"A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais..." - Sofia de Mello Breyner Andresen,
quarta-feira, outubro 01, 2008
Nesga de praia
Numa noite nesta nesga de vila e de praia senti o desapego ao corriqueiro, e a atenção focou-se em momentos que geravam felicidade, ajudaram-me a criar escritos e a colher outros de onde menos se espera. Uma noite que parecia igual, transformara-se em especial. O tempo era terno de quando em vez e o compasso em cada gesto era solto e expressivo. E o Céu estrelado e a Lua assistiam àquele rodopiar de ecos que vieram para celebrar aquela noite. Imaginei-nos. Aconteceram.Distraída, senti um odor misturado a maresia e ao mesmo tempo a comida. Engraçado. Notei. Algo mudara. À medida que os anos foram passando, também aquela nesga se colocara à mercê de intempéries e de verões menos calorosos. Mas a sua beleza estava diferente. Nem melhor, nem pior. Era porque nós estávamos ali.Diferente. Talvez o mar trouxesse ou levasse mais areia. Fossem pedras ou conchas trazidas pela revolta das vagas. O mar corroera com a sua bravura algumas rochas que se mantinham ali há anos, à conveniência de alguns pescadores locais. Os areais estavam mais vastos. Assimilava imagens à beleza, do que se tornava maior. Não sei. Sentia-a distinta. Vislumbrá-la doutra forma. Aquele pedacinho que me era familiar e jamais dera tanta atenção. Nessa noite sentia-me, de novo viva, e a minha sensibilidade apurara, ou nunca escutara, com atenção, o trautear que aquela nesga de praia abraçava. Por acaso. Crescia um sentimento despoletado por fragrâncias naturais, já esquecidas. Só me lembro de acordar e de te sentir a meu lado. Ao amanhecer agraciaste-me com um bom dia. Provocavas-me cócegas no ouvido com sussurros e verdades irrecusáveis, e o meu sorriso favorecia-os. Sentia a tua mão a aconchegar os meus dedos, consentia os teus afagos nos meus cabelos. Eram ternos. Estiveste lá, sim. Não te lembras? Os meus afectos permaneciam num cais que eu decidira abrigar. Nele vive meu barco que dormia como uma criança.Por vezes, acordava e contemplava o nascer e o pôr do dia, zelando pelas velas recolhidas. Mas jamais, pensaria que as descobrisses. Há quanto tempo já esqueci. Um encontro. Um afago. Alguém que desse por mim. Mas não escapei à tua delicadeza. Tanto te quis beijar, ali. Um simples beijo. Era do que mais sentia saudades. Um beijo longo, demasiado e quente onde pudesse usar a tua boca como porta da alma. Sentir o teu sabor como parte de mim, olhar-te nos olhos sem medo de que me pudesses ler, e passar as minhas mãos pela tua barba mal feita. Olhar-te nos olhos, e descobrir o reflexo de uma mulher desejada. Deixar-me prender às tuas mãos, e ser escrava dos teus toques suaves. Os meus olhos ansiavam, a cada minuto, repousar nos teus. O meu corpo queria conhecer-te de cor. Saber cada curva, cada alto, cada ruga de expressão, conhecer cada sabor escondido dentro da tua pele, cada gota de sal. !“...Extasiados, de corpos suados com um ar desgrenhado e feliz, lembro-me que adormeceste primeiro, nos meus sonhos cor de verde-musgo, eu permaneci acordada para observar os teus contornos, o teu suor a percorrer as curvas da tua coxa, o teu sorriso satisfeito ...!Acabei a sonhar nos teus braços... Acolher o teu amor. Desassossego. Único. Criativo. Temia cair na insipidez rotineira que o apaixonar transporta e leva até ao fim, ainda mais, do que a própria vida já faz por si. Divago, sim. Já não escrevia há tanto tempo. Deixei de escrever. Sei lá, porquê. Se calhar, há muito, que te esperava. Sinto falta de ti ao pequeno-almoço. Sei lá. Às vezes imagino que te oiço bater a porta de manhã, o som arrastado que fica colado aos objectos depois de a teres batido. Lembro-me dos sons da manhã com inveja, parecem conhecer-te melhor do que eu. O botão do despertador pelo qual passas a mão. A água que te desliza pelo corpo todo e a toalha que te abraça e aquece ao passar pelo cabelo. A escova de dentes e o espelho para o qual sorris. Ouvir a cafeteira encostar-se à chávena e de ouvir a porta do frigorífico abrir-se, pouco antes de ouvir a porta bater, porque nunca te sentas para o pequeno-almoço. Não te disse tudo o que espero de ti. Que te sentes para o pequeno-almoço e esperes por mim. Sempre achei que o amor fosse um pequeno-almoço contínuo.
quarta-feira, maio 07, 2008
Falta de tudo
Tanta falta de tudo...
De tacto, de amizade, de bom senso, de respeito, de honradez e de limpeza.
É importante!
A limpeza da alma, associada à pureza e à inocência, quanto basta...
A limpeza diária na TERRA. Dever-se-ia "limpar" - corrigir - o desconforto que provocamos nos outros.
Mas porquê? Dizem as alminhas mais cinicas e hipócritas????!!!
Alienação e desrespeito pelo próximo. Será preciso isso?!
Nah....porque o poder e a podridão é o menos trabalhoso e consome o dia-a-dia, de tal maneira, dessas pessoas, que elas nem reparam, não sentem, empedernidas .... minam tudo que tenta ter coração... Sarcasticamente, não percebendo o motivo, elas convivem e alimentam essas caracteristicas. E encontram a felicidade.
No poder... Autoridade...Domínio....
E na parvoice inata...
Quero "homenagear" as mulheres (e contra mim falo) que sabem utilizar o Poder que detêm praticando, deste modo, o Bem!
Tiro-lhes o chapéu... Conseguem na perfeição, ganhar uma posição....
Mas, na minha humilde opinião, perdem completamente a razão, quando dizem que o Mundo pode ser delas e, que os direitos de igualdade e afins são perfeitamente passíveis de acontecer. SIM... Com este tipo de mulheres no Poder, cuidem-se...
De tacto, de amizade, de bom senso, de respeito, de honradez e de limpeza.
É importante!
A limpeza da alma, associada à pureza e à inocência, quanto basta...
A limpeza diária na TERRA. Dever-se-ia "limpar" - corrigir - o desconforto que provocamos nos outros.
Mas porquê? Dizem as alminhas mais cinicas e hipócritas????!!!
Alienação e desrespeito pelo próximo. Será preciso isso?!
Nah....porque o poder e a podridão é o menos trabalhoso e consome o dia-a-dia, de tal maneira, dessas pessoas, que elas nem reparam, não sentem, empedernidas .... minam tudo que tenta ter coração... Sarcasticamente, não percebendo o motivo, elas convivem e alimentam essas caracteristicas. E encontram a felicidade.
No poder... Autoridade...Domínio....
E na parvoice inata...
Quero "homenagear" as mulheres (e contra mim falo) que sabem utilizar o Poder que detêm praticando, deste modo, o Bem!
Tiro-lhes o chapéu... Conseguem na perfeição, ganhar uma posição....
Mas, na minha humilde opinião, perdem completamente a razão, quando dizem que o Mundo pode ser delas e, que os direitos de igualdade e afins são perfeitamente passíveis de acontecer. SIM... Com este tipo de mulheres no Poder, cuidem-se...
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Nao me importo
A propósito, ontem passava um filme na televisão, traduzido para a nossa língua. “Perseguindo Amy”, - nada alusivo ao Natal é certo – mas que me deixou a pensar.
Sento-me sozinha a vê-lo. Afinal, vivo só.
Imagino-me um dia a ter o privilégio de dissecar a mensagem contigo.
E nesse dia sentar-te-ás a meu lado a partilhar um momento, como alguém diz nesse filme.
Chorei no fim. Despejei lágrimas. Não me importo. Falava de Amor.
Alternativas de amor. Loucuras e experiências sexuais. Amores incompreendidos, amores que se perdem. Desencontros e desperdícios.
Nós queixamo-nos que não encontramos o Amor. E se o encontramos, e o passado se revela por razões maiores, tem de determinar o que quer que seja? Então quando e como seremos felizes? Será errado contarmos, a quem amamos, o nosso passado? Porque tem de ter tanto sentido?
Ou de modificar o percurso de nossa vida? Queremos partilhar os vícios e as virtudes.
Não será isso o Amor? Partilhar o bom e o mau? Conhecer o preto e o branco? O que nos resta?
A vaidade impera. O orgulho vence e a bestialidade que nos é inata muda o rumo de nossas vidas. Entrave. Fobias. Obstinação. Procuramos empate em tudo que fazemos. Dá que pensar!
Mas nao me importo. Falava-se de Amor
Sento-me sozinha a vê-lo. Afinal, vivo só.
Imagino-me um dia a ter o privilégio de dissecar a mensagem contigo.
E nesse dia sentar-te-ás a meu lado a partilhar um momento, como alguém diz nesse filme.
Chorei no fim. Despejei lágrimas. Não me importo. Falava de Amor.
Alternativas de amor. Loucuras e experiências sexuais. Amores incompreendidos, amores que se perdem. Desencontros e desperdícios.
Nós queixamo-nos que não encontramos o Amor. E se o encontramos, e o passado se revela por razões maiores, tem de determinar o que quer que seja? Então quando e como seremos felizes? Será errado contarmos, a quem amamos, o nosso passado? Porque tem de ter tanto sentido?
Ou de modificar o percurso de nossa vida? Queremos partilhar os vícios e as virtudes.
Não será isso o Amor? Partilhar o bom e o mau? Conhecer o preto e o branco? O que nos resta?
A vaidade impera. O orgulho vence e a bestialidade que nos é inata muda o rumo de nossas vidas. Entrave. Fobias. Obstinação. Procuramos empate em tudo que fazemos. Dá que pensar!
Mas nao me importo. Falava-se de Amor
O amor Também é silencioso
Porque têm os homens tanta dificuldade em expressar o que para nós nos é tão simples e espontâneo.
Entrei em casa. Tocaram à companhia. Era ele. Pediu-me para subir.
Deixei-o entrar e perguntei-lhe, afinal, o que queria.
Só queria olhar para mim, durante alguns minutos. Pedi-lhe para se pôr a andar, e que não estivesse com ideias, pois nada se iria passar. “Já olhaste para mim, podes sair” – disse.
Ao que ele me respondeu, com aquele olho doce e terno que ele sempre teve.
“Só me quero deitar a teu lado.” Exausta, deitei-me na cama, vestida. Ele seguiu-me, em silêncio. Deu-me um beijo na testa e deitou-se a meu lado, também vestido. Nada mais dissemos.
Entrei em casa. Tocaram à companhia. Era ele. Pediu-me para subir.
Deixei-o entrar e perguntei-lhe, afinal, o que queria.
Só queria olhar para mim, durante alguns minutos. Pedi-lhe para se pôr a andar, e que não estivesse com ideias, pois nada se iria passar. “Já olhaste para mim, podes sair” – disse.
Ao que ele me respondeu, com aquele olho doce e terno que ele sempre teve.
“Só me quero deitar a teu lado.” Exausta, deitei-me na cama, vestida. Ele seguiu-me, em silêncio. Deu-me um beijo na testa e deitou-se a meu lado, também vestido. Nada mais dissemos.
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Ampulheta
Uma palavra menos agressiva era só o que queria de ti. Um gesto. Uma carícia. Que uma Cor menos cinzenta pairasse sobre nós. E florisse a nossa relação. Algo que me desse, que nos desse alento à alma. Porque só me apetece chorar e não consigo. Porque é que acho que a vida não é justa connosco, assim? És o contrário de mim... porque fazes tudo menos bem ao invés de te amares, de te cuidares. Não sabes que só te magoas. E que feres o escasso espaço da relação pai-filha que existe – só porque és meu Pai!
Não é meu, esse desejo, mas é o que sinto! Não sei se te amo, PAI!
Como eu gostaria de te amar. Pois, eu não sei se daquela maneira que tu querias, nem nunca mo disseste!!! Tu deverias ser o pilar de toda uma maturidade que eu amanhei à força... Porque, estiveste lá quando “outros” não estiverem!!! Mas não consigo encontrar referências, por mais que me esforce! Desculpa, Pai se falhei como filha, mas não sei como falar contigo nem como te amar! Lembras-me uma ampulheta que, volta e meia, tem de ser virada, pela mão da avó, para te lembrar que tens uma filha. Parece – lhe que, ultimamente, a vida tem passado, sem isso!
No entanto, o que edifiquei foi à minha custa. Já me habituei a coisas que nunca me confiaste: Nunca me leste estórias. Não me puxaste a roupa quando eu queria adormecer com medo do escuro. Não sabias como fazer! Eu não sabia que não sabias. E não quiseste aprender.
Nunca me telefonas. E ainda te zangas comigo se te telefono. Gritamos sempre que estamos juntos, berramos quando não concordamos. Não tomas os medicamentos. Bebes que nem um doido para esquecer o quê? Uma vida que tu próprio alimentaste? E porquê? Vives obcecado por uma vida que te deixou marcas e não avanças para lado nenhum.
A tua ideia é continuar a virar a ampulheta até partir. Partir será o teu fim. Forças e continuas a forçá-la pela mão da avó. Uma mãe que sempre foi bengala de todos, de ti, de mim, de nós.
Mas até quando…ela não vive para sempre. Mas tu continuas a sonhar, a esperar que Deus não a leve. E explicar-te que as coisas não são assim. E que crescer dói, e que tu nunca cresceste. E que teimas em fazê-lo a todos os minutos. Como dizer-te isto sem que berres comigo e te zangues! Estou tão cansada!
Tens uma auto-estima miserável como nunca vi ninguém ter... e sem necessidade queres demonstrar ao mundo que és um sem abrigo e Porquê? Nunca percebi. Lidas com o teu sofrimento como se fosse uma representação assente ou um recurso, o único que dispões para chamar à atenção…
Não sei Pai. Eu quero gostar de ti e quero que tu gostes de ti.
Nunca te disse isto que acabo de escrever nestas linhas. Chorarias baba e ranho e nunca chegaria até ti. Nunca o consegui. Nunca o conseguiste. Vermo-nos um ao outro, é o nosso problema maior!
Passamos, simplesmente, um pelo o outro!
Não é meu, esse desejo, mas é o que sinto! Não sei se te amo, PAI!
Como eu gostaria de te amar. Pois, eu não sei se daquela maneira que tu querias, nem nunca mo disseste!!! Tu deverias ser o pilar de toda uma maturidade que eu amanhei à força... Porque, estiveste lá quando “outros” não estiverem!!! Mas não consigo encontrar referências, por mais que me esforce! Desculpa, Pai se falhei como filha, mas não sei como falar contigo nem como te amar! Lembras-me uma ampulheta que, volta e meia, tem de ser virada, pela mão da avó, para te lembrar que tens uma filha. Parece – lhe que, ultimamente, a vida tem passado, sem isso!
No entanto, o que edifiquei foi à minha custa. Já me habituei a coisas que nunca me confiaste: Nunca me leste estórias. Não me puxaste a roupa quando eu queria adormecer com medo do escuro. Não sabias como fazer! Eu não sabia que não sabias. E não quiseste aprender.
Nunca me telefonas. E ainda te zangas comigo se te telefono. Gritamos sempre que estamos juntos, berramos quando não concordamos. Não tomas os medicamentos. Bebes que nem um doido para esquecer o quê? Uma vida que tu próprio alimentaste? E porquê? Vives obcecado por uma vida que te deixou marcas e não avanças para lado nenhum.
A tua ideia é continuar a virar a ampulheta até partir. Partir será o teu fim. Forças e continuas a forçá-la pela mão da avó. Uma mãe que sempre foi bengala de todos, de ti, de mim, de nós.
Mas até quando…ela não vive para sempre. Mas tu continuas a sonhar, a esperar que Deus não a leve. E explicar-te que as coisas não são assim. E que crescer dói, e que tu nunca cresceste. E que teimas em fazê-lo a todos os minutos. Como dizer-te isto sem que berres comigo e te zangues! Estou tão cansada!
Tens uma auto-estima miserável como nunca vi ninguém ter... e sem necessidade queres demonstrar ao mundo que és um sem abrigo e Porquê? Nunca percebi. Lidas com o teu sofrimento como se fosse uma representação assente ou um recurso, o único que dispões para chamar à atenção…
Não sei Pai. Eu quero gostar de ti e quero que tu gostes de ti.
Nunca te disse isto que acabo de escrever nestas linhas. Chorarias baba e ranho e nunca chegaria até ti. Nunca o consegui. Nunca o conseguiste. Vermo-nos um ao outro, é o nosso problema maior!
Passamos, simplesmente, um pelo o outro!
quarta-feira, setembro 12, 2007
Um espelho qualquer
Numa das paredes do café, existia um espelho a todo o comprimento. Ao levantar os olhos do jornal, apercebo-me que um casal se entreolha. Nada são um ao outro. Cada um em sua mesa. Tornam-se cúmplices de sorrisos e olhares atrevidos. Desenvolve-se uma linguagem de sedução que me fascina. Prudentes meneios geram uma atmosfera de desejo, uma tentação em pecar. A voluptuosa libertinagem encanta-os e delicia-os a avançar naquele jogo lascivo. De forma arrojada transmitem autênticos sinais de acasalamento. Afoitamente, ela mordisca os lábios, e num simples trocar de pernas fá-lo, discretamente, salivar. Pairava uma aura de excitação tal que me eriçava arrebatadamente. Desfrutava. Sentia-me à mercê do incontrolável.
Ela deseja ser desejada. Impulsivamente, levanta-se e dirige-se à toilette. Possivelmente, para retocar a maquilhagem. De soslaio, encara-o como se o convidasse a acompanhá-la. Tentador. Não? Ele nem tenta disfarçar e segue-a. Só me lembro de olhar para o relógio e ter passado meia hora. Continuavam esgueirados, sem dar notícias.
Fez-me pensar em escapar à rotina. Algo de desavindo se passava ali. Especularia que: São lugares de rompante que passam a correr na nossa vida. Toca e foge: "Em geral, os cenários pouca importância, têm". Calham, e às vezes não calham mal. Tinha de ser ali: "Num café banal, onde tudo pode acontecer...” Fortuitamente, um casal estranho sente atracção. Nenhum deles faz ideia de quem é. É irrelevante. Interessa só que os sentidos estejam apurados. Não importa quem repara. A luxúria, que ambos querem partilhar, sobeja.
Ela deseja ser desejada. Impulsivamente, levanta-se e dirige-se à toilette. Possivelmente, para retocar a maquilhagem. De soslaio, encara-o como se o convidasse a acompanhá-la. Tentador. Não? Ele nem tenta disfarçar e segue-a. Só me lembro de olhar para o relógio e ter passado meia hora. Continuavam esgueirados, sem dar notícias.
Fez-me pensar em escapar à rotina. Algo de desavindo se passava ali. Especularia que: São lugares de rompante que passam a correr na nossa vida. Toca e foge: "Em geral, os cenários pouca importância, têm". Calham, e às vezes não calham mal. Tinha de ser ali: "Num café banal, onde tudo pode acontecer...” Fortuitamente, um casal estranho sente atracção. Nenhum deles faz ideia de quem é. É irrelevante. Interessa só que os sentidos estejam apurados. Não importa quem repara. A luxúria, que ambos querem partilhar, sobeja.
segunda-feira, setembro 10, 2007
sangue
Gotejar

As gotas caiam-me na cara, sabia bem. Tocam na pele, e desaparecem com o calor que se sente. Escorrem sôfrega e docemente, pelo pescoço. Percorrem ávidamente a pele por aquele momento. Nunca mais me tocaste. A chuva sempre fez mais do que tu. E aquele abraço, nunca mo deste. Os teus braços, à minha volta, nunca mais os, senti. O teu arfar. A tua respiração. Ela fazia-me gotejar, só de te sentir, e com o teu toque, estremecia. Vivia.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Verdade ou Realidade
Há sempre alguem, que nos diz: "tens de ser forte e ultrapassar, rindo, as agruras que a vida nos traz". Pois é. E não sabemos isso, tão bem?! È como se quisessemos, e soubessemos que temos para dar. Mas, ao mesmo tempo, há a noção de que o poço secou, e não se dá por isso. Deve ter secado. mirrado. esvaído.
É como a inspiração. Tenho tantas ideias, tantos pensamentos que me estão, constantemente, a atabalhoar a mente, que não os consigo pôr no papel.
E isso porquê? já o sei. è a fonte que tem vindo a secar...a mirrar. Não que sinta medo de os pôr cá para fora, simplesmente nao saem. Como fragmentos sem ligação, sem uniao, sem sentido, sem nexo. E são pensamentos lindos, quase como se eu quisesse que o Mundo soubesse. Do que sou capaz. E que afinal, não sou incapaz. E que tenho para dar, através de historias que imagino. que se passam comigo, ou nao. Sou eu.
É como a inspiração. Tenho tantas ideias, tantos pensamentos que me estão, constantemente, a atabalhoar a mente, que não os consigo pôr no papel.
E isso porquê? já o sei. è a fonte que tem vindo a secar...a mirrar. Não que sinta medo de os pôr cá para fora, simplesmente nao saem. Como fragmentos sem ligação, sem uniao, sem sentido, sem nexo. E são pensamentos lindos, quase como se eu quisesse que o Mundo soubesse. Do que sou capaz. E que afinal, não sou incapaz. E que tenho para dar, através de historias que imagino. que se passam comigo, ou nao. Sou eu.
terça-feira, agosto 07, 2007
De volta
Desde Setembro do ano passado que a minha vida sofreu uma volta em termos de responsabilidade profissional, nao diria totalmente benefica, talvez diferente, que me tem consumido. Para ser sincera, desde que me separei que a minha vida nao tem sido a mesma. Quero voltar a escrever. quero voltar a amar. quero voltar a ser feliz.
Nao tenho conseguido fazer nada para mim, por mim. Por cansaco, por andar revoltada e zangada com o mundo! nao quero mais isso. Mudar seria o ideal. O melhor.
E quero voltar a deixar aqui os meus escritos. Nao tenho tido tempo, tambem. Mas quero voltar a fazer o que fazia,ao fim do dia, que era deixar por aqui os meus pensamentos, as minhas preocupacoes. o meu mundo.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Regras que degolam...
...aos poucos.
A sociedade convida a uma série de atrocidades, ora cometemos connosco ou com o do lado.
A sucessiva engrenagem torna-se repetitiva e emite, constantemente, códigos pensantes e alternativos que erradicam na rotina e no bem-estar, e o que é mais selvagem, é que estamos dispostos a obedecer. Apodrecer. Obedecer. Assentir.
Felizmente, não acontece logo nem sempre, e talvez precisemos de nos dar uma oportunidade e deixar que as coisas evoluam por si. A complexidade do ser humano vai até aqui, quando respeitamos os outros, imiscuirmo-nos a nós proprios. Pois é , mas sempre nos ensinaram a não ser rudes, a não ser indiscretos, nem inconvenientes, em suma, mal formados. As ocasiões mais certas e imediatas não se escusam por nada. Elas decorrem, estão aí e têm vida própria. Alterações e situações de pressão fora do comum, e outros simbolos que aprendemos a respeitar. Como aprender a conduzir. Sabe-se que há sinais de proibição e de permissão aos quais devemos cumprir.
Nesse caso, o que fazer , quando nos magoam?
Engolimos o desaforo, e lidamos com isso, até nos passar.
Partimos para agressão, que é a solução mais comum e que nos desembaraça da culpa que sentimos, por não termos agido naquele momento. É terrível e comprime-nos até que, conseguimos viver com isso e aceitarmos que faz parte de nós. Quem somos, afinal?!
A contestação é essencial, e defendermos os nossos ideais, as nossas opiniões, e se não reagirmos a este tipo de situações repetir-se-á sempre até que os males entendidos, fiquem esclarecidos.
O outro compreenderá e respeitará, deixando assim de pensar que aquele tipo de pessoa pertence aquele padrão. O padrão, em uso, deixará de existir dando lugar a um outro muito diferente.
A sociedade convida a uma série de atrocidades, ora cometemos connosco ou com o do lado.
A sucessiva engrenagem torna-se repetitiva e emite, constantemente, códigos pensantes e alternativos que erradicam na rotina e no bem-estar, e o que é mais selvagem, é que estamos dispostos a obedecer. Apodrecer. Obedecer. Assentir.
Felizmente, não acontece logo nem sempre, e talvez precisemos de nos dar uma oportunidade e deixar que as coisas evoluam por si. A complexidade do ser humano vai até aqui, quando respeitamos os outros, imiscuirmo-nos a nós proprios. Pois é , mas sempre nos ensinaram a não ser rudes, a não ser indiscretos, nem inconvenientes, em suma, mal formados. As ocasiões mais certas e imediatas não se escusam por nada. Elas decorrem, estão aí e têm vida própria. Alterações e situações de pressão fora do comum, e outros simbolos que aprendemos a respeitar. Como aprender a conduzir. Sabe-se que há sinais de proibição e de permissão aos quais devemos cumprir.
Nesse caso, o que fazer , quando nos magoam?
Engolimos o desaforo, e lidamos com isso, até nos passar.
Partimos para agressão, que é a solução mais comum e que nos desembaraça da culpa que sentimos, por não termos agido naquele momento. É terrível e comprime-nos até que, conseguimos viver com isso e aceitarmos que faz parte de nós. Quem somos, afinal?!
A contestação é essencial, e defendermos os nossos ideais, as nossas opiniões, e se não reagirmos a este tipo de situações repetir-se-á sempre até que os males entendidos, fiquem esclarecidos.
O outro compreenderá e respeitará, deixando assim de pensar que aquele tipo de pessoa pertence aquele padrão. O padrão, em uso, deixará de existir dando lugar a um outro muito diferente.
terça-feira, janeiro 30, 2007
o amor perde-se com o tempo
O tempo desgasta , a ausência apodrece a hilaridadePeço que o riso não me abandone quando me apetecer chorar
Não quero perder aquela vontade d´ amar
Se a perco, jamais e incapaz de amar…
Darei o quê, se a frustração e o abalo vencem,
A Inutilidade pode vencer, serei senão eu própria…
Tantos desenganos, ora a vida nos proporciona
E não conseguimos ver que uma das armas mais poderosas, vai tecendo e traçando fios e fios de horas, algumas mais desinteressantes à espera de, acordarmos um dia, até que padeçamos e vejamos o que desaproveitámos.
Oh vida.
O quão importante é, não nos vergarmos à tua impaciência.
Por tão desajustada e oca que sejas, às vezes, seria bom que te contemplássemos, como um puzzle com tantas e diferentes peças e no fim de cada dia, tivéssemos a capacidade de parar e encaixar mais uma que, ontem ou na semana passada, nos parecia tão inacabada.
Como aprendemos?
Não sabemos, vamos sabendo … à medida do nosso tempo
à dimensão do desgaste. E aperfeiçoarmos esse desgaste.
Podemos combatê-lo… mas para quê?
O desgaste gera desgaste… e o cansaço vence.
Quantas vezes já me perguntei…porquê gastar energias em algo que não tem assim tanta importância. A lucidez da alma acompanha este processo. Se não conseguirmos abstrairmo-nos disso, o que julgamos não ser importante, é-o de facto. É outro puzzle que vamos deixando de lado, até que se amontoem muitos puzzles na nossa vida.
Esta perspectiva “puzzlianesca” tem alguma lógica, para mim, no sentido em que posso pegar neste facto concreto, para entender a minha vida e como ela tem decorrido aos meus olhos ao tempo e desgaste que me tem proporcionado.
Quem dera que me fosse mais fácil aguentar e ultrapassar o poder que, por vezes, ela tem.
terça-feira, outubro 10, 2006
Saudades de inventar
Faz tempo que, aqui não venho.
Ou será o tempo que me faz isto.
Nostalgias. Amores impraticáveis.
Amizades indefiníveis. Desencontros.
Estórias a contar ou a inventar. Tenho saudades.
Mal-entendidos, receios, algumas palavras, e emoções.
Afazeres excessivos, desavindos que me têm desviado daqui.
Projectos envolventes e, quão vacilantes.
Não há tempo, nunca há tempo, ele, sempre, nos foge.
À ausência de nós próprios, o tempo traz.
Tanto se passou. Gente nova, gente velha, os que escaparam, os que se mantêm.
É o universo, o caro ri-se em constante transformação. Reformas e retomas. De mão em mão, as opiniões e os jeitos abundam. Harmonias e segredos revelam-se - entre multidões e gentes.
A rua estava silenciosa. Quase dez horas da noite. Não havia, praticamente, barulho. Só o do comboio. De vinte em vinte minutos, ouvia-se o “pouca terra, pouca terra”. De quando em vez, passava um carro, ou alguém que usufruía de bicicleta, o que seria uma das últimas belas noites de Verão. Pois, era o fim do Verão que se aproximava. Noites como esta, restariam poucas.
Assomei à janela. Um calor infernal. Um céu limpo. Estava lua cheia. De um brilho inexplicável. Nem as infelizes ou poucas árvores buliam, acostumadas à poluição. Um cão corria do dono. Este, coitado, bradava para que ele não fugisse. A trela tinha-se-lhe escapado. Alguns rapazes brincavam às escondidas, outros riam, talvez partilhassem anedotas.
Via-se alguns dependentes ou habitues da TV. Provavelmente, algum filme, novela ou série que acompanhavam há meses.
O que se passa por detrás daquelas janelas, algumas escancaradas, outras com luz meia baça. Tudo ou quase tudo. Da criatividade não abdico. Se me pedissem não a trocaria por nada.
A Joana sentia-se cansada e chorosa, acumulava noites longas sem dormir, o homem com quem partilhava a casa, traí-a. Discussão à vista ou um desamor despoletado por simplicidades, os casais que não borrifam a relação, é o que calha.
Ou será o tempo que me faz isto.
Nostalgias. Amores impraticáveis.
Amizades indefiníveis. Desencontros.
Estórias a contar ou a inventar. Tenho saudades.
Mal-entendidos, receios, algumas palavras, e emoções.
Afazeres excessivos, desavindos que me têm desviado daqui.
Projectos envolventes e, quão vacilantes.
Não há tempo, nunca há tempo, ele, sempre, nos foge.
À ausência de nós próprios, o tempo traz.
Tanto se passou. Gente nova, gente velha, os que escaparam, os que se mantêm.
É o universo, o caro ri-se em constante transformação. Reformas e retomas. De mão em mão, as opiniões e os jeitos abundam. Harmonias e segredos revelam-se - entre multidões e gentes.
A rua estava silenciosa. Quase dez horas da noite. Não havia, praticamente, barulho. Só o do comboio. De vinte em vinte minutos, ouvia-se o “pouca terra, pouca terra”. De quando em vez, passava um carro, ou alguém que usufruía de bicicleta, o que seria uma das últimas belas noites de Verão. Pois, era o fim do Verão que se aproximava. Noites como esta, restariam poucas.
Assomei à janela. Um calor infernal. Um céu limpo. Estava lua cheia. De um brilho inexplicável. Nem as infelizes ou poucas árvores buliam, acostumadas à poluição. Um cão corria do dono. Este, coitado, bradava para que ele não fugisse. A trela tinha-se-lhe escapado. Alguns rapazes brincavam às escondidas, outros riam, talvez partilhassem anedotas.
Via-se alguns dependentes ou habitues da TV. Provavelmente, algum filme, novela ou série que acompanhavam há meses.
O que se passa por detrás daquelas janelas, algumas escancaradas, outras com luz meia baça. Tudo ou quase tudo. Da criatividade não abdico. Se me pedissem não a trocaria por nada.
A Joana sentia-se cansada e chorosa, acumulava noites longas sem dormir, o homem com quem partilhava a casa, traí-a. Discussão à vista ou um desamor despoletado por simplicidades, os casais que não borrifam a relação, é o que calha.
Rotina. Caos. Irreversível desfecho.
No piso de baixo, observo uns rapazes. Fixam um computador, provavelmente, navegavam nalgum chat, ou site mais ousado. No terceiro direito, invejo uma rapariga que se pinta e emboneca para o homem dos seus sonhos. – “Pode ser o tal!” (lembram-se de “Janela indiscreta”, de Alfred Hitchcock)
Ele espera na outra sala, e mostra-se tão nervoso. As mãos suam-lhe, ansiosamente, e desorienta-se ao bisbilhotar uma moldura que caí no chão. Apanha-a e senta-se finalmente no sofá, massajando os dedos e arregaçando as mangas. Desperta um pouco a gravata e não pára de ver as horas. Não é que estejam atrasados. Vão sair pela primeira vez, só isso. Têm um jantar romântico. Invejo-a, sim. Jantares românticos são projectos que não fazem parte da minha agenda há uns anos.
Hoje em dia, já não me culpabilizo de não amar ou de não ser amada, e que haja alguém que me queira seduzir. Estou bem, mas deixei de acreditar no Amor. É um assunto que, já, me deixa dormir. Me deixa não esquecer as potencialidades e capacidades de praticar outros projectos que sei ser capaz.
Enquanto isto, deambulava pelos meandros da mente. Pensava na vida - no que tinha feito, no que poderia ter feito, porquanto seria digno o que fiz, por que lutei, pelo que aprendi, pelo que dei? Conclui que a vida que não escolhi teria sido mais rica, mais completa e, mais cheia pelo que poderia ser hoje e não sou. Será certa essa incerteza? E o que sou hoje? Não sei bem contar. Pensei indagar alguém que me conhecesse, e não sei o que expressaria! Sei inventar e contar Estórias. De os outros para os outros. Isso, gosto e sei fazer. Autobiografia seria breve, muito aquém do que sempre imagino ou imaginei para mim. J não se farta de me dizer que eu posso e devo ser, posso e devo querer, posso e devo fazer….
Amanhã, volto cá.
Até já!
No piso de baixo, observo uns rapazes. Fixam um computador, provavelmente, navegavam nalgum chat, ou site mais ousado. No terceiro direito, invejo uma rapariga que se pinta e emboneca para o homem dos seus sonhos. – “Pode ser o tal!” (lembram-se de “Janela indiscreta”, de Alfred Hitchcock)
Ele espera na outra sala, e mostra-se tão nervoso. As mãos suam-lhe, ansiosamente, e desorienta-se ao bisbilhotar uma moldura que caí no chão. Apanha-a e senta-se finalmente no sofá, massajando os dedos e arregaçando as mangas. Desperta um pouco a gravata e não pára de ver as horas. Não é que estejam atrasados. Vão sair pela primeira vez, só isso. Têm um jantar romântico. Invejo-a, sim. Jantares românticos são projectos que não fazem parte da minha agenda há uns anos.
Hoje em dia, já não me culpabilizo de não amar ou de não ser amada, e que haja alguém que me queira seduzir. Estou bem, mas deixei de acreditar no Amor. É um assunto que, já, me deixa dormir. Me deixa não esquecer as potencialidades e capacidades de praticar outros projectos que sei ser capaz.
Enquanto isto, deambulava pelos meandros da mente. Pensava na vida - no que tinha feito, no que poderia ter feito, porquanto seria digno o que fiz, por que lutei, pelo que aprendi, pelo que dei? Conclui que a vida que não escolhi teria sido mais rica, mais completa e, mais cheia pelo que poderia ser hoje e não sou. Será certa essa incerteza? E o que sou hoje? Não sei bem contar. Pensei indagar alguém que me conhecesse, e não sei o que expressaria! Sei inventar e contar Estórias. De os outros para os outros. Isso, gosto e sei fazer. Autobiografia seria breve, muito aquém do que sempre imagino ou imaginei para mim. J não se farta de me dizer que eu posso e devo ser, posso e devo querer, posso e devo fazer….
Amanhã, volto cá.
Até já!
terça-feira, setembro 05, 2006
terça-feira, agosto 22, 2006
A hostilidade do cimento – II
À debilidade, espalhada, em paredes estanques, recheadas de recortes, em caixilhos e retratos, apontamentos e, saudades magoadas, não se ausenta a memória.
Esperas. Emboscadas exasperantes. A percepção das coisas tende em escapar-nos. Os segredos enchem metrópoles inteiras, empedernidas, pela tradição que faz por nos lembrar regências familiares, impedimentos conscientes e superiores. Matérias e afins, temas e, disciplinas regulares. Os chamados Encontrões. Rumos. Metas e exemplos quase certos. É favor não assentar opções. Vive-se na corda bamba.
E as mentiras, as rejeições, as rotinas, as feições, as decisões amortecidas pelos movimentos mecânicos e rotineiros. Atalhos e percursos sinuosos, só nos desviam do que é essencial e, ao desfecho? Determina-se a inconstância que sempre sentíramos. È a inconstância do betume, a incongruência da realidade.
Sabemos que pode ser …algo que nos encalha, ou alguém que nos fere, ou que nos é amargo, ou que se cansa, ou alguém que apregoa. “…Caminhar em frente dói”, e que nos, deixa lá mais uma “ruga”, um laivo de fraqueza …É a vida ávida … Afinal é para este Todo, ao qual, vindos e concomitantes, nos vão sendo colocadas provas, motivos, e testes, alguns, inúteis. Será preciso tanta mágoa…! Hipocrisias escondidas e negociações. Envelheceres gastos e pesares hostis e putrefactos. Sangramos, não faz mal, faz-nos mais fortes! Esta é a nossa lei tão acostumada, é a própria vida. É a astúcia da própria. Desagrados acumulados de anos. Repressões vinculativas. Geração para geração. Pais e filhos. Pais para filhos. Certos ou errados. Nunca o soubemos!
Esperas. Emboscadas exasperantes. A percepção das coisas tende em escapar-nos. Os segredos enchem metrópoles inteiras, empedernidas, pela tradição que faz por nos lembrar regências familiares, impedimentos conscientes e superiores. Matérias e afins, temas e, disciplinas regulares. Os chamados Encontrões. Rumos. Metas e exemplos quase certos. É favor não assentar opções. Vive-se na corda bamba.
E as mentiras, as rejeições, as rotinas, as feições, as decisões amortecidas pelos movimentos mecânicos e rotineiros. Atalhos e percursos sinuosos, só nos desviam do que é essencial e, ao desfecho? Determina-se a inconstância que sempre sentíramos. È a inconstância do betume, a incongruência da realidade.
Sabemos que pode ser …algo que nos encalha, ou alguém que nos fere, ou que nos é amargo, ou que se cansa, ou alguém que apregoa. “…Caminhar em frente dói”, e que nos, deixa lá mais uma “ruga”, um laivo de fraqueza …É a vida ávida … Afinal é para este Todo, ao qual, vindos e concomitantes, nos vão sendo colocadas provas, motivos, e testes, alguns, inúteis. Será preciso tanta mágoa…! Hipocrisias escondidas e negociações. Envelheceres gastos e pesares hostis e putrefactos. Sangramos, não faz mal, faz-nos mais fortes! Esta é a nossa lei tão acostumada, é a própria vida. É a astúcia da própria. Desagrados acumulados de anos. Repressões vinculativas. Geração para geração. Pais e filhos. Pais para filhos. Certos ou errados. Nunca o soubemos!
quinta-feira, agosto 17, 2006
A hostilidade do cimento
Hostilidades desmedidas sob selvas … betume e argamassas construídas e animadas em ossos, sangue, veias e tendões, impacientam por estalar. Somos aias, somos paus mandados, somos fardo, somos proposta, somos projecto… de carne, somos … parentesco deste modo de vida.
O Homem possui, reina, determina, e destrói disposições maciças, elevações poéticas prostradas em restos, em pedaços de boatos, e abalos e ruínas tristes num sistema que, pervertido, actua por contentarmos os ditos ditosos.
Costumes arruinados, vícios únicos e indivisíveis, soltam-se em ameaças extraordinárias e mais prementes. Vive-se e sobrevive-se entre vínculos déspotas e isolados que desencadeiam tropeções cíclicos, só e enfadonha, sabemos que atropelarmo-nos sem dó nem piedade, é a melhor feição.
Há um ciclo adaptador que emite personagens desconhecidas e emergentes à nossa evolução. A cada pedaço que damos, a cada reacção ao perto, a cada imagem que criamos ou retemos. A resistência ao que é sadio. A firmeza permissível ao que nos faz feliz. É mecanicamente aceitável.
A progressividade e a tolerância à realização. É de praxe o Homem calar, nunca reclamar, e jamais altercar. Fiquemos à mercê da institucionalização do cimento. Ele entra-nos por todo o lado, sob a forma de instantes e influxos que, até, nos fazem falta.
Viemos ao mundo com defeito, será? Perdem-se em nós, ou será que nos perdemos neles? Or ever. Está instaurado.
Não nos cansamos de dizer a nós próprios que sempre assim foi (a auto-justificação transforma-se em auto-flagelação)! A favor da agressão, a favor do betume e dos espaços parcos em cimento mal enjorcados que ocupamos! E tudo isto é reflexo das nossas transformações. Um palco montado numa selva de cimento. Animais intoleráveis. Pressões mentais recatadas entre receptáculos de betume. Escolhas e intrigas minam alguém mais idóneo, mas isso não tem importância, desde que sobrevivamos às hostilidades do cimento.
O Homem possui, reina, determina, e destrói disposições maciças, elevações poéticas prostradas em restos, em pedaços de boatos, e abalos e ruínas tristes num sistema que, pervertido, actua por contentarmos os ditos ditosos.
Costumes arruinados, vícios únicos e indivisíveis, soltam-se em ameaças extraordinárias e mais prementes. Vive-se e sobrevive-se entre vínculos déspotas e isolados que desencadeiam tropeções cíclicos, só e enfadonha, sabemos que atropelarmo-nos sem dó nem piedade, é a melhor feição.
Há um ciclo adaptador que emite personagens desconhecidas e emergentes à nossa evolução. A cada pedaço que damos, a cada reacção ao perto, a cada imagem que criamos ou retemos. A resistência ao que é sadio. A firmeza permissível ao que nos faz feliz. É mecanicamente aceitável.
A progressividade e a tolerância à realização. É de praxe o Homem calar, nunca reclamar, e jamais altercar. Fiquemos à mercê da institucionalização do cimento. Ele entra-nos por todo o lado, sob a forma de instantes e influxos que, até, nos fazem falta.
Viemos ao mundo com defeito, será? Perdem-se em nós, ou será que nos perdemos neles? Or ever. Está instaurado.
Não nos cansamos de dizer a nós próprios que sempre assim foi (a auto-justificação transforma-se em auto-flagelação)! A favor da agressão, a favor do betume e dos espaços parcos em cimento mal enjorcados que ocupamos! E tudo isto é reflexo das nossas transformações. Um palco montado numa selva de cimento. Animais intoleráveis. Pressões mentais recatadas entre receptáculos de betume. Escolhas e intrigas minam alguém mais idóneo, mas isso não tem importância, desde que sobrevivamos às hostilidades do cimento.
quinta-feira, agosto 10, 2006
A FORÇA DAS COISAS
A FORÇA DAS COISAS
Não era do homem de cinqüenta anos que eu tinha saudade; não era daquele justo sem justiça, de arrogância desconfiada e rigorosamente mascarada, que rasgara meu coração ao consentir nos crimes da França; era o companheiro dos anos de esperança, cujo rosto despojado brincava e ria tão bem, o jovem escritor ambicioso, louco pela vida, por seus prazeres, por seus triunfos, pelo companheirismo, pela amizade, pelo amor e pela felicidade. A morte o ressuscitava; para ele, o tempo não mais existia, o ontem não tinha mais verdade que o anteontem; Camus, tal como eu o amara, surgia na noite, no mesmo instante reencontrado e dolorosamente perdido. Sempre que morre um homem, morre uma criança, um adolescente, um jovem: cada um chora aquele que lhe foi caro. Caía uma chuva fina e fria; na avenida Orléans, mendigos dormiam nas soleiras das portas, encolhidos e transidos de frio. Tudo me dilacerava: aquela miséria, aquela infelicidade, aquela cidade, o mundo, e a vida, e a morte.
Não era do homem de cinqüenta anos que eu tinha saudade; não era daquele justo sem justiça, de arrogância desconfiada e rigorosamente mascarada, que rasgara meu coração ao consentir nos crimes da França; era o companheiro dos anos de esperança, cujo rosto despojado brincava e ria tão bem, o jovem escritor ambicioso, louco pela vida, por seus prazeres, por seus triunfos, pelo companheirismo, pela amizade, pelo amor e pela felicidade. A morte o ressuscitava; para ele, o tempo não mais existia, o ontem não tinha mais verdade que o anteontem; Camus, tal como eu o amara, surgia na noite, no mesmo instante reencontrado e dolorosamente perdido. Sempre que morre um homem, morre uma criança, um adolescente, um jovem: cada um chora aquele que lhe foi caro. Caía uma chuva fina e fria; na avenida Orléans, mendigos dormiam nas soleiras das portas, encolhidos e transidos de frio. Tudo me dilacerava: aquela miséria, aquela infelicidade, aquela cidade, o mundo, e a vida, e a morte.
Simone de Beauvoir
sexta-feira, junho 09, 2006
Desfragmentos
Quando tudo me parece ganhar sentido, foge-me a influência.
As palavras não saem, os afagos reprimem-se e, transformo-me numa outra pessoa.
Não consigo ser, atrapalho-me e não verbalizo metade do que tinha para te dizer.
Parece-me sempre que um outro universo se apodera dos meus feitos e sinais futuros, para se encontrarem ao dispor de outro alguém…
Será a inocuidade a revelar realidades que perdem o significado e põem termo às mensagens mal esclarecidas. A ausência distinta ao invés da fluidez natural do que, supostamente se quer dizer e se sente.
A falta de aprendizagem faz-me tropeçar no coração e a agilidade do que sou, do que aprendi, do que me tornei, volve-se numa agradável farsa. É tudo uma manha pegada quando apregoou que, desta vez, será desigual. Seremos sempre equitativos. O conceito é o mesmo, é aquele com que sempre lidei. Pois se nunca conheci outro.
E a facilidade com que me relaciono e, nos decepciono, altera completamente o rumo a um passo descompassado e antecipa o fim da narrativa.
Narrativas vivenciadas, elas perseguem-me, dominam e conduzem a mais uma que se esgota. É um ciclo de existências gastas e plenas de razão. E é como um lapidar idêntico, e, embora constante se acaba por se estilhaçar! Quase como se eu tivesse que as desfragmentar! Ou me visse obrigada a!
Nunca terei saber suficiente para abdicar de cometer os mesmos enganos, ou parecidos!
As relações serão sempre um mistério. Nunca nos conseguimos superar na totalidade de quem gostamos. Haverá indulgência para quem se quer mostrar diferente, desta vez? Só desta vez?! No desfecho, pensarei inevitavelmente o mesmo!
Eloquência tens-me enganado ao longo dos anos. Expressividades sinceras e definitivas… Tens gerido e clarificado o meu destino. Não há absolutas verdades, mas o facto de morares ao meu lado, tem feito a vida igual a si mesma.
Terei aberto o ciclo demasiado como sempre o faço, para que tu rejas o nosso universo. Se nunca houve nada. A minha cabeça agido à maneira do que nunca quase o meu corpo acompanha…é como se andasse desfasada do universo que me rodeia.
O meu corpo lá e a minha cabeça aqui. Ao juntá-las cresceria, amadureceria e explicar-te-ia como mudei! Mas não queria dizer que mudei por ti, mas por mim!
As palavras não saem, os afagos reprimem-se e, transformo-me numa outra pessoa.
Não consigo ser, atrapalho-me e não verbalizo metade do que tinha para te dizer.
Parece-me sempre que um outro universo se apodera dos meus feitos e sinais futuros, para se encontrarem ao dispor de outro alguém…
Será a inocuidade a revelar realidades que perdem o significado e põem termo às mensagens mal esclarecidas. A ausência distinta ao invés da fluidez natural do que, supostamente se quer dizer e se sente.
A falta de aprendizagem faz-me tropeçar no coração e a agilidade do que sou, do que aprendi, do que me tornei, volve-se numa agradável farsa. É tudo uma manha pegada quando apregoou que, desta vez, será desigual. Seremos sempre equitativos. O conceito é o mesmo, é aquele com que sempre lidei. Pois se nunca conheci outro.
E a facilidade com que me relaciono e, nos decepciono, altera completamente o rumo a um passo descompassado e antecipa o fim da narrativa.
Narrativas vivenciadas, elas perseguem-me, dominam e conduzem a mais uma que se esgota. É um ciclo de existências gastas e plenas de razão. E é como um lapidar idêntico, e, embora constante se acaba por se estilhaçar! Quase como se eu tivesse que as desfragmentar! Ou me visse obrigada a!
Nunca terei saber suficiente para abdicar de cometer os mesmos enganos, ou parecidos!
As relações serão sempre um mistério. Nunca nos conseguimos superar na totalidade de quem gostamos. Haverá indulgência para quem se quer mostrar diferente, desta vez? Só desta vez?! No desfecho, pensarei inevitavelmente o mesmo!
Eloquência tens-me enganado ao longo dos anos. Expressividades sinceras e definitivas… Tens gerido e clarificado o meu destino. Não há absolutas verdades, mas o facto de morares ao meu lado, tem feito a vida igual a si mesma.
Terei aberto o ciclo demasiado como sempre o faço, para que tu rejas o nosso universo. Se nunca houve nada. A minha cabeça agido à maneira do que nunca quase o meu corpo acompanha…é como se andasse desfasada do universo que me rodeia.
O meu corpo lá e a minha cabeça aqui. Ao juntá-las cresceria, amadureceria e explicar-te-ia como mudei! Mas não queria dizer que mudei por ti, mas por mim!
Subscrever:
Mensagens (Atom)

