... sentimos medo dela. É um sentimento que, à priori, tem uma conotação positiva, e no entanto, não passa de um sonho que, para a maioria das pessoas, apavora e não chega a ser. O que vem a seguir, soa a diferente. Assusta. E perdemos a capacidade de controlar as consequências dessa mudança. Talvez não conte muito mudarmos algo no nosso dia-a-dia. E digamos que não importa muito se se falar no plural, é capaz de ser tornar mais fácil, quando não nos referimos a nós proprios. Suponhamos que se muda de sitio um objecto na nossa casa, um móvel que nos parece ficar melhor no canto da sala, ou uma jarra que fica melhor no meio da mesa. Enfim. Tretas. É só mais uma tentativa de relativizar o que, de facto, é importante mudarmos, ou então uma defesa para nos revelarmos capazes disso. É algo a que nos habituámos a falar com Amigos... Está na moda? Falta de tema? Não. Penso que não. Recorremos a uma série de auxilios para nos soar que, a avaliação que possam fazer de nós, seja mais branda... E se o fazemos! Fazemos outras coisas, como as chamadas campanhas de promoção aos outros e achamos que cometemos a boa acção do dia, quando para nós é tão dificil.
Mudo...mudas...muda!!! porque é tão condicionante e conclusivo numa sociedade ocidental a importância de nos aceitarmos e de nos aceitarem. Sem que nos rotulem. Nunca acontece isso, apesar de nos lembrarmos, a toda a hora, que nunca faremos a diferença. O historial de vida de cada um é sempre decisivo na interacção com os outros. O que nos atrai, o que nos afasta... Rótulo sem regresso. Ora, pensando num país de terceiro mundial estes aspectos têm a sua relatividade propria. As guerras, há que acabar com elas. A cobiça e a maldade, o mesmo. Mas a única e importante mudança que estes povos pedem é que não os deixem morrer à fome e à sede. Temos o condão de pensarmos e sentirmos pena de povos que sofrem com as guerras, com as catastrofes naturais, com as politicas adversas, mas, na realidade só conseguimos sentir e reparar no que está ao nosso lado. Alguém que não muda, alguém que não se torna util à sociedade, alguém que nos é (in) diferente, alguém que não faz parte da nossa cadeia social, alguém que nos é incompativel ou não nos é empático. Afinal de contas, a vida não é mais do que uma cordialidade inevitável e imposta. Há dezenas, senão, centenas de publicidade que nos entra, todos os dias, no computador, na televisão, no rádio, a fim de promover o amor com o próximo, com ditos e frases de autores conhecidos, como Dalai Lama. Isto não será uma moda? Ou melhor, que não seja uma moda, não será hipocrisia para nos sentirmos uteis e dizermos que até gostamos deles, como eles são, quando no fundo, pensamos o contrário.
2 comentários:
Abdicar da protecção da nossa concha e aventurar-mo-nos entre conceitos produzidos por conchas que não se chegam a abrir? Sim, o facto de assim procedermos, ele próprio se constitui outra concha, noutra carapaça... entende, (sobre)viver em sociedade é isto- "façam como eu digo e não como eu faço e verão que a mutabilidade aparece..." e o planeta tem girado assim desde sempre, e continuará após a humanidade ter desaparecido, as civilizações, as conchas... niilista?, apenas faço uso da parca capacidade que herdei, herdámos. Mudemos de tema...
E a criação dos ditos "blogs" só vem reforçar essa ideia. Aliás, e isto não será novidade, o nosso inato e inevitável egoísmo é cada vez maior, ao ponto de nos refugiarmos neles. São estas modernices que empanam, cada vez, mais a comunicação. A convivência há-de se tornar um luxo. E premiar-se-á as tais conchas. È obvio que não concordo, mas a realidade entristece-me.
As pessoas não se encontram, não se compensam, não se aventuram – como dizia – pois não há tempo.
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