terça-feira, fevereiro 12, 2019

Veda-te órgão monstruoso que és


As lembranças queimam
Traem e enganam e devastam…
Nem sobejam os vigores, as robustezes!
Simplesmente és o intento da mente,
A estória germinou, e inventas
E crias, e compões, e constróis …

Nada!
Nem o Nada se transforma em significado,
Era leal e generoso
De qualquer enredo com desfecho justo.
Tudo perdeu o que é seu…
Não há sentido, não há escândalo,
Não há absolvições …
Não há indignação, não há escolha
Não há preceito, NADA.
És só Tu emaranhada em omissões 
Em hesitações, medos e palermices
De algo que brotou imaturo…
E esvai-se… como se o alter-ego se esvaziasse
Em insignificâncias que se ficaram em palavras!
Tornas-te alerta, até na dúvida reincidente
Na dor que atravessa verdades tão nítidas
… que nunca quiseste ver!!

Perdeste-te em pormenores desperdiçados, 
Juízos alvoroçados recordam-se de ti..
Do fim, do seu fim…
Tentas fartar os dias que não te largam
O que levas deles…
Razões e dias sem NADA

Tempo és esbanjador, gastas o teu tempo
Em tempo de outrem…
A alma sã? Não há salubridade
Apenas se revê nesta alma enferma
Engodos, Iscos, Chamarizes, Atrativos 
Contos engendrados, e espremidos
Não possuem… NADA!
Só pesar!
Angústia e desgosto…  
Finalmente, se exibem ….
e “abocanham”.
Destapam o Véu…
Continuamente fusco, basso e sujo
Nunca alumiado e cintilante
Sempre com tonalidades enganosas,
Ias respirando, ias respeitando …
Olhando a luz um pouco enegrecida,
Faltou-te sempre olhar a realidade,
Olhar o facto,
O acontecimento,
e és assim: indubitavelmente vendada…
como se a vida te vendasse os olhos!
Sempre olhaste o mundo com o coração!
Nunca dissemelhante
A tua mente ausentava-se do coração.
És PEITO e viveste sempre na essência,
e tão desligada …
E, objetivamente, o que alcançaste?
Ao cogitar, NADA
Ao refletir o sentir, contemplavas tolices
O que atentaste, racional, sobre?
O que o coração Te segredava...
E te levariam onde? a NADA
E sustentam esta narrativa, efabulando
… A alma enferma que te tornaste
Acredita, é o pior
estares doente...
E o pior ainda é destapar O choro,
Ao que não quiseste ver …
Ou o que deixaste de querer ver…
Ou o que o pestanejar não viu
O coração vê, viu e via só o que o alegrava…
Sempre ingénuo e fraco…
Irresponsável e não soube coar o essencial
Nem impede nem veda!
Vedar o coração, ninguém sabe! quem o sabe??
Veda-te órgão monstruoso que és,
Veda-te aos desventurados: aos que te veneram e acreditam que em ti
está a solução !
Sempre que ele se desloca, brinca, move,
e bombeia, Atrozmente!
Vede: crescem muralhas em mim
           Caminha coxo, emuralhado
Ela aguarda até que o desassossego volte, de novo, a ser salutar!
E aprender a recuperar para os que bem-querem
A alguém que não sou Hoje!

Outubro 2018 

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