
Era uma vez uma menina chamada Sara. Ela vivia com a sua avó desde que se lembra.
De olhos cor de amêndoa, sardenta e com umas longas tranças meio aneladas enfeitiçava quem se passeava pela rua. Na posse de um sorriso do tamanho do Sol, dizia olá a quem se metesse com ela.
Todos os dias, a caminho da escola e pela mão de sua avó, pedia-lhe que parassem, por uns segundos defronte de uma vitrina.
Uma vitrina enorme, toda ela feita de chocolate. Desde bolos a bombons, trufas, e alguns brinquedos. Um deslumbramento para qualquer criança. O que lhe despertava, ainda mais a atenção, era um palhaço imenso com um semblante sorridente, um olhar farto de ternura. Parecia falar com ela.
E a face inundava-se-lhe de alegria. Um palco de satisfação para ambas.
Sendo, uma família de poucas posses, a avó nem sempre lhe comprava o que ela queria. No entanto, Sara desde muito bebé que aprendera isso, mas bastava a avó olhar para os seus olhinhos vivaços, para perceber o que queriam dizer.
Para Sara, o mais importante era poder admirar aquela montra e, se fazia toda a diferença por breves minutos, contemplar aquele palhaço.
Um dia, a avó, deixa a neta na escola e entra na confeitaria. Pede para falar com alguém responsável. Ficara com medo de que o palhaço desaparecesse dali. E, após as explicações ao dono da dita doçaria, pede para que não venda aquele palhaço.
O senhor Ernesto da chocolataria concordou. Nunca a Sara soubera que a avó tinha ido falar com ele. Um dia, o senhor Ernesto atento à chegada de Sara e sua avó, chamou-as. Ela entra contente e meia envergonhada e diz-lhe que o palhaço dela tem nome e, que costumavam falar um com o outro. Enternecido com aquele monólogo, dá-lhe um chocolate pequenino em forma de palhaço, igual ao palhaço da montra.
Todas as manhãs, o senhor Ernesto estava à coca de Sara para lhe oferecer o palhacinho de chocolate, que lhe fazia companhia até à escola.
1 comentário:
Doçura ternurenta...
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