de acordo, com as situações convenientes que se nos deparam na nossa vida.

“… São os percalços que nos fortalecem “…ok. Mas não são eles, também, que nos toldam as emoções, racionalizando-as? E o resultado disso, é criar imediatamente uma estrutura lógica de posições e pensamentos defensivos que, por nos serem desconhecidos ou novos, nos instigam a banir tudo que possa vir a tornar-se insuportável. Mesmo que isso não aconteça. O milagre da vida é estarmos abertos ao inesperado. Não é assim? Para o bom e para o mau.

Assumir os nossos sentimentos e, termos de lidar com eles, apavora-nos. Há quem nem os consiga identificar. “São os percalços da nossa aventura que nos fortalecem…”
“A obscura certeza de termos passado ao lado/De um amor perfeito que o tempo certamente trataria de desfigurar”.
O poeta, fala também, em emblemas da realidade, i.e., incertezas da maturidade.
“Certos sentimentos podem de repente viciar as cores do mundo, ou se lembra a falsa realidade que a repetição empresta às coisas.”
O mais grave é regermo-nos e vivermos de acordos com isso. É como se carregassemos esses emblemas, na lapela do casaco. E damo-nos tão bem.

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