quinta-feira, abril 16, 2009

Canção grata

Por tudo o que me deste
inquietação cuidado
um pouco de ternura
é certo mas tão pouca
Noites de insónia
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor obrigada
Obrigada por tudo o que me deste

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Florbela Espanca

quarta-feira, abril 15, 2009

Lábios

E dentro de teus lábios doces e ávidos,
Anseio pelo abrigo, pela volúpia
a ser possível reencontrar em tua boca,
e procuro e escrevo emoções dedicadas
no êxtase de nossos corpos e é chama,
a ser possível , perco todos os poros,
Percorridos à saliva deixada pelas nossas línguas.
E degustando, a ser possível, e porque outros se calam,
À linguagem de melodia, dos corpos, das paixões,
Porque têm medo e não vivem de mãos dadas com a vida
E vivem de mascaras…nós não!
a ser possível desmascaremo-nos de preconceitos!!!!
Na tua boca, brincarei um dia!

sábado, abril 11, 2009

Escolhas

Por mais que sejam os esforços e lutas que travemos: o mundo que nos rodeia e conhecemos, não nos satisfaz.
Queixamo-nos de tudo. O trabalho que não merece a nossa aptidão e dedicação.
As relações que temos e acumulamos ao longo dos anos e que nos derrubam. Fazem-nos azedos e insensíveis.
As relações familiares que por si não bastam cordiais.
A inspiração que se fica pelo caminho. A paixão que se desvanece pelos caminhos empedrados, recheados de tumultos seixos que nos conturbam.
Inspiração para quê? Se tudo que revelamos se torna um esforço inglório. Impossível de o amor se realizar, se anunciar, se acalmar. E se os segredos que tínhamos se perdem e se desfazem em poeira.
E quando finjo que esqueço, não esqueci nada. E cada vez que fujo eu me aproximo mais. E é por isso que atravesso o teu futuro. E tento não reviver o passado. E sem querer entrei mais uma vez na tua vida. E procurei tantas desculpas para não te encarar, mas para te ver, para te cheirar, para te tocar, para te ouvir, para te sentir.
E a estrada que percorro já não é estrada. E o trilho deixou de existir. Não existe nada. Acabou. Está fechada.
E o que tínhamos, era alguma coisa? Nem um pouco de respeito. Momentos residuais, palavra estúpida, é o que lhe chamam. Foi o que desfrutámos!
Preciso de gastar-te em palavras o que foi ou não foi. Dito. Feito. Tu que nunca soubeste o que era estima. Pelas mulheres? Tu entendes de investigação, de praticabilidade de pesquisas concretizadas em análises, de emoções de forma educativa, de formas humanas careces de estudar e de beber para que se tornem exequíveis. Tu nunca serás viável. Nem que sorvas ou degustes um pouco de sensibilidade, nunca a podes compreender. Não sentes paixão. Sentes uma coceira na “ verga”. Sentes um frenesim de alguém que te adoça o ouvido e te murmura. Tu vives dos mimos de alguém que se sente dependente da forma como está contigo.
Estádio que nunca serás capaz de atingir. Conhece-te a ti próprio … pensas que te conhece… E dilata o lado do cérebro em que dominas a estupidez. A tacanhez emocional apodera-se de teu corpo, da tua intelectualidade e derruba todas as possibilidades de sentires.
Tu és um assunto encerrado. Aqui e agora. Hoje fazes-me escrever sobre ti.
Enterrar-te-ei. Morreste. Já não és nada para mim, não podes ser mais nada.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Ausentar-me


Hoje, queria tanto ausentar-me de mim, esquecer-me de mim.
Vejo, ao longe, a aventura. Ela pode começar. Se eu não temer o que não fiz.
Se acreditar nos passos que posso dar. O percurso até pode estar certo,
aquele que me parece incerto,
Não existem "locais fechados"... Só as chaves certas por encontrar
Existe uma porta ao fundo da rua que se chama liberdade

sexta-feira, novembro 21, 2008

Analisa

Mais um Sábado. Mais uma sessão.
É uma daquelas relações saudáveis. Nesse dia estava irritada, não tinha estudado a lição. E quando não estudo o texto, por vezes, corre melhor. No entanto, não era esse o dia, o vazio, as crises, e as ânsias permaneciam pelo que a vontade de falar sobre qualquer coisa era menor.
No inicio, fiz um esforço, acabou bem, como sempre. Sento-me e fico descontraída, leve e feliz por alguém confiar nas minhas palavras, por alguém me ouvir e não duvidar do que o digo e por alguém me respeitar e não me julgar. O meu modo de pensar. Serei menos importante para o mundo por me encontrar “desacompanhada” e unicamente livre – como se diz por aí!
Alguém importante que me tem ajudado num exercício essencial. Aprender a lidar com o mundo. Parece que a minha forma ou fórmula (eheh) está errada. Tenho resolvido e sinto-me resolvida numa ou outra questão. Mas como entender o mundo quando o mundo não me entende a mim? Como posso ficar feliz se o mundo, consecutivamente, me critica e me julga. Como se existisse, permanentemente uma penalização subjacente.
As questões estruturais são, para mim, as mais inquietantes e inultrapassáveis; a Família. Os meus pais. A Relação mãe-filha. A Relação pai-filha. A pedra basilar de tudo o que fomos e somos. O que quero saber de mim. Será errado eu quer saber de onde vim? O que sou? Tentar compreender para onde vou? O que faço aqui? Alguma referência mais forte que se revele nalgum princípio e me servisse de âncora.
Que razão forte tenho eu para não estreitar a relação com a minha Mãe quando se tem revelado cada vez melhor. Bom, será errado dizer que quando a minha mãe já “pagou” pelos “danos” e se tenta aproximar de mim, as situações de conflito diminuiriam. Não reagir torna-se cada vez mais difícil.
Alguém quis saber e eu não soube responder. Só sei que a forma que ela tem de me ajudar não é a melhor. Não é solução quando um aconselhamento tenta parecer uma crítica, um julgamento com patetices em praça pública – embaraçada, é o que me ocorre dizer, em frente de estranhos - tentativas de expressão de que sou um adulto com laivos de criança. Não é nenhum desfecho favorável muito menos nos aproxima quando vem “cobrar” razões e pretextos porque a minha vida é assim ou deixa de ser.
Não pensou nunca. Tudo se há-de resolver até constatar que eu esqueceria ou aprenderia doutra forma. Como pudemos nós exigir quando não ensinamos, quando não estamos por perto. Quando não estamos presentes nas mudanças, nas felicidades, nas angustias e nos processos pouco amanhados de maturidade. Julgar é contra-natura entre uma mãe e uma filha.
Os conflitos são males necessários. Tenho de dizer o que sinto ainda que isso nos magoe.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Sara Tavares - Eu Sei

Se eu voar sem saber onde vou
se eu andar sem conhecer quem sou
se eu falar e a voz soar com a manhã
eu sei...

se eu beber dessa luz que apaga
a noite em mim
e se um dia eu disser
que já não quero estar aqui
só Deus sabe o que virá
só Deus sabe o que será
não há outro que conhece tudo
o que acontece em mim

se a tristeza é mais profunda que a dor
se este dia já não tem sabor
e no pensar que tudo isto já pensei
eu sei...

se eu beber dessa luz que apaga
a noite em mim
e se um dia eu disser
que já não quero estar aqui
na incerteza de saber
o que fazer, o que querer
mesmo sem nunca pensar
que um dia o vá expressar
não há outro que conhece tudo
o que acontece em mim

segunda-feira, outubro 27, 2008

Sexo. Solidão

Se o sexo é solidão, nenhures ou algures muito longe. Porque me sinto segura com ele?
Não há paz nem calor, nem sabor! E fico à mercê de... alguma coisa, se calhar, de nada.
É uma espera sem paz! Então porque me sinto segura!!
Um vazio, é oco, é ócio sem o ser. Então porque me sinto segura!!
O sexo pode ser controlo, pode ser dominio, pode querer dizer parar. Porque me sinto segura?

O sexo pode ser a razão porque deixamos de lutar. Pelos sonhos, outras ambições, algumas harmonias que se perdem e desconcertantes. Ausências. culpas adiadas e inventadas por nós. Por mim..
O sexo é isto! Ajuda a esquecer, então porque me sinto segura!!

Houve alguém que me disse: nunca percas a capacidade de desejar e de lutar por isso.
Não sei se é verdade... A mentira, o engano, a desonestidade .... ajuda a esquecer....
O sexo pode ser dominio sem fim, então porque me sinto segura?
O sexo ajuda a esquecer... E é bebida sem o ser! Faz-me companhia quando pareço completamente ébria e lastimosa.

Fica-se à mercê da solidão, então porque me sinto segura?

À mercê...


Apatia

Apatia. Indiscutivelmente apatia.
Falta. ausência. emoção, entusiasmo, de paixão.

Da parte intelectual e cientifica é mostrada por palavras de quem sabia...de quem sentia, também... se não desta forma, como escrever a cerca de..??!!! como saber a....??!!quem e o que sentia a...??!!

Apatia provém do grego clássico apatheia. Páthos em grego, significa "tudo aquilo que afecta o corpo ou a alma" e tanto quer dizer dor, sofrimento, doença, como o estado da alma diante de circunstâncias exteriores capazes de produzir emoções agradáveis ou desagradáveis, paixões. Assim, apatheia tanto pode significar ausência de doença, de lesão orgânica, como ausência de paixão, de emoções.

O termo apatheia foi usado por Aristóteles (384-322 a.C.) .
A impassibilidade, insensibilidade, e, a seguir, incorporado pela escola filosófica fundada por Zenon (335-263 a.C.), denominada estoicismo, para expressar um estado de espírito ideal a ser alcançado pelo homem durante a sua existência.

segunda-feira, outubro 06, 2008

quarta-feira, outubro 01, 2008

Homenagem a um Amor antigo (para recordar)

Meu amor, esta noite, dou-te a Lua

Dormes, repousas em teu leito
Sei o que te apoquenta,
E quero-te dar a Lua. Para que, hoje, durmas tranquilo.
Lua Azul. E tu sabes que esse Azul está cheio de amor a presentear.
Encosta-te a mim…adormece. Estou aqui ao pé de ti.
Não sabes que te escrevo, no entanto…Quero dizer-te…
Esta noite ocupas este pequeno espaço de palavras que escrevo em tua homenagem.
Queria dar-te tanto, mais ainda….
Dizer à noite, que me encontrei ao descobrir-te.
Que fazes parte do mais belo poema que, ainda, hei-de escrever,
Que serás a mais bela tela, que, um dia hei-de pintar.
E segredar à Lua que te guardo num baú junto ao coração.
E gritar e cantar à Lua, a letra de Florbela Espanca:
“E é amar-te assim, perdidamente …
È seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente”
Tens a bela audácia de invadires os meus pensamentos, tornando-os aprazíveis,
Transformas pesadelos em belos e generosos sonhos, colorindo-os com a tua bondade,
Agora, queria ser ave da noite, e voar para o pé de ti para que te pudesse contemplar,
Enquanto dormes….
E que o azul da Lua me pudesse guiar
Levar-te rosas para te banhar o leito, nesta noite, que ainda é uma criança.
E abandonava pétalas, pelo teu quarto, pelo teu leito, pelo teu corpo, pela tua face.
Quando acordasses de manhã, pudesses soltar um sorriso de alegria e contentamento.


Este é o modo de te dizer que estou presente, que te amo, que ouço o alvoroço das tuas noites como se ouvisse, tão bem, o mar selvagem, ao longe, e o romper da escuridão.

Esta noite é o momento, também, para te dizer que me pertences, que te pertenço, como me pertence o luar e o lume das estrelas, e o aroma do orvalho nas manhas de Outono, como o chilrear da cotovia.
Como as flores precisam de Sol e de chuva. Como as noites precisam da Lua.
Desta Lua Azul. Meu amor, como me fazes falta!


Beijo A.

Análise qualquer

(silêncio)

..."não sei o que isto significa", disse ele!
Não entendo o que me escreves. Não consigo decifrar o que aí está! Fazes-me sentir incapaz!

(irritada)
disse ...O que não percebes, exactamente? O que se passa, para sentires ou achares que eu te faço sentir incapaz com esta declaração de Amor!?
Não há maior frustração do que esta! (pensei)

Sente simplesmente! não analises!

A minha reacção foi começar a "perder a pica"!

Para os mais e menos sensiveis, será que o post-anterior, pergunto eu, é tão complicado de sentir ou de entender?

Nesga de praia

Numa noite nesta nesga de vila e de praia senti o desapego ao corriqueiro, e a atenção focou-se em momentos que geravam felicidade, ajudaram-me a criar escritos e a colher outros de onde menos se espera. Uma noite que parecia igual, transformara-se em especial. O tempo era terno de quando em vez e o compasso em cada gesto era solto e expressivo. E o Céu estrelado e a Lua assistiam àquele rodopiar de ecos que vieram para celebrar aquela noite. Imaginei-nos. Aconteceram.Distraída, senti um odor misturado a maresia e ao mesmo tempo a comida. Engraçado. Notei. Algo mudara. À medida que os anos foram passando, também aquela nesga se colocara à mercê de intempéries e de verões menos calorosos. Mas a sua beleza estava diferente. Nem melhor, nem pior. Era porque nós estávamos ali.Diferente. Talvez o mar trouxesse ou levasse mais areia. Fossem pedras ou conchas trazidas pela revolta das vagas. O mar corroera com a sua bravura algumas rochas que se mantinham ali há anos, à conveniência de alguns pescadores locais. Os areais estavam mais vastos. Assimilava imagens à beleza, do que se tornava maior. Não sei. Sentia-a distinta. Vislumbrá-la doutra forma. Aquele pedacinho que me era familiar e jamais dera tanta atenção. Nessa noite sentia-me, de novo viva, e a minha sensibilidade apurara, ou nunca escutara, com atenção, o trautear que aquela nesga de praia abraçava. Por acaso. Crescia um sentimento despoletado por fragrâncias naturais, já esquecidas. Só me lembro de acordar e de te sentir a meu lado. Ao amanhecer agraciaste-me com um bom dia. Provocavas-me cócegas no ouvido com sussurros e verdades irrecusáveis, e o meu sorriso favorecia-os. Sentia a tua mão a aconchegar os meus dedos, consentia os teus afagos nos meus cabelos. Eram ternos. Estiveste lá, sim. Não te lembras? Os meus afectos permaneciam num cais que eu decidira abrigar. Nele vive meu barco que dormia como uma criança.Por vezes, acordava e contemplava o nascer e o pôr do dia, zelando pelas velas recolhidas. Mas jamais, pensaria que as descobrisses. Há quanto tempo já esqueci. Um encontro. Um afago. Alguém que desse por mim. Mas não escapei à tua delicadeza. Tanto te quis beijar, ali. Um simples beijo. Era do que mais sentia saudades. Um beijo longo, demasiado e quente onde pudesse usar a tua boca como porta da alma. Sentir o teu sabor como parte de mim, olhar-te nos olhos sem medo de que me pudesses ler, e passar as minhas mãos pela tua barba mal feita. Olhar-te nos olhos, e descobrir o reflexo de uma mulher desejada. Deixar-me prender às tuas mãos, e ser escrava dos teus toques suaves. Os meus olhos ansiavam, a cada minuto, repousar nos teus. O meu corpo queria conhecer-te de cor. Saber cada curva, cada alto, cada ruga de expressão, conhecer cada sabor escondido dentro da tua pele, cada gota de sal. !“...Extasiados, de corpos suados com um ar desgrenhado e feliz, lembro-me que adormeceste primeiro, nos meus sonhos cor de verde-musgo, eu permaneci acordada para observar os teus contornos, o teu suor a percorrer as curvas da tua coxa, o teu sorriso satisfeito ...!Acabei a sonhar nos teus braços... Acolher o teu amor. Desassossego. Único. Criativo. Temia cair na insipidez rotineira que o apaixonar transporta e leva até ao fim, ainda mais, do que a própria vida já faz por si. Divago, sim. Já não escrevia há tanto tempo. Deixei de escrever. Sei lá, porquê. Se calhar, há muito, que te esperava. Sinto falta de ti ao pequeno-almoço. Sei lá. Às vezes imagino que te oiço bater a porta de manhã, o som arrastado que fica colado aos objectos depois de a teres batido. Lembro-me dos sons da manhã com inveja, parecem conhecer-te melhor do que eu. O botão do despertador pelo qual passas a mão. A água que te desliza pelo corpo todo e a toalha que te abraça e aquece ao passar pelo cabelo. A escova de dentes e o espelho para o qual sorris. Ouvir a cafeteira encostar-se à chávena e de ouvir a porta do frigorífico abrir-se, pouco antes de ouvir a porta bater, porque nunca te sentas para o pequeno-almoço. Não te disse tudo o que espero de ti. Que te sentes para o pequeno-almoço e esperes por mim. Sempre achei que o amor fosse um pequeno-almoço contínuo.

quarta-feira, maio 07, 2008

Falta de tudo

Tanta falta de tudo...
De tacto, de amizade, de bom senso, de respeito, de honradez e de limpeza.
É importante!
A limpeza da alma, associada à pureza e à inocência, quanto basta...
A limpeza diária na TERRA. Dever-se-ia "limpar" - corrigir - o desconforto que provocamos nos outros.
Mas porquê? Dizem as alminhas mais cinicas e hipócritas????!!!
Alienação e desrespeito pelo próximo. Será preciso isso?!
Nah....porque o poder e a podridão é o menos trabalhoso e consome o dia-a-dia, de tal maneira, dessas pessoas, que elas nem reparam, não sentem, empedernidas .... minam tudo que tenta ter coração... Sarcasticamente, não percebendo o motivo, elas convivem e alimentam essas caracteristicas. E encontram a felicidade.
No poder... Autoridade...Domínio....
E na parvoice inata...

Quero "homenagear" as mulheres (e contra mim falo) que sabem utilizar o Poder que detêm praticando, deste modo, o Bem!

Tiro-lhes o chapéu... Conseguem na perfeição, ganhar uma posição....

Mas, na minha humilde opinião, perdem completamente a razão, quando dizem que o Mundo pode ser delas e, que os direitos de igualdade e afins são perfeitamente passíveis de acontecer. SIM... Com este tipo de mulheres no Poder, cuidem-se...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Nao me importo

A propósito, ontem passava um filme na televisão, traduzido para a nossa língua. “Perseguindo Amy”, - nada alusivo ao Natal é certo – mas que me deixou a pensar.
Sento-me sozinha a vê-lo. Afinal, vivo só.
Imagino-me um dia a ter o privilégio de dissecar a mensagem contigo.
E nesse dia sentar-te-ás a meu lado a partilhar um momento, como alguém diz nesse filme.
Chorei no fim. Despejei lágrimas. Não me importo. Falava de Amor.
Alternativas de amor. Loucuras e experiências sexuais. Amores incompreendidos, amores que se perdem. Desencontros e desperdícios.

Nós queixamo-nos que não encontramos o Amor. E se o encontramos, e o passado se revela por razões maiores, tem de determinar o que quer que seja? Então quando e como seremos felizes? Será errado contarmos, a quem amamos, o nosso passado? Porque tem de ter tanto sentido?
Ou de modificar o percurso de nossa vida? Queremos partilhar os vícios e as virtudes.
Não será isso o Amor? Partilhar o bom e o mau? Conhecer o preto e o branco? O que nos resta?

A vaidade impera. O orgulho vence e a bestialidade que nos é inata muda o rumo de nossas vidas. Entrave. Fobias. Obstinação. Procuramos empate em tudo que fazemos. Dá que pensar!

Mas nao me importo. Falava-se de Amor

O amor Também é silencioso

Porque têm os homens tanta dificuldade em expressar o que para nós nos é tão simples e espontâneo.

Entrei em casa. Tocaram à companhia. Era ele. Pediu-me para subir.
Deixei-o entrar e perguntei-lhe, afinal, o que queria.
Só queria olhar para mim, durante alguns minutos. Pedi-lhe para se pôr a andar, e que não estivesse com ideias, pois nada se iria passar. “Já olhaste para mim, podes sair” – disse.
Ao que ele me respondeu, com aquele olho doce e terno que ele sempre teve.
“Só me quero deitar a teu lado.” Exausta, deitei-me na cama, vestida. Ele seguiu-me, em silêncio. Deu-me um beijo na testa e deitou-se a meu lado, também vestido. Nada mais dissemos.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Ampulheta

Uma palavra menos agressiva era só o que queria de ti. Um gesto. Uma carícia. Que uma Cor menos cinzenta pairasse sobre nós. E florisse a nossa relação. Algo que me desse, que nos desse alento à alma. Porque só me apetece chorar e não consigo. Porque é que acho que a vida não é justa connosco, assim? És o contrário de mim... porque fazes tudo menos bem ao invés de te amares, de te cuidares. Não sabes que só te magoas. E que feres o escasso espaço da relação pai-filha que existe – só porque és meu Pai!
Não é meu, esse desejo, mas é o que sinto! Não sei se te amo, PAI!
Como eu gostaria de te amar. Pois, eu não sei se daquela maneira que tu querias, nem nunca mo disseste!!! Tu deverias ser o pilar de toda uma maturidade que eu amanhei à força... Porque, estiveste lá quando “outros” não estiverem!!! Mas não consigo encontrar referências, por mais que me esforce! Desculpa, Pai se falhei como filha, mas não sei como falar contigo nem como te amar! Lembras-me uma ampulheta que, volta e meia, tem de ser virada, pela mão da avó, para te lembrar que tens uma filha. Parece – lhe que, ultimamente, a vida tem passado, sem isso!

No entanto, o que edifiquei foi à minha custa. Já me habituei a coisas que nunca me confiaste: Nunca me leste estórias. Não me puxaste a roupa quando eu queria adormecer com medo do escuro. Não sabias como fazer! Eu não sabia que não sabias. E não quiseste aprender.

Nunca me telefonas. E ainda te zangas comigo se te telefono. Gritamos sempre que estamos juntos, berramos quando não concordamos. Não tomas os medicamentos. Bebes que nem um doido para esquecer o quê? Uma vida que tu próprio alimentaste? E porquê? Vives obcecado por uma vida que te deixou marcas e não avanças para lado nenhum.
A tua ideia é continuar a virar a ampulheta até partir. Partir será o teu fim. Forças e continuas a forçá-la pela mão da avó. Uma mãe que sempre foi bengala de todos, de ti, de mim, de nós.
Mas até quando…ela não vive para sempre. Mas tu continuas a sonhar, a esperar que Deus não a leve. E explicar-te que as coisas não são assim. E que crescer dói, e que tu nunca cresceste. E que teimas em fazê-lo a todos os minutos. Como dizer-te isto sem que berres comigo e te zangues! Estou tão cansada!
Tens uma auto-estima miserável como nunca vi ninguém ter... e sem necessidade queres demonstrar ao mundo que és um sem abrigo e Porquê? Nunca percebi. Lidas com o teu sofrimento como se fosse uma representação assente ou um recurso, o único que dispões para chamar à atenção…
Não sei Pai. Eu quero gostar de ti e quero que tu gostes de ti.
Nunca te disse isto que acabo de escrever nestas linhas. Chorarias baba e ranho e nunca chegaria até ti. Nunca o consegui. Nunca o conseguiste. Vermo-nos um ao outro, é o nosso problema maior!
Passamos, simplesmente, um pelo o outro!

quarta-feira, setembro 12, 2007

Um espelho qualquer

Numa das paredes do café, existia um espelho a todo o comprimento. Ao levantar os olhos do jornal, apercebo-me que um casal se entreolha. Nada são um ao outro. Cada um em sua mesa. Tornam-se cúmplices de sorrisos e olhares atrevidos. Desenvolve-se uma linguagem de sedução que me fascina. Prudentes meneios geram uma atmosfera de desejo, uma tentação em pecar. A voluptuosa libertinagem encanta-os e delicia-os a avançar naquele jogo lascivo. De forma arrojada transmitem autênticos sinais de acasalamento. Afoitamente, ela mordisca os lábios, e num simples trocar de pernas fá-lo, discretamente, salivar. Pairava uma aura de excitação tal que me eriçava arrebatadamente. Desfrutava. Sentia-me à mercê do incontrolável.
Ela deseja ser desejada. Impulsivamente, levanta-se e dirige-se à toilette. Possivelmente, para retocar a maquilhagem. De soslaio, encara-o como se o convidasse a acompanhá-la. Tentador. Não? Ele nem tenta disfarçar e segue-a. Só me lembro de olhar para o relógio e ter passado meia hora. Continuavam esgueirados, sem dar notícias.
Fez-me pensar em escapar à rotina. Algo de desavindo se passava ali. Especularia que: São lugares de rompante que passam a correr na nossa vida. Toca e foge: "Em geral, os cenários pouca importância, têm". Calham, e às vezes não calham mal. Tinha de ser ali: "Num café banal, onde tudo pode acontecer...” Fortuitamente, um casal estranho sente atracção. Nenhum deles faz ideia de quem é. É irrelevante. Interessa só que os sentidos estejam apurados. Não importa quem repara. A luxúria, que ambos querem partilhar, sobeja.

segunda-feira, setembro 10, 2007

sangue



A mãe. As mães do mundo. Sangue do nosso sangue. A melhor ou a pior. Cumplicidade ou obrigação. Prazer ou sofrimento. Bom ou mau. Belo ou feio. Amor ou possessividade. Ligação. Vinculação ou des-vinculação. Amor incondicional ou inevitável ruptura. Nunca se sabe.

Gotejar


As gotas caiam-me na cara, sabia bem. Tocam na pele, e desaparecem com o calor que se sente. Escorrem sôfrega e docemente, pelo pescoço. Percorrem ávidamente a pele por aquele momento. Nunca mais me tocaste. A chuva sempre fez mais do que tu. E aquele abraço, nunca mo deste. Os teus braços, à minha volta, nunca mais os, senti. O teu arfar. A tua respiração. Ela fazia-me gotejar, só de te sentir, e com o teu toque, estremecia. Vivia.